
Quem acessa os canais digitais do Hopi Hari em busca de informações sobre a Hora do Horror 2026 pode se deparar com algo fora do roteiro tradicional de uma campanha. Preços diferentes, datas aparentemente esgotadas, publicações que desaparecem e conteúdos considerados estranhos fazem parte da narrativa criada pelo parque para divulgar a nova edição do evento. A estratégia simula uma invasão de inteligência artificial aos canais digitais e faz com que a experiência comece antes mesmo da chegada dos visitantes.
A ação acompanha o conceito central da temporada, que aborda o domínio dos humanos pela inteligência artificial. Em vez de limitar a história às atrações físicas, o Hopi Hari decidiu levar a narrativa para o ambiente digital. Assim, site e redes sociais passaram a funcionar como extensões do universo apresentado durante a Hora do Horror.
O resultado é uma campanha que procura colocar o público dentro da história antes da visita. A inteligência artificial I.A.R.A., principal vilã da edição, aparece como responsável pelas alterações nos canais do parque e continua interferindo na comunicação digital.
A invasão começa antes da visita
A estratégia modifica a relação tradicional entre publicidade e consumidor. Em vez de apenas apresentar as atrações, os ingressos e as datas da temporada, a comunicação passa a criar situações que fazem parte da própria narrativa.
Segundo Guilherme Silva, gerente de Marketing do Hopi Hari, a proposta foi justamente aproximar a jornada de compra da experiência encontrada no parque.

“A proposta da campanha foi levar para os nossos canais de venda o mesmo storytelling que o público vivencia dentro do Hopi Hari durante a Hora do Horror. Transformamos o site e as redes sociais em extensões dessa narrativa, fazendo com que a experiência começasse muito antes da visita ao Parque”, afirma.
Na prática, a interferência da I.A.R.A. aparece em diferentes pontos da comunicação. Valores podem surgir modificados, algumas datas aparecem como esgotadas e conteúdos nas redes sociais podem desaparecer ou dar lugar a publicações relacionadas à personagem.
A ação também trabalha com o elemento surpresa. De acordo com o parque, a I.A.R.A. continua no controle dos canais digitais por tempo indeterminado, com ofertas e ações que podem aparecer de maneira inesperada para o público.
Essa dinâmica acrescenta um componente de urgência à compra dos ingressos. Ao mesmo tempo, transforma o consumidor em espectador da própria campanha, já que acompanhar as alterações passa a fazer parte da experiência.
Público acompanha a história fora dos túneis
A repercussão da iniciativa também pode ser observada entre visitantes que acompanham a Hora do Horror há anos. É o caso de Clary Silva, frequentadora do parque desde 2011, que percebeu a invasão digital como mais uma camada da experiência desta edição.

“Eu acompanho a Hora do Horror desde 2011 e nunca vi nada igual, o parque está elevando a experiência com várias ações”, conta.
Para ela, a edição de 2026 chama atenção não apenas pelo tema, mas também pela quantidade de elementos incorporados à experiência. Clary destaca o retorno de três túneis temáticos, os efeitos especiais e uma atração que considera inédita no evento.
Durante o dia, segundo a visitante, o público também encontra atividades relacionadas ao universo da temporada. Entre elas estão treinamentos no túnel Bunk3r e ações nos túneis NovaGen e Ophiron Labs, que contam ainda com Pocket Shows em três horários.
É nesse contexto que a ação digital ganha força. Para Clary, a história não fica restrita ao momento em que o visitante atravessa os portões do parque.
“Além de tudo isso, a I.A.R.A., principal vilã da história dessa edição, está invadindo o site e redes sociais do parque!”, relata.
A visitante diz acompanhar as alterações provocadas pela personagem e aguardar os próximos acontecimentos.
“Posts, valores, datas... Está tudo sendo corrompido, e ela bagunçou tudo! Agora você encontra valores extremamente baixos e até datas esgotadas no site. Nas redes sociais, posts simplesmente sumiram, e a I.A.R.A. está postando coisas estranhas”, afirma.
Estratégia une narrativa, curiosidade e urgência
Para o marketing do Hopi Hari, a resposta inicial do público aparece também nos resultados comerciais. Algumas datas da temporada já estão esgotadas, segundo o parque, enquanto a ação vem provocando curiosidade e repercussão entre consumidores.
Guilherme Silva avalia que a estratégia conseguiu combinar entretenimento com desempenho comercial sem separar a comunicação da experiência proposta pelo evento.
“O fato de algumas datas já terem se esgotado reforça a força dessa estratégia, que conseguiu unir entretenimento e performance comercial, gerar senso de urgência e, principalmente, criar uma conexão genuína com o público”, diz.
A campanha, portanto, aposta em uma inversão do caminho tradicional da divulgação. Em vez de apresentar primeiro o produto para depois levar o consumidor até a experiência, o parque cria uma amostra da própria narrativa no momento em que o visitante pesquisa informações ou tenta adquirir um ingresso.
A proposta ainda mantém a história em andamento. Como a I.A.R.A. permanece “no controle” dos canais digitais, novas interferências podem surgir ao longo da temporada. Para quem acompanha a campanha, isso cria a expectativa de descobrir qual será o próximo movimento da personagem.
Mais do que anunciar a Hora do Horror, a estratégia procura fazer com que o público participe dela antes mesmo de chegar ao parque. A campanha transforma o caminho até a atração em parte da própria história e coloca a inteligência artificial no papel de interferir não apenas no universo fictício do evento, mas também na forma como ele é apresentado ao público.