Deolane Bezerra viraliza no Coliseu e reacende debate sobre o “turismo vazio” nas redes sociais
Reprodução / IA
Deolane Bezerra viraliza no Coliseu e reacende debate sobre o “turismo vazio” nas redes sociais

O vídeo é curto. Poucos segundos. Mas foi o suficiente para gerar um debate enorme nas redes sociais. Durante uma viagem à Itália, Deolane Bezerra aparece em frente ao Coliseu, em Roma, tira uma foto e diz algo na linha de: “pronto, já vi, agora vamos pra Zara”. A gravação foi feita em tom de humor, claramente como um meme, mas acabou abrindo espaço para uma discussão muito maior e mais profunda sobre a forma como muita gente tem enxergado as viagens atualmente.

Porque o problema, sinceramente, não é entrar na Zara. Eu mesmo adoro fazer compras quando viajo e deixei isso claro no vídeo que publiquei comentando o assunto. O ponto nunca foi esse. O que chama atenção é a superficialidade que o vídeo transmite ao reduzir um dos monumentos mais importantes da humanidade a apenas um cenário para uma foto rápida antes da próxima parada de consumo.

E talvez seja justamente aí que mora a reflexão mais importante: O Coliseu não é apenas um ponto turístico famoso de Roma. Ele é um dos maiores símbolos do Império Romano e da própria história da civilização ocidental. Construído há quase dois mil anos, o anfiteatro reunia mais de 50 mil pessoas para espetáculos públicos, combates de gladiadores, apresentações e demonstrações de poder político. Mais do que uma construção impressionante, ele representa uma sociedade que influenciou arquitetura, política, engenharia, cultura e até a forma como o mundo moderno foi estruturado.

Roma inteira, aliás, funciona como um verdadeiro museu a céu aberto. Você literalmente caminha pela história. E é justamente por isso que soa tão estranho ver alguém diante de um lugar desses tratando tudo como se fosse apenas mais um “check” de roteiro.

E antes que alguém distorça o debate, vale reforçar: ninguém é obrigado a fazer viagem intelectual, virar especialista em história ou passar horas ouvindo explicações embaixo do sol de quarenta graus. Eu mesmo não gosto desse tipo de turismo extremamente engessado. Cada pessoa viaja da forma que quiser. O problema começa quando a experiência perde completamente o significado e vira apenas aparência, ostentação e produção de conteúdo para internet.

Porque hoje existe um fenômeno muito evidente nas redes sociais: as pessoas estão conhecendo o mundo sem realmente conhecer nada sobre ele. Viajam para provar que viajaram. Colecionam destinos como quem coleciona etiquetas de luxo. A viagem deixa de ser transformação e passa a ser vitrine.

E quando isso é reforçado por influenciadores com milhões de seguidores, o impacto vai muito além de um vídeo de humor. Influenciadores moldam comportamento, criam referências e acabam normalizando uma geração cada vez mais vazia culturalmente, mais preocupada com o enquadramento da foto do que com o lugar onde está pisando.

Depois que publiquei meu posicionamento sobre o tema em meu instagram (@vitor.vianna), recebi uma avalanche de mensagens de pessoas dizendo exatamente a mesma coisa: que é impossível visitar a Itália sem se apaixonar pela história, pela arquitetura, pela cultura e pela atmosfera do país. E isso mostra que ainda existe, sim, um interesse genuíno das pessoas em viver experiências reais durante uma viagem.

Porque viajar deveria ampliar repertório, abrir a mente, provocar curiosidade e transformar a forma como enxergamos o mundo. Não deveria ser apenas uma sequência de fotos bonitas para alimentar redes sociais.

No fim das contas, ninguém volta igual de uma viagem. Ou pelo menos não deveria voltar. E talvez esse seja o maior problema do chamado “turismo do check”: ele cria pessoas que passam pelo mundo inteiro… sem realmente enxergar nada.

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