
Após o episódio de injúria racial do dia 14 de janeiro, no qual a turista argentina Agostina Páez cometeu atos racistas, xingou e imitou macacos para garçons em um bar de Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro, os jornais, portais de notícias e programas de televisão da Argentina começaram a repercutir o caso. O destaque maior nos veículos de imprensa argentinos aconteceu após a permanência de Agostina, e o apelo que ela gravou nas redes sociais relatando o que aconteceu e pedindo ajuda só seu país.
No dia 6, Agostina foi indiciada por injúria racial e presa pela Polícia Civil em Vargem Pequena, na Zona Sudoeste. Horas depois, a justiça mandou soltá-la, mas a advogada a influenciadora, continua cumprindo a prisão com o uso de tornozeleira eletrônica.
A cobertura do caso da influenciadora ganhou destaque em veículos impressos, telejornais e debates, tratando o caso como um alerta direto a argentinos que planejam viajar ao Brasil. Além disso, os jornais começaram a detalhar mas o que diz a lei brasileira que o crime de injúria racial é inafiançável e prevê pena de 2 a 5 anos de prisão.
No entanto, veículos menores publicaram um “manual” ou guia de comportamento para argentinos que planejam visitar o Brasil listando palavras, expressões e atitudes que podem configurar crime no Brasil. A reportagem do jornal La Nacion tem a fala de uma advogada explicando as leis brasileiras e também os motivos de tanta repercussão no Brasil de um caso que não geraria prisão na Argentina.
As reportagens explicam que ações como essas podem resultar em prisão em flagrante, apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e processo judicial, mesmo quando são cometidas por estrangeiros. A especialista consultada deixa claro que a prisão não foi pela nacionalidade da influenciadora e sim porque a questão é crime no Brasil.
Alguns jornais argentinos explicaram que as reportagens são direcionadas para orientar turistas e evitar problemas legais durante viagens ao Brasil. Mas, em nenhum momento, os veículos jornalísticos identificam que há racismo na ação de Agostina. Mesmo o caso de Agostina Páes sendo citado como exemplo das consequências práticas de uma conduta racista, as reportagens e colunas não questionam se há um problema com o cidadão argentino que se comporta de forma racista em outro país.