
A companhia de aviação, Azul Linhas Aéreas Brasileiras está mantendo um plano de crescimento cauteloso e prevê que a sua recuperação demore mais do que esperava, segundo o diretor financeiro Carlos Garcia em entrevista à Reuters. Segundo o executivo, os altos preços do combustível de aviação continuam pressionando as margens de lucro mesmo após a saída da empresa da recuperação judicial prevista no Chapter 11 no início deste ano.
A Azul espera encerrar o ano de 2026 com 5% a menos da capacidade em relação ao ano de 2025. A companhia já havia adotado, antes do mais recente impacto nos preços do combustível, esta estratégia à margem de uma conferência organizada pela Associação de Transporte Aéreo da América Latina e do Caribe.
Segundo Garcia, a recuperação da companhia é um estágio mais tardio do que antes, dessa forma, o cronograma pode ser atrasar em um ano ou até mais se os preços dos combustíveis continuarem tão altos.
Operação com menor capacidade
A Azul reduziu a capacidade no segundo trimestre de 2026 em mais de 10% em relação ao ano anterior, em resposta a alta nos preços dos combustíveis. Agora, a expectativa da companhia é que um crescimento modesto da capacidade seja retomado a partir do quarto trimestre.
Segundo Garcia, A Azul está reestabelecendo algumas frequências e colocando de volta em serviço aeronaves que estavam fora de operação, mas o diretor ressaltou que essa postura da empresa não deve ser vista como uma expansão agressiva.
O diretor afirmou também que a companhia conseguiu repassar de 60% a 65% dos aumentos do combustível de aviação aos clientes por meio de tarifas.
Saída da recuperação judicial
A Azul saiu do Chapter 11 em fevereiro de 2026, após reestruturar seu balanço patrimonial e informar, em agosto, que a dívida total havia sido reduzida a R$ 21,4 bilhões.
Segundo o diretor financeiro da Azul, Carlos Garcia, a companhia está se aproximando de um fluxo de caixa livre positivo operacionalmente. No entanto, a geração de caixa ainda está sendo prejudicada por pagamentos vinculados à reestruturação, tanto anterior quanto posterior ao processo do Chapter 11.
O diretor disse ainda que a companhia também está se apoiando mais nos setores do se próprio negócio que vai além dos transportes de passageiros. São produtos como programa de fidelidade, serviços de viagem, operações de carga e manutenção.
Quando questionado sobre os rumores de uma consolidação na aviação latino-americana, Garcia disse que a Azul está focada em resolver seus negócios em vez de avaliar possíveis acordos.
A pergunta foi feita porque, em 2025, a controladora da concorrente Gol, deixou as negociações de fusão entre as duas companhias. No entanto, ainda ficou uma porta aberta para retomar as discussões no futuro.