
Desde o dia 15/04, a Nomad reformulou o seu programa Nomad Pass, alterando principalmente a forma como libera o acesso ao seu lounge no Aeroporto de Guarulhos. Na prática, o benefício ficou mais restrito.
Antes, clientes em níveis mais baixos já conseguiam acessar a sala VIP. Agora, o acesso passou a ser exclusivo para quem atinge pelo menos o Nível 3 do programa, o que exige maior pontuação e movimentação na conta.
Essa mudança faz parte de uma reformulação completa do Nomad Pass, que hoje conta com cinco níveis diferentes. No Nível 1, até 1.000 pontos, o cliente está na base do programa, com taxa de conversão de 2% e benefícios mais simples, como 1GB de internet no chip internacional. No Nível 2, entre 1.000 e 3.000 pontos, há uma leve melhora na taxa, que cai para 1,9%, além do envio gratuito do cartão de débito, mas sem acesso ao lounge. Já no Nível 3, a partir de 3.000 pontos, o cliente passa a ter acesso ilimitado ao Nomad Lounge, benefício que antes era percebido como mais acessível. Nos níveis 4 e 5, entram vantagens adicionais, como acompanhante no lounge e transferências internacionais gratuitas.
E foi justamente essa mudança que gerou repercussão negativa. Na internet, especialmente em sites como o Reclame Aqui, diversos clientes passaram a relatar insatisfação com a nova regra. Há depoimentos de usuários que afirmam ter aberto a conta exclusivamente pelos benefícios como acesso à sala VIP e que, com a mudança, deixaram de ter esse direito. Outros dizem que decidiram concentrar gastos no cartão justamente pensando no uso das salas VIP e agora não conseguem mais utilizar o benefício.
Também há relatos de clientes que organizaram suas viagens considerando o tempo de permanência no aeroporto com acesso ao lounge e que foram surpreendidos por um comunicado informando que, a partir de 15 de abril, o acesso passaria a ser restrito a clientes do Nível 3. Em alguns casos, clientes que estavam no Nível 2 e já tinham viagens internacionais marcadas para os dias seguintes afirmam que a alteração ocorreu sem aviso prévio razoável ou qualquer regra de transição.
Alguns consumidores vão além e alegam que a mudança viola princípios como transparência e confiança na relação de consumo, já que, segundo eles, a decisão impacta diretamente um benefício que influenciou a escolha pelo produto. Outros relatam que abriram contas para familiares e amigos justamente para utilizarem juntos a sala VIP e que, de uma hora para outra, perderam esse acesso. Há ainda quem diga que descobriu a mudança na véspera da viagem, frustrando toda a expectativa criada em torno do benefício.
Foram muitos os relatos registrados, mostrando que a alteração não passou despercebida entre os clientes da fintech.
Por outro lado, esse movimento também acompanha uma tendência mais ampla do mercado. Com a popularização das salas VIP nos últimos anos, o acesso deixou de ser algo restrito e passou a fazer parte de diversos cartões e serviços financeiros. O resultado foi um aumento significativo na demanda, e, consequentemente, nos custos para manter esse tipo de benefício.
Diante desse cenário, empresas vêm adotando critérios mais rígidos para acesso, seja por nível de relacionamento, gasto mínimo ou fidelidade. Para alguns, essa mudança tem um caráter mais elitista. Para outros, trata-se apenas de um ajuste necessário para manter a qualidade e a proposta de exclusividade do serviço.
A Nomad, nesse caso, segue exatamente esse movimento: restringe o acesso, mas reforça a lógica de fidelização. O benefício continua existindo, mas agora está condicionado ao nível de uso da conta.