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Márcio Masulino, nosso colunista de turismo, fala sobre os encantos de São Sebastião, no litoral paulista, de sua história e da cultura de sua gente

São Sebastião - Por do sol na praia de Juquehy
Márcio Masulino/CidadeeCultura
São Sebastião - Por do sol na praia de Juquehy

Uma lista das melhores praias do litoral brasileiro que não tiver pelo menos de três a quatro praias de São Sebastião não pode ser levada a sério. A cidade possui 33 praias de diferentes tamanhos e características, cada qual com sua beleza singular.  Algumas se tornaram pontos requisitados pela juventude paulistana, como é o caso de Maresias, outras são referência de areias para famílias, como Juquehy, Paúba, Camburizinho, e há outras muito românticas, como a Jureia do Norte, que oferece areia branca, mar calmo, pouco movimento e um conjunto de pedras maravilhoso.

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São Sebastião: Praia de Maresias
Márcio Masulino/CidadeeCultura
São Sebastião: Praia de Maresias

Não importa onde você esteja hospedado, visitar a praia vizinha é sempre um excelente passeio. Barra do Sahy, Baleia, Toque-Toque, Barra do Una... Dá para escolher uma praia para assistir ao nascer do sol, outra para curtir a manhã, e ainda se extasiar com o pôr do sol  numa terceira praia de São Sebastião .

São Sebastião além das praias

Já a cidade em si nos oferece muito mais do que sol, mar e água fresca. Por aqui, mesmo antes da população indígena, já habitavam grupos humanos organizados em sociedade: os sambaquieiros. “Sambaqui” é uma palavra indígena derivada de “tambá” (concha) e ki (depósito), usada para designar depósitos de conchas calcárias.

Ao longo de nosso litoral, encontram-se diversos sambaquis que nos ajudam a recontar nossa história. Nossos antepassados usavam conchas para enterrar seus entes queridos e, em meio a esse material, não raro são encontradas peças de cerâmica e outros artefatos.  Por isso, a primeira dica de passeio é um sítio arqueológico.

Sítio arquelógico São Francisco

Sítio Arqueológico
Acervo Municipal São Sebastião
Sítio Arqueológico



As escavações desse sítio, iniciadas em 1991, revelaram mais de 200 anos de história. Com 1.200.000 m² de área total, a 260 metros de altitude, requer uma razoável disposição para ser visitado, já que para se chegar ao local é necessário percorrer uma trilha de mais ou menos uma hora e meia. A visita guiada por monitores é sempre mais enriquecedora porque revela detalhes da história e das descobertas que podem passar despercebidos sem o auxílio deles.

No local, podem-se observar ruínas de uma fazenda,  sua capela e senzala. A vista que dali se descortina também é muito bonita porque podem-se avistar as embarcações que vêm do Canal de São Sebastião. Alguns historiadores acreditam que ali era exercido  o tráfico de escravos o que justifica a falta de registro de posse da fazenda.

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Aldeia guarani

Tribo de índios guaranis - Reserva Índigena Guarani do Rio Silveira
Elaine Leme/cidadeecultura
Tribo de índios guaranis - Reserva Índigena Guarani do Rio Silveira



Mais uma sugestão é visitar a aldeia guarani, que fica a mais de 60 km do centro histórico da cidade, na reserva indígena guarani do Rio Silveira, localizada na praia de Boraceia, divisa com Bertioga. Em meio à Mata Atlântica, a área corresponde a 948 hectares de cerrado e floresta. Nesse espaço vivem cerca de 80 famílias, entre crianças, adolescentes e adultos. No espaço de convivência da aldeia são produzidos palmito pupunha, farinha de mandioca brava, e plantas ornamentais. Os indígenas vivem em pequenas ocas construídas em pau a pique, cobertas com palha, ou em casas feitas com madeira da própria aldeia.

A ideia dos líderes da Reserva é promover o ecoturismo na região e desmistificar o entendimento de que o índio é primitivo e selvagem e, por meio do comércio do artesanato e de seus produtos de subsistência, garantir a perpetuação da cultura e dos costumes da tribo.

Centro histórico de São Sebastião

Sobrado do antigo Hotel Praia
Acervo Municipal São Sebastião
Sobrado do antigo Hotel Praia

 Passear pelo centro histórico da cidade também é muito agradável. Um verdeiro museu a céu aberto onde se podem observar as primeiras edificações, muito bem conservadas, da época colonial. São mais de sete quarteirões e  diversos bens tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

Entre as construções mais importantes encontram-se a Igreja Matriz, a Casa de Câmara e Cadeia e a Casa Esperança. Durante a caminhada, você ainda vai poder experimentar o sorvete da tradicional Sorveteria Rocha, em funcionamento desde 1947 e que já se tornou patrimônio da cidade.

Turismo religioso

Convento de Nossa Senhora do Amparo em São Sebastião
Márcio Masulino/CidadeeCultura
Convento de Nossa Senhora do Amparo em São Sebastião



Das capelas caiçaras à Igreja Matriz e ao Convento de Nossa Senhora do Amparo são inúmeras as construções religiosas de valor histórico.  O convento no bairro de São Francisco, por exemplo, é o edifício mais antigo da cidade. Projetada a pedido dos moradores, a obra foi prevista em 1658 e iniciada em 1664.  De taipa de pilão e pedras, foi construída com mão de obra  escrava e guarda verdadeiras relíquias da arte sacra, como o imagem do Bom Jesus, com mais de 300 anos, e a de Santa Ana (mãe de Maria), em madeira, datada de 1600. A Igreja Matriz por sua vez é um marco na história do povo caiçara, sendo símbolo da religiosidade do município. Entre 1603 e 1609, foi construída a capela em homenagem a São Sebastião e lá ocorriam os registros de nascimentos, casamentos e óbitos.

Culinária caiçara

Azul Marinho - prato típico do litoral norte do Estado de São Paulo
Tatyana de Andrade
Azul Marinho - prato típico do litoral norte do Estado de São Paulo

Visitar São Sebastião e não se esbaldar com a culinária caiçara local é um desperdício. O prato típico da região é à base do peixe azul-marinho, uma iguaria leve com pouca gordura e muitos temperos naturais. Outros ingredientes típicos não poderiam faltar, com destaque para a farinha-da-terra e a banana. Os peixes mais comuns são a garoupa, o badejo, o olho-de-boi, a cavala e o bijupirá. Já entre as variedades de banana temos a nanica e a são-tomé. Agora, a farinha-da-terra, fabricada artesanalmente pelas comunidades da região, dá um toque especial ao prato. Como você sabe, um dia de praia nos enche de apetite e comer por aqui está longe de ser um problema...  Para saber mais dicas de turismo e de trilhas pelo nosso continente, acompanhe a coluna de Márcio Masulino aqui no iG Turismo .