
O futuro da montanha mais alta do mundo está no centro de um intenso debate diplomático e esportivo. Com a aprovação unânime do "Tourism Bill 2081" pela Assembleia Nacional do Nepal em fevereiro de 2026, o acesso ao cume do Everest deixará de ser apenas uma questão de recursos financeiros para se tornar uma prova de currículo técnico.
O Novo Critério Técnico
A lei estabelece que qualquer estrangeiro que deseje escalar o Everest (8.848m) deve, obrigatoriamente, comprovar ter atingido o topo de uma montanha de pelo menos 7.000 metros exclusivamente em solo nepalês. Além disso, o projeto introduz:
- Proibição de escaladas solo: Todos devem estar acompanhados por guias licenciados.
- Seguro obrigatório para Sherpas: Aumento drástico na cobertura para as equipes de apoio.
- Monitoramento por GPS: Uso obrigatório de chips de rastreamento para facilitar resgates e evitar fraudes em registros de cume.
O Que Dizem as Lendas do Alpinismo
A medida não passou despercebida pelos grandes nomes do esporte, gerando uma mistura de alívio e indignação:
"Finalmente o Nepal está tratando o Everest com o respeito que ele merece. A montanha não é um playground para colecionadores de selfies que não sabem sequer colocar um crampon. Exigir experiência prévia salva vidas e honra a ética do alpinismo." — Reinhold Messner, lenda do montanhismo e primeiro a escalar os 14 picos de 8.000m.
Por outro lado, vozes da nova geração, como o catalão Kilian Jornet, levantaram bandeiras vermelhas sobre o protecionismo econômico:
Kilian Jornet: Embora apoie a exigência de competência técnica, Jornet criticou em suas redes sociais a cláusula de que o pico de 7.000m deve ser apenas no Nepal. Para ele, isso desvaloriza a experiência adquirida nos Andes ou no Karakoram (Paquistão) e serve apenas para "encher os cofres do governo".
Nirmal "Nimsdai" Purja: O recordista de velocidade nos 14 picos expressou um apoio cauteloso, focando na segurança das equipes de apoio: "Se isso reduzir o tráfego de pessoas que travam as cordas fixas por horas, meus irmãos Sherpas estarão mais seguros na Zona da Morte."
Análise e Perspectiva: Entre a Intenção e a Realidade
Apesar do clamor das lendas e das novas regras robustas, o ceticismo é o sentimento predominante entre aqueles que acompanham a política nepalesa de perto.
O Histórico de Recuos Não é a primeira vez que o Ministério do Turismo do Nepal tenta "limpar" a imagem do Everest após tragédias ou fotos de filas virais. Em 2015 e novamente em 2019, propostas semelhantes foram colocadas à mesa. Em ambas as ocasiões, o governo acabou voltando atrás após pressão de grandes agências de expedição e a percepção de que as novas regras poderiam afastar os milhões de dólares que as permissões de escalada injetam na economia local.
Dificuldade de Implementação O grande desafio é a fiscalização. Com a corrupção endêmica e a dependência financeira do turismo, é difícil acreditar que essa lei terá "dentes". Se o volume de pedidos de licença cair drasticamente, a tendência histórica é que o ministério relaxe as exigências ou crie "exceções" para grupos VIP.
Enquanto o Everest for visto como a principal fonte de receita de um país em desenvolvimento, o rigor técnico dificilmente vencerá a conveniência econômica. A história se repete: o Nepal promete ordem no topo do mundo, mas o pragmatismo financeiro costuma falar mais alto que a segurança.
Minha opinião
Acredito que uma regulamentação sobre quem pode escalar a montanha mais alta do mundo seja importante, embora eu ache muito difícil que ela se concretize.
É absurda a obrigatoriedade de que a montanha com mais de 7 mil metros seja escalada somente no Nepal; neste quesito, sou totalmente contra! Imagine uma pessoa que já escalou o K2 ser barrada de escalar o Everest? Tal exigência está gerando polêmica e descrédito para uma lei que deveria assegurar a perícia do escalador, mas que tem mais potencial de virar ferramenta de propina e corrupção.
