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Perca-se em Veneza

17/03 - 13:51

Não importa quantas vezes você tenha visto o filme Uma Saída de Mestre ("The Italian Job"), Veneza irá maravilhá-lo com sua beleza sem fim e seus cenários de pinturas. 

Bil Bowen - The New York Times

Acordo Ortográfico 

- Veneza encantou Shakespeare
- O caro de Veneza que vale a pena

Logo em seu primeiro dia, depois de já ter serpenteado por metade da cidade, sua atenção é capturada pela imagem que vê pelo visor da câmera, e que será sua fotografia de número 250 - a impossibilidade de documentar a beleza de Veneza irá arrebatá-lo como uma muralha de 600 anos e mandá-lo, girando como a bobina de um filme, à procura de um Bellini, aquele coquetel de pêssego com prosecco, com a viscosidade branca de um néctar, criado no Harry's Bar.

Mas para absorver o sabor deste coquetel - mesmo que ele seja do tamanho de um dedal - no ambiente impecavelmente decorado de seu lar veneziano, primeiramente você terá de realizar a proeza de encontrar o Harry's Bar nesta cidade-labirinto, onde, muitas vezes, o visitante perde a metade do dia procurando seu hotel, e a metade do segundo dia para encontrá-lo novamente.

Veneza, como todos sabem, surgiu de uma lagoa enlameada, por isso é um lugar onde a expressão “ficar atolado” tem conotação literal.
Construída sobre ilhas antes da invenção do planejamento urbano, a cidade é um emaranhado de caminhos confusos e intricados, sem qualquer padrão de organização. Alguns deles têm nomes de ruas, outros se enredam através de um bairro em curvas intrigantes, acabando em um muro de pedras ancestral – como nas profundezas dos canyons do “velho oeste”, onde somente o Cavaleiro Solitário conhecia as trilhas.

Você se lembra quando oito cavaleiros fora-da-lei galopavam entre dois enormes penedos, levantando uma nuvem de poeira; enquanto isso o Cavaleiro Solitário conduzia seu cavalo “Silver” por um beco, encurralando os experientes cavaleiros e dizendo de maneira expressiva, “Agora os pegamos, Tonto. Este não é um vale sem saída?” 

É assim que se parecem os turistas – uma pequena multidão compactada, usando jeans e tênis Reebok - que gesticulam e apontam para todos os lados, desdobrando seus mapas e sacando suas enormes lentes objetivas, enquanto se locomovem pelas ruelas e tentam se proteger do sol, até dar a guinada final numa curva cega, e serem surpreendidos por um muro de pedras, que deve ser sido erguido pelos primos de Michelangelo. 

Já fui golpeado por algumas fortificações bizantinas, pensando que meu excelente senso de direção me guiaria, como de costume, através da desorientação que é Veneza. Naquelas ruas estreitas não dá para saber onde o sol está, se vê muito pouco do céu. E também não dá para usar aquela ponte de pedras curiosa, que você acabou de atravessar, como ponto de referência, pois existem outras 400 iguaizinhas à ela na cidade. Isso sem falar que a beleza fascinantemente única de cada beco estreito, de cada canal pitoresco, ofuscará seu cérebro, fazendo você esquecer onde está.

Mesmo os guias de viagem, que geralmente usam um tom otimista, soariam banais ao descrever, "Você se perderá em Veneza. Não importa o quanto você estude os mapas ou tenha um senso de direção nato, é inevitável. E não leve isso pro lado pessoal".

As vias públicas da cidade, chamadas “calles”, não se assemelham, nem um pouco, à definição de “rua” na mente de um americano. Geralmente com uns dois metros de largura, são pavimentadas com pedras, tijolos ou concreto, e servem para separar prédios de três a seis andares que foram construídos, em sua maioria, entre os anos 421 D.C e, provavelmente, 1850. Na verdade, apenas suponho que até 1850, pois não vi nada que parecesse ter sido erguido depois da Gerra Civil Americana.

Leia mais sobre: Veneza.

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