Manchester no Reino Unido, Inglaterra
Reprodução/TripAdvisor - 31.03.2023
Manchester no Reino Unido, Inglaterra

O Reino Unido poderá suspender vistos de países que se recusarem a receber de volta seus cidadãos em situação irregular . A medida foi defendida pela nova ministra do Interior, Shabana Mahmood.

Ao jornal Independent , Shabana disse que pretende adotar uma linha mais dura do que sua antecessora, Yvette Cooper.

“Vou mais longe e mais rápido. Não sou o tipo de pessoa que fica esperando. Farei o que for preciso para manter nossas fronteiras”, afirmou.

A ministra classificou como “completamente inaceitável” o número de migrantes que cruzaram o Canal da Mancha em 2025, já acima de 30 mil.

Segundo ela, o Reino Unido tem dialogado com os aliados da aliança “Five Eyes”,  Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, sobre medidas conjuntas.

“Isso significa incluir a possibilidade de cortar vistos no futuro. Esperamos que os países cumpram as regras. Se um de seus cidadãos não tem direito de permanecer aqui, eles precisam aceitá-lo de volta”, disse.

Shabana também apontou falhas no atual equilíbrio entre segurança de fronteiras e direitos humanos.

“Estamos analisando mudanças em nossa legislação e em como a Convenção Europeia dos Direitos Humanos é implementada. O equilíbrio não está no lugar certo neste momento”, afirmou.

Apesar disso, ela descartou abandonar a convenção, alertando que isso traria “consequências que não seriam do interesse nacional”.

Entre as propostas em estudo está a transferência de solicitantes de asilo de hotéis para instalações militares, após protestos contra a presença de imigrantes em áreas residenciais. O secretário de Defesa, John Healey, confirmou que o Ministério da Defesa já avalia possíveis locais.

A ministra também defendeu o uso de documentos de identidade para reforçar o controle migratório, embora tenha evitado dizer se a medida será obrigatória.

“Este é um governo trabalhista com políticas trabalhistas. Temos discutido isso há algum tempo e é claro para mim que precisamos de uma abordagem firme”, declarou.

A nova postura ocorre em meio à pressão política do Reform UK, que propõe deportar 600 mil pessoas em cinco anos, e ao aumento do discurso conservador pedindo medidas mais severas.

O secretário-sombra do Interior, Chris Philp, criticou a demora do governo trabalhista:

“Já passou da hora de parar de falar duro e começar a agir com dureza. Qualquer país que não aceite de volta seus cidadãos deve ter a emissão de vistos suspensa”.

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