
Um percurso de 180 quilômetros entre o Piauí e o Ceará passou a integrar oficialmente a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade. A Caminhos da Ibiapaba cruza três biomas, liga unidades de conservação e já opera com sinalização padronizada, operadores cadastrados e rede de apoio estruturada ao longo do trajeto. As informações são do Ministério do Turismo.
Dividida em 13 trechos, a rota passa pelos municípios cearenses de Tianguá, Ubajara e Ibiapina e pelas cidades piauienses de São João da Fronteira, Brasileira e Piracuruca. O caminho conecta o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, o Parque Nacional de Ubajara, no Ceará, e a Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba, presente nos dois estados.
Homologada pela RedeTrilhas, política pública coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em parceria com o Ministério do Turismo, a Caminhos da Ibiapaba é a primeira trilha de longo curso a atravessar a Caatinga.
O projeto foi desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal junto aos governos locais, com apoio do programa GEF Terrestre, financiado pelo Global Environment Facility, executado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade e implementado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Turismo, cultura e geração de renda
Totalmente sinalizada com as pegadas amarelas e pretas adotadas como padrão nacional, a trilha pode ser percorrida a pé ou de bicicleta. O trajeto inclui mirantes, cachoeiras e sítios arqueológicos, além de áreas redesenhadas para priorizar sombra e paisagens naturais. Dentro do Parque Nacional de Ubajara, quase 40 quilômetros foram reconfigurados para substituir trechos que antes cruzavam rodovias por caminhos imersos na natureza.
A proposta também resgata a tradição dos tropeiros e caixeiros viajantes e foi construída com participação direta de moradores e proprietários rurais. Em São João da Fronteira, a mobilização resultou na criação de um roteiro complementar, a Trilha de São João da Fronteira, percurso mais curto entre carnaúbas e pinturas rupestres.
Hospedagem e gastronomia
Empreendimentos de hospedagem e gastronomia foram mapeados e integrados à iniciativa, com identificação oficial. A trilha já conta com condutores, operadores turísticos e pontos de apoio ao longo da travessia. A expectativa é ampliar a geração de renda nas comunidades, fortalecer cadeias produtivas locais e consolidar as unidades de conservação como espaços de integração entre preservação ambiental e desenvolvimento regional.
