
O Hopi Hari prepara uma nova atração para a programação de Natal deste ano, em uma parceria com a diretora artística e coreógrafa Fernanda Chamma. O projeto começou a ser desenvolvido após a apresentação de “O Musical dos Musicais Kids – Um Tributo à Broadway e ao West End”, realizada neste sábado, 3 de outubro, no parque, e ainda não teve seus detalhes revelados.
A novidade foi antecipada pela própria Fernanda durante o evento. “Vem uma novidade que eu acho que é inédita em parques de todo o mundo. Então, está para acontecer ainda esse ano”, afirmou.

Musical levou crianças ao palco
A apresentação ocorreu no Theatro di Kaminda, na região de Kaminda Mundi, no Hopi Hari. O espaço recebeu 30 jovens artistas, com idades a partir de sete anos, que levaram ao palco números inspirados em produções conhecidas da Broadway e do West End.
O repertório passou por musicais como “Matilda”, “Wicked”, “Escola do Rock”, “Grease”, “A Bela e a Fera” e “Shrek”. Os estudantes fizeram as apresentações com canto ao vivo, além de dança e interpretação.
O espetáculo também rompeu, em alguns momentos, a divisão entre palco e plateia. Os artistas deixaram o espaço cênico para se aproximar do público, enquanto alguns números tiveram participantes sentados nos bancos entre os espectadores. A movimentação deu à apresentação um caráter mais interativo e aproveitou a configuração do espaço.

Apesar da pouca idade, parte do elenco já acumula experiência em produções do gênero. Fernanda citou, por exemplo, um dos protagonistas, que participou de “Escola do Rock” ainda criança.
A preparação para a apresentação também foi feita em pouco tempo. Segundo a diretora, o grupo teve duas horas de ensaio no palco antes de abrir a cortina.
“30 crianças cantando ao vivo. Tudo realmente com a tecnologia aqui do Hopi Hari. A gente teve duas horas de ensaio de palco e abrimos a cortina”, contou.
Teatro musical busca novos espaços
A experiência no parque faz parte de uma visão mais ampla de Fernanda sobre o desenvolvimento do teatro musical no Brasil. Para ela, o gênero precisa chegar a outras cidades e espaços, sem ficar concentrado nos grandes centros.
“O teatro musical não é só eixo Rio-São Paulo. O teatro musical é isso, é levar para outras praças, outros espaços alternativos, só que tem que ter bagagem e estrutura”, afirmou.
Na avaliação da diretora, o Hopi Hari reúne condições para receber esse tipo de produção. Ela destacou a estrutura técnica do teatro, incluindo equipamentos de som e iluminação.

“É muito importante o Hopi Hari estar aberto com um teatro ímpar, inclusive para a região. Eles têm toda a tecnologia, têm equipamentos de primeira, não falha um microfone, a luz é desenhada lindamente”, disse.
A aproximação também pode ajudar a apresentar o gênero a pessoas que normalmente não frequentam os grandes teatros. Fernanda defende que essas experiências contribuam para a formação de público e de novos artistas.
“É estímulo, é currículo, é gratuidade, é formação de plateia e a divulgação do gênero do teatro musical para pessoas que muitas vezes não têm condição de estar num palco e vislumbrar”, afirmou.
Formação está no centro do trabalho
A parceria com o parque também se relaciona ao trabalho de formação desenvolvido por Fernanda. Ela mantém uma escola de teatro musical em São Paulo e atua na preparação de artistas e profissionais que trabalham em diferentes áreas dos espetáculos.
“Eu tenho uma escola em São Paulo. A gente tem profissionalizado vários técnicos, figurinistas e visagistas e, mesmo numa parceria aqui no parque, a gente tem formado muito”, explicou.

Depois de quase 40 anos de carreira, a diretora afirma que a formação de novos profissionais passou a ocupar um papel importante em sua trajetória.
“Eu fui uma das pioneiras a trazer o teatro musical para o Brasil. Eu trabalhei com grandes nomes do musical, nacionais e internacionais. Tive a honra de montar espetáculos da Broadway fora também do país, pela América Latina. E hoje eu estou muito ligada, depois de quase 40 anos, muito ligada à formação, porque eu acho que a gente tem que deixar um legado”, afirmou.
Fernanda também defende o teatro musical como uma forma de entretenimento capaz de reunir diferentes gerações e movimentar profissionais de diversas áreas.
“O teatro musical é um entretenimento familiar para crianças, adolescentes, adultos. A gente precisa esquentar cada vez mais esse mercado para parceiros e para continuar uma vitrine cultural para todo mundo”, disse.
Novidade deve chegar no Natal
O próximo projeto ainda está em desenvolvimento. Por enquanto, não foram divulgados nome, formato, elenco ou outros detalhes da atração que deve integrar a programação de Natal do Hopi Hari.
Fernanda também citou a possibilidade de novos intercâmbios com produtores estrangeiros. Segundo ela, há negociações para trazer ao Brasil trabalhos relacionados ao West End, em Londres, e a Nova York.
Durante a entrevista, a diretora mencionou ainda o Cult SP Pro, programa do governo do Estado de São Paulo voltado, segundo ela, à formação e à criação de oportunidades de mercado para profissionais da área.
Do lado do parque, o diretor de Experiência e Conteúdo do Hopi Hari, Marcos Zambelli, afirmou que a apresentação abriu espaço para pensar em novos formatos.
“Essa apresentação mostrou, na prática, o potencial que existe quando unimos a estrutura do Hopi Hari a diferentes linguagens artísticas. Receber a Fernanda Chamma e esses jovens talentos foi uma experiência muito especial e também uma oportunidade de pensar em novos formatos para o nosso público”, afirmou.
A próxima etapa da parceria, portanto, ainda permanece em segredo. A única certeza antecipada por Fernanda é que a novidade deve chegar ao Hopi Hari ainda este ano, dentro da programação de Natal.