Celso Martins

7 cidades de SP guardam fortes, casarios e museus da era colonial

Roteiro pelo interior e litoral de São Paulo reúne construções dos séculos XVI ao XVIII

Bertioga fica a 116 km da capital paulista
Foto: Pixabay
Bertioga fica a 116 km da capital paulista

São Paulo foi um dos primeiros territórios ocupados pelos colonizadores portugueses, o que deixou como herança fortificações, engenhos, casarios e museus espalhados por diferentes regiões do estado. A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, por meio da Agência SP, reuniu sete destinos onde essas construções históricas, que remontam ao período colonial, seguem abertas à visitação e contam parte da formação do Brasil.

Em Bertioga, a 116 quilômetros da capital, está a primeira fortificação erguida em território brasileiro. O Forte São João, erguido em madeira em 1536 e reconstruído em alvenaria 15 anos depois, serviu de defesa contra ataques de piratas e tribos hostis, e chegou a receber o padre Anchieta como hóspede.

Tombado pelo IPHAN e administrado pela prefeitura local, o forte funciona todos os dias da semana, com entrada gratuita.
Em Santos, além da conhecida orla, a cidade preserva o Engenho dos Erasmos, sítio arqueológico erguido por ordem de Martim Afonso de Sousa no século XVI e hoje administrado pela USP, com visitas gratuitas mediante agendamento de terça a sábado.

No Morro de São Bento, o Museu de Arte Sacra ocupa o antigo mosteiro beneditino do século XVII e reúne mais de 600 peças que vão do século XVI ao XX, entre elas a imagem sacra mais antiga do Brasil, de 1560.
Capital concentra acervos da Independência e da fundação da cidade

Na capital paulista, o Museu do Ipiranga, na zona sul, guarda relíquias da família imperial e obras como Independência ou Morte, de Pedro Américo, além de contar com um amplo jardim para passeios em família, com funcionamento de terça a domingo. Na zona oeste, no Butantã, a Casa do Bandeirante remonta aos séculos XVII e XVIII e recorda a época dos tropeiros que subiam o rio Tietê rumo ao interior paulista.

O Obelisco do Ibirapuera, com 72 metros de altura, homenageia os combatentes da Revolução de 1932 e abriga os restos de mais de 700 deles, com visitação diária. Já o Pátio do Colégio, no centro histórico, remete à fundação da Vila de São Paulo de Piratininga, em janeiro de 1554, pelos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, e reúne maquete da vila original, mapas antigos e um museu com artefatos jesuíticos.

Interior reúne casarios coloniais e cidades tombadas

No interior, Santana de Parnaíba, a 42 quilômetros da capital e fundada por volta de 1580, abriga o conjunto arquitetônico colonial mais bem preservado do estado, com mais de 200 construções tombadas. Ao lado da igreja matriz, também de 1580, funciona o Museu Anhanguera, dedicado à memória bandeirante, com visitas monitoradas de terça a domingo.

São Luiz do Paraitinga, a 176 quilômetros de São Paulo, impressiona pelo casario colonial tombado, com fachadas multicoloridas do século XVIII que remetem ao apogeu cafeeiro da região. A cidade recebe grande fluxo de turistas durante o Carnaval e a Festa do Divino Espírito Santo, quando pousadas costumam ser reservadas com um ano de antecedência.

Em Bananal, na Serra da Bocaina, a 306 quilômetros da capital, o ciclo do café entre 1830 e 1880 deixou fazendas e casarões tombados, como a Fazenda Boa Vista, erguida em 1780 e hoje transformada em hotel, que já serviu de cenário para novelas como Cabocla e Sinhá Moça. A cidade também preserva a antiga estação ferroviária e a Pharmácia Popular, considerada a mais antiga em funcionamento no país.

No litoral sul, Iguape, a 201 quilômetros da capital, reúne o maior conjunto de casario colonial e ruas de paralelepípedo do estado. O Museu Municipal ocupa a primeira Casa de Fundição do Brasil, de 1630, enquanto a Basílica do Bom Jesus, de 1780, e outras igrejas históricas completam o roteiro pela cidade, que também é palco de festas tradicionais como o Carnaval e a Festa do Bom Jesus de Iguape, em agosto.



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