
A partir de hoje, a Europa amplia oficialmente a implementação do EES (Entry/Exit System - Sistema de entrada e saída), o novo sistema eletrônico de controle de entrada e saída de turistas. A proposta é modernizar a imigração, substituindo processos manuais por um controle digital e biométrico.
Mas, na prática, o que está acontecendo agora é bem diferente do que muita gente tem visto nas redes sociais.
Antes de tudo, é importante esclarecer: o EES não tem qualquer relação com o ETA ou com o ETIAS. O ETA é uma autorização eletrônica obrigatória para entrada no Reino Unido, enquanto o ETIAS ainda não está em vigor e será exigido futuramente para entrada nos países do Espaço Schengen. O EES, por sua vez, trata exclusivamente do controle de entrada e saída de viajantes.
O sistema não começou hoje, ele vem sendo testado desde 2025
Apesar de muita gente estar tratando como uma novidade que surgiu agora, o EES não começou hoje. Esse sistema já vinha sendo implementado de forma gradual desde outubro de 2025, em alguns aeroportos da Europa, funcionando em caráter de teste.
O que acontece agora é uma ampliação desse modelo, com mais aeroportos passando a utilizar o sistema simultaneamente.
Como funciona na prática
Na teoria, o processo é simples: o passageiro deixa de fazer tudo com um agente e passa a utilizar um totem de autoatendimento. É ali que ele escaneia o passaporte, tira a foto, registra as digitais e responde a um questionário com informações da viagem.
O sistema, inclusive, permite escolher o idioma, o que facilita bastante para quem não fala inglês. Mas a prática tem sido bem diferente. Essa semana, estive no Aeroporto de Barcelona-El Prat, e levei mais de duas horas para concluir esse processo. E isso não foi um caso isolado. O sistema ainda é lento, muitas pessoas têm dificuldade em preencher corretamente as informações, há falhas no reconhecimento de passaporte e biometria, e, para piorar, diversas máquinas simplesmente não estão funcionando. Em alguns casos, aeroportos com mais de 10 ou 15 totens operam com apenas metade deles ativos.
O resultado é previsível: filas longas, demora e um processo que, neste momento, está longe de ser eficiente.
Não acabou o carimbo, e nem o contato com o agente
Outra informação importante, e que está sendo amplamente distorcida, é a ideia de que o sistema substituiu completamente o carimbo no passaporte e o contato com o agente de imigração. Isso não é verdade. Mesmo após realizar todo o processo eletrônico, ainda passei por um agente, que conferiu as informações e carimbou o passaporte normalmente.
Ou seja, pelo menos neste momento, o sistema não eliminou o atendimento humano e tampouco aboliu o carimbo.
Atenção com conexões: esse ponto pode te fazer perder o voo
Um dos pontos mais importantes, e que pouca gente está falando, é o impacto nas conexões.
Muita gente ainda não entende que a imigração acontece no primeiro país de entrada na Europa. Ou seja, se você vai para Paris, mas faz conexão em Amsterdã, é em Amsterdã que você vai passar pela imigração. Com esse novo sistema ainda lento, conexões curtas se tornam um risco real.
A recomendação é clara: escolha voos com mais tempo de conexão. Se o atraso acontecer por causa da imigração e você perder o voo seguinte, a companhia aérea deve te realocar sem custo, desde que todos os trechos estejam no mesmo bilhete.
Agora, se você comprou passagens separadas, o cenário muda completamente. Nesse caso, você perde o trecho seguinte, mesmo que a culpa não seja sua. Por isso, mais do que nunca, faz diferença comprar toda a viagem em um único bilhete.
O mito do “fura-fila” da imigração
Outro ponto que precisa ser esclarecido é o suposto “atalho” que tem sido divulgado nas redes sociais. Existe, sim, um aplicativo oficial que permite preencher parte das informações antes da viagem, geralmente até 72 horas antes do embarque.
Mas esse sistema ainda não está disponível em toda a Europa. Ele vem sendo testado em alguns países específicos, como Portugal e Suécia, e ainda não é uma solução universal.
Ou seja, não existe nenhum “fura-fila” garantido, o que existe é uma fase de testes que ainda não foi expandida para todos os aeroportos (A previsão é que no final do ano esteja presente em toda europa).
O que esperar agora
O EES é, sem dúvida, uma mudança importante e inevitável na forma como a Europa controla suas fronteiras. Mas, neste momento, ele ainda está longe de funcionar como prometido. Filas maiores, processos mais lentos e necessidade de adaptação fazem parte dessa fase inicial.
Conclusão
Se você tem viagem marcada para a Europa agora, a melhor recomendação é simples: vá preparado. Chegue com antecedência, tenha todos os documentos organizados, evite conexões curtas e, principalmente, tenha paciência.
Porque, apesar da tecnologia, a imigração europeia ainda está em fase de ajuste, e isso, por enquanto, pode significar exatamente o oposto do que prometeram.