Brasileiros entram sem visto no Japão… por enquanto. Mas isso pode mudar muito em breve
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Brasileiros entram sem visto no Japão… por enquanto. Mas isso pode mudar muito em breve

Desde 30 de setembro de 2023, brasileiros não precisam mais de visto para entrar no Japão em viagens de turismo. A medida facilitou (e muito) a chegada de visitantes. O resultado é visível: o país vive hoje um boom turístico sem precedentes, com ruas lotadas, parques abarrotados e estações de trem funcionando no limite.

Quem está aqui percebe na hora. A Universal Studios Japan registra filas gigantescas que chegam a comprometer a experiência do visitante. A Tokyo Disneyland segue o mesmo caminho. Em áreas centrais das grandes cidades, caminhar virou quase um exercício de paciência.

Esse crescimento acelerado tem explicação: isenção de visto, iene desvalorizado e a curiosidade global em conhecer o Japão criaram uma combinação perfeita para atrair turistas do mundo inteir, especialmente brasileiros, que passaram a enxergar o país como um destino relativamente barato, mesmo com o real desvalorizado.

Para se ter uma ideia, hoje ainda é possível fazer refeições completas por valores que giram em torno de R$ 30 em áreas urbanas. Algo praticamente impensável em regiões turísticas no Brasil. Esse custo mais baixo acaba sendo mais um combustível para o aumento da procura.

Mas o problema é que tudo aconteceu rápido demais.

Conversando com guias locais, ouvi uma informação que ajuda a entender por que o governo japonês começou a mudar o tom: segundo relatos do próprio setor, já existiriam mais de 29 mil brasileiros em situação irregular no país. Esse número não é oficial, mas circula com força entre profissionais do turismo e reforça uma preocupação crescente das autoridades com imigração irregular.

Ou seja, não é apenas turismo em excesso. É também uma questão migratória. E o Japão já começou a reagir.

Nos bastidores, fala-se em aumento de taxas, reforço na fiscalização e criação de novos sistemas de controle de entrada. Para brasileiros, ainda não há anúncio oficial de volta do visto, mas cresce a expectativa de que essa exigência possa reaparecer em breve, possivelmente ainda este ano, junto com outros países da América Latina.

Nada está confirmado, mas o movimento é claro: mais controle e menos tolerância.

Algumas cidades já sentem o impacto diretamente. Em Kyoto, por exemplo, autoridades locais passaram a adotar medidas como aumento de impostos hoteleiros, restrição de acesso a áreas sensíveis e tentativas de redistribuir turistas para regiões menos exploradas do país, numa tentativa de proteger moradores e preservar o patrimônio cultural.

Importante deixar claro que isso não é um ataque aos visitantes, e sim uma tentativa de equilíbrio. Quando tudo fica lotado demais, o turista perde qualidade de experiência, e quem mora aqui perde qualidade de vida.

Resumo da ópera: o Japão continua aberto ao mundo, mas está pagando o preço do próprio sucesso. O turismo explodiu, a visibilidade global aumentou e agora o governo corre atrás com medidas mais duras para reorganizar a casa.

Para quem sonha em conhecer o país, o recado é simples: acompanhe esse cenário de perto. Porque aquilo que hoje é “sem visto” pode mudar mais rápido do que muita gente imagina.

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