arque Estadual Pico Paraná -  Campina Grande do Sul (PR)
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arque Estadual Pico Paraná - Campina Grande do Sul (PR)

Com o verão, o  ecoturismo nas regiões montanhosas atrai pessoas que gostam de se aventurar em caminhadas e esportes do trekking. Isso acontece porque a visibilidade da paisagem nas montanhas é muito agradável nesta época do ano.

No entanto, é preciso tomar alguns cuidados ao subir trilhas ou entrar em cachoeiras, açudes e lagoas. É no verão que os acidentes nessas regiões se multiplicam pelo país, a exemplo do que ocorreu com o  jovem Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, que subiu ao Pico do Paraná no dia 1º de janeiro com uma amiga e se perdeu no caminho. Roberto foi encontrado após caminhar por 5 dias e pedir socorro em uma fazenda na cidade de Antonina (PR).

Roberto Farias Thomaz, que desapareceu após passar a virada do ano no Pico Paraná
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Roberto Farias Thomaz, que desapareceu após passar a virada do ano no Pico Paraná

Segundo o Tenente do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), Veronez, que participou das buscas por Rafael, a época mais adequada para subir montanha é durante o inverno, quando não há risco de mudanças bruscas como uma chuva ou queda de raios ou de encontrar animais peçonhentos:

“No verão, os animais peçonhentos estão muito mais agitados e também temos viradas bruscas no tempo e na temperatura. Então, as vezes a pessoa sobe com uma previsão do tempo e, devido ao calor, o tempo vira e o grupo pode ser surpreendido. O inverno é um período mais seco e recomendado para fazer trilhas” afirma o tenente, em entrevista ao iG Turismo.

Como o verão também é uma época em que muitas pessoas aproveitam para tirar férias em grupo ou até em família, os passeios em trilhas se tornam um atrativo porque alguns estão localizados em parque e possuem caminhos demarcados. Mas, mesmo assim, o tenente do CBMPR recomenda não entrar sem um guia que conheça a trilha ou floresta:

“Quando o grupo está sem guia de turismo, o ideal é que, pelo menos uma das pessoas conheça o local. Caso contrário, o ideal é contratar um guia que conheça o local para não haver chance de se perder. Também há a opção de baixar aplicativos de trekking como Strava, Wikiloc, Alltrails, Gaia, Alpinequest. O caminho pode ser baixado antes de ser percorrido e, em seguida é só seguir. No entanto, o grupo não deve desviar da rota recomendada. É fundamental evitar pontos de desvio de rota porque é nesse momento que as pessoas se perdem'', explica.

Outra dica que o tenete do Corpo de Bombeiros do Paraná deixa é observar o tamanho do grupo que irá no passeio. Segundo ele, o ideal é sair com, no mínimo, três pessoas porque acidentes como quedas, tropeços, torções podem acontecer no caminho . Se for necessário chamar o socorro, o grupo pode criar esquemas, como explica:

“Se algum acidente acontecer e for necessário pedir ajuda, um dos integrantes desse grupo poderá voltar ao ponto de partida ou a um local que tenha sinal de telefone para pedir ajuda sem que seja necessário separar o grupo. Então, a pessoa consegue ir até um ponto com sinal de telefone, ligar para 193 e acionar o Corpo de Bombeiros.”

Ainda segundo o tenete Veronez, para realizar um passeio tranquilo em montanha, é essencial pesquisar as condições e níveis de dificuldades da trilha, além da previsão do tempo no dia do passeio. Preparar uma mochila pode prevenir perrengues:

“É importante levar uma mochila com roupas extras, lanternas e pilhas extras e carregador portátil de celular, além de comida e bebida que seja suficiente para um período de 24 horas. A pessoa também deve impermeabilizar todos os itens da mochila, independente da previsão do tempo. Outra coisa muito importante é deixar outras pessoas avisadas de que você está indo caminhar em trilhas. Caso algo aconteça, mais alguém poderá entrar em contato com o resgate.”

Infográfico de montagem de mochila para montanha
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Infográfico de montagem de mochila para montanha

Ao caminhar pela trilha, o grupo deve ter bastante atenção aos obstáculos do caminho. De acordo com o tenete Veronez, observar o cenário é fundamental:

“O grupo deve evitar passar por locais de risco com pedras escorregadias, e, ao entrar em cachoeiras, evitar entrar em águas profundas. As cabeças d’água são fenômenos previsíveis e acontecem com a precipitação de chuva. Então, se há chuva prevista em uma região próxima ao local do passeio, ou choveu dias antes, a chance de acontecer uma cabeça d’água é maior. O ideal é programar o passeio para outro dia, caso essas condições sejam analisadas”, afirma ao Portal iG.

Experiência em montanhas

O guia de montanha Tensing Ernesto trabalha com passeios para um dos operadores locais do PlanetaEXO, agência de serviços de ecoturismo. Há 15 anos, Tensing trabalha com excursões guiadas para o Monte Roraima, montanha localizada na divisa entre Brasil e Venezuela. Diante de sua experiência, ele recomenda que as pessoas prestem atenção nas roupas e nos objetos que levam:

“A roupa tanto para verão como inverno é: calça de trekking. Ela como uma bermuda - calça que se separa por um zíper, uma camisa de manga cumprida com proteção UV 50, se possível, uma bota de trekking e bastante bloqueador solar'', relata ao iG Turismo.

Grupo guiado por Tensing Ernesto no Monte Roraima. Foto: Tensing Ernesto Rodriguez - Guia de montanha da operadora planeta EXO
Grupo guiado por Tensing Ernesto no Monte Roraima. Foto: Tensing Ernesto Rodriguez - Guia de montanha da operadora planeta EXO
Grupo guiado por Tensing Ernesto no Monte Roraima. Foto: Tensing Ernesto Rodriguez - Guia de montanha da operadora planeta EXO
Gia Tensing Ernesto no Monte Roraima (RR). Foto: Tensing Ernesto Rodriguez - Guia de montanha da operadora planeta EXO
Grupo guiado por Tensing Ernesto no Monte Roraima. Foto: Tensing Ernesto Rodriguez - Guia de montanha da operadora planeta EXO

Apesar disso, ele relata que alguns visitantes vão por aventura, sem estarem atentos ao próprio corpo e até levam itens desnecessários para a caminhada:

“O esporte é caminhar. Então, não se deve levar álcool e nem drogas. As pessoas levam bebida para comemorar, mas na verdade estão fazendo mal ao seu corpo, já que a atividade é completamente física.”

Nesse período de experiência, ele relata que o serviço de um guia de turismo é fundamental para subir montanha e o contratante do serviço deve se certificar antes das experiências do profissional:

“Um guia é importante porque interpreta paisagem, conta histórias locais, resguarda a segurança das pessoas, protege a natureza local, controla o turista para evitar que ele impacte áreas de vegetação endêmica e também protege o turista de riscos pelo caminho. Contatar um guia local tambien gera renda para a comunidade. Caso a pessoa desconfie de algo, ela pode pedir as credenciais, cursos e colher relatos de caminhantes que já foram guiados por aquele profissional'', conclui.


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