
Fez é uma das cidades mais antigas e emblemáticas do Marrocos e concentra, em suas ruas estreitas, séculos de história, religião, comércio e artesanato. Antiga capital imperial, a cidade preserva uma das maiores áreas urbanas medievais ainda em funcionamento no mundo, com mercados, oficinas, mesquitas, escolas religiosas e residências distribuídos por um labirinto de vielas.
A Medina de Fez é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial, e o turismo local combina patrimônio histórico, gastronomia, arquitetura e tradições artesanais que permanecem presentes no cotidiano.
A história de Fez remonta ao fim do século 8, quando a dinastia Idríssida fundou a cidade entre 789 e 808. A antiga Fez foi organizada em dois grandes núcleos fortificados, posteriormente reunidos sob uma única estrutura defensiva. Nos séculos seguintes, a cidade cresceu sob diferentes dinastias e se transformou em um importante centro político, religioso, comercial e intelectual do norte da África.
No período merínida, entre os séculos 13 e 15, foi criada Fez Jdid, a chamada cidade nova, que passou a abrigar o palácio real, instalações militares e áreas residenciais.
A importância histórica da cidade está diretamente ligada à sua tradição intelectual e religiosa. A Universidade Al Quaraouiyine, fundada no século 9, tornou-se um dos grandes centros de conhecimento do mundo islâmico e permanece como um dos símbolos de Fez.
A cidade também foi um importante ponto de encontro entre tradições árabes, andaluzas, berberes e judaicas. Essa diversidade pode ser percebida na arquitetura, nos mercados, na gastronomia e nos diferentes bairros que compõem o tecido histórico da antiga capital imperial.
A Medina é o coração da viagem
O principal passeio de Fez começa pela Medina de Fez el-Bali, um enorme conjunto histórico cercado por muralhas e formado por milhares de ruas e passagens. A entrada mais conhecida é o Bab Boujloud, monumental portão decorado com azulejos azuis e verdes que conduz ao interior da cidade antiga. A partir dali, o visitante encontra souks, lojas de artesanato, antigas escolas religiosas, fontes, mesquitas e construções que preservam elementos da arquitetura árabe-andaluza.
A área é praticamente toda explorada a pé, e a ausência de automóveis em boa parte das vielas contribui para a sensação de voltar a outra época.
Entre as atrações mais conhecidas estão a Medersa Bou Inania, importante escola corânica medieval, o Museu Nejjarine de Artes e Ofícios da Madeira, o complexo de Al Quaraouiyine e as antigas muralhas. Os curtumes tradicionais também são uma das imagens mais famosas de Fez.
No complexo de Chouara, trabalhadores continuam utilizando métodos tradicionais para tratar e tingir couro em grandes tanques, uma atividade artesanal que se tornou parte da identidade turística da cidade. O roteiro também pode incluir os Jardins Jnan Sbil, uma área verde próxima à Medina, e os túmulos dos Merínidas, de onde se obtém uma vista panorâmica sobre o centro histórico.
A gastronomia é outro motivo para reservar tempo à cidade. Fez é conhecida por uma cozinha marcada pela combinação de sabores doces e salgados, especiarias, frutas secas e carnes. Entre os pratos que merecem atenção estão a pastilla, o tajine e o cuscuz, além dos doces tradicionais servidos com chá de menta.
Para uma experiência mais ligada à cultura local, os riads — antigas residências organizadas ao redor de pátios internos — também funcionam como hospedagens e restaurantes. A própria estrutura desses imóveis permite conhecer uma parte importante da arquitetura doméstica tradicional marroquina.
Museus e uma cidade que continua viva
Fez não é apenas um cenário preservado para turistas. A Medina continua sendo um espaço de moradia, comércio e produção artesanal. Tecelões, ceramistas, metalúrgicos, marceneiros e curtidores mantêm suas atividades em oficinas espalhadas pelas vielas.
O recém-reformado Museu Al Batha de Artes Islâmicas, instalado em um antigo palácio do século 19, ampliou a oferta cultural da cidade e reúne milhares de objetos, incluindo cerâmicas, manuscritos, tapetes, trabalhos em madeira e peças associadas à tradição artística de Fez. O museu foi reaberto em fevereiro de 2025 após uma ampla restauração.
A localização também favorece passeios pelos arredores. Meknès está a cerca de 64 quilômetros de Fez, distância que pode ser percorrida em menos de uma hora em condições normais, segundo o escritório nacional de turismo do Marrocos.
A região de Ifrane, nas montanhas do Médio Atlas, fica a pouco mais de 70 quilômetros, enquanto áreas de floresta, lagos e paisagens montanhosas podem ser visitadas em excursões de um dia. Para quem permanece mais tempo, Fez pode funcionar como base para explorar uma parte significativa da região de Fès-Meknès.
Para brasileiros, o caminho mais direto é pesquisar voos de São Paulo para o Aeroporto de Fez-Saïss, identificado pelo código FEZ. Não há voos diretos entre São Paulo e Fez, e as opções disponíveis normalmente exigem pelo menos uma escala.
Em pesquisa recente, a Expedia encontrou passagens de ida e volta entre Guarulhos e Fez a partir de R$ 5.010, enquanto o KAYAK indicava opções de aproximadamente R$ 6.908 para ida e volta em pesquisas recentes. Também apareceram tarifas de cerca de R$ 5.141 com a Royal Air Maroc para determinadas datas. Os valores são apenas referências, pois podem mudar rapidamente.
Quanto custa se hospedar
Fez oferece desde hospedagens simples até hotéis de alto padrão e riads instalados em edifícios históricos. Em pesquisa realizada para outubro de 2026, o Booking.com apresentava acomodações na cidade a partir de aproximadamente R$ 185 por noite, valor convertido de uma tarifa inicial de US$ 37 usando a cotação do dólar de cerca de R$ 5,01 registrada em 8 de outubro.
A plataforma disponibilizava mais de mil opções de hospedagem na cidade, incluindo hotéis, riads, apartamentos e casas de hóspedes. Para uma experiência mais característica, vale priorizar um riad na região da Medina; quem prefere facilidade de transporte e ruas mais amplas pode optar pela Ville Nouvelle.
Para conhecer Fez com tranquilidade, três dias inteiros permitem visitar a Medina, os principais monumentos, os curtumes, museus e jardins sem transformar a viagem em uma corrida entre atrações. Quatro ou cinco dias permitem acrescentar Meknès, áreas do Médio Atlas e experiências gastronômicas ou culturais. Outubro e novembro estão entre os períodos indicados para quem deseja temperaturas mais amenas, enquanto a primavera também costuma ser favorável para caminhadas.
O visitante deve reservar tempo para andar sem roteiro rígido: em Fez, parte da experiência está justamente em descobrir oficinas, praças, portas ornamentadas e pequenos mercados ao longo do caminho.
Fez é, acima de tudo, uma cidade para ser percorrida com atenção. Seu principal patrimônio não está concentrado em um único monumento, mas na relação entre ruas, edifícios, mercados e atividades que permanecem em funcionamento.
A Medina, reconhecida pela Unesco, reúne a memória das dinastias que governaram o Marrocos e, ao mesmo tempo, continua sendo um espaço cotidiano para moradores e artesãos. Para o viajante brasileiro que procura um destino histórico, culturalmente distinto e relativamente acessível, Fez oferece uma das experiências mais completas do norte da África.
