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Durante o voo, passageiros tiveram de ficar parte da viagem acordados para minimizar o jet lag, dançaram Macarena e passaram por outras experiências

No dia 20 de outubro, a Qantas Airways, maior companhia aérea australiana completou o voo mais longo do mundo, conectando as cidades de Nova York, na Costa Leste dos Estados Unidos, e Sydney, no litoral Leste da Austrália.

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Comissários de bordo e pilotos do voo mais longo do mundo em frente à aeronave no aeroporto arrow-options
Reprodução/Twitter/benmutzabaugh
O voo mais longo do mundo, realizado pela Qantas, levou 19 horas e 16 minutos para ir de Nova York a Sydney

Segundo o jornal britânico  The Guardian , a viagem de 16,2 mil km levou um total de 19 horas e 16 minutos para ser concluída. O voo mais longo do mundo partiu de Nova York às 21h27 da sexta-feira, dia 18 de outubro e chegou às 7h43 do domingo em Sydney.

O chefe executivo da companhia aérea , Alan Joyce, declarou que o voo foi um marco importante para a aviação. "Tomara que esta seja uma prévia de um serviço regular que irá agilizar a forma como as pessoas viajam de um lado ao outro do planeta", disse em entrevista ao jornal britânico.

A Qantas Airways agora planeja um voo do Aeroporto de Heathrow, em Londres, até Sydney já no mês que vem. Ao todo, a viagem cobriria 17 mil km e demoraria mais de 19h para ser concluída, ultrapassando o recorde atual da companhia.

Como foi estar a bordo do voo mais longo do mundo: as primeiras horas

Ben sentado em seu lugar com uma almofada da Qantas sobre o colo arrow-options
Reprodução/Twitter/benmutzabaugh
Ben Mutzabaugh foi convidado, junto a outros jornalistas e clientes da Qantas, a viajar no voo mais longo do mundo

Com essa conquista da companhia aérea, muitos devem se perguntar: "como é fazer um voo tão longo?" Para responder a pergunta, o editor de aviação sênior do portal  The Point Guy , Ben Mutzabaugh, publicou no portal uma avaliação de sua experiência a bordo do Boeing 787-9 Dreamliner da Qantas Airways.

De acordo com seu relato, a preparação começou na tarde da sexta-feira no Aeroporto JFK de Nova York. Lá, os jornalistas convidados para a viagem fizeram o  check-in  em um balcão exclusivo para o voo mais longo do mundo e logo se juntaram aos executivos da companhia aérea e profissionais de saúde que os acompanhariam na jornada.

Quando finalmente estavam todos a bordo do avião, Ben relatou que havia um ar de ânimo e expectativa na cabine. "Mas também havia a ansiedade de alguns que se perguntavam se 20 horas em um tubo seria tão ruim quanto parecia.", relatou.

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Ao longo das primeiras horas, contudo, a animação venceria a ansiedade, e a maioria das pessoas circulava pelo avião conversando sobre como eles tinham ido parar lá e sobre suas expectativas.

Alguns passageiros e comissários de bordo, segundo Ben, haviam sido escolhidos pela Qantas para testar os efeitos do voo mais longo do mundo sobre o corpo. As avaliações haviam começado na semana anterior à viagem e iriam até as duas semanas seguintes ao voo.

Dentre os vários exercícios feitos no experimento, um deles valia para todos: os passageiros deveriam ficar acordados durante as seis primeiras horas da viagem. A ideia, segundo o editor do  Point Guy , era combater o  jet-lag  ajustando os relógios da cabine para o fuso horário de Sydney desde a decolagem.

Para ajudar a alcançar este objetivo, a companhia aérea deixou todas as luzes ligadas e serviu pratos que deveriam ajudar a "reiniciar" o relógio biológico, incluindo ingredientes picantes e estimulantes para despertar os passageiros.

À 1h40 da madrugada, no horário de N.Y., eles dançaram a "Macarena" para fazer o sangue circular e se manterem acordados durante o período exigido pela Qantas Airways. Outro destaque do voo mais longo do mundo, para ele, foi a possibilidade de conhecer partes das aeronaves que costumam ficar restritas aos passageiros. 

Como foi estar a bordo do voo mais longo do mundo: o meio da viagem

Camas na cabine de descanso dos pilotos do Boeing 787-9 Dreamliner arrow-options
Reprodução/Instagram/benmutzabaugh
Durante o voo mais longo do mundo, os passageiros conheceram áreas restritas, como a cabine de descanso dos pilotos

No trecho intermediário da viagem, que ocorreu nas últimas horas da madrugada de Nova York (ou nas últimas horas da tarde de Sydney), os passageiros receberam travesseiros para dormir, mas antes tiveram um "jantar" pesado e rico em nutrientes como os carboidratos.

Segundo o relato de Ben, a intenção da companhia aérea com essa dieta especial era preparar os organismos dos passageiros para o café da manhã que receberiam ao chegar na metrópole australiana. No momento em que os pratos foram servidos, já se passaram 7 horas do voo.

E, uma hora após a refeição, a cabine é preparada para o descanso dos passageiros. Ben escreveu que dormiu bem durante as três primeiras horas de sono, mas que ficaria acordando e pegando de volta no sono nas quatro horas seguintes.

Como foi estar a bordo do voo mais longo do mundo: o final

Finalmente, às 12h23 (horário de Nova York, ou 3h23, horário de Sydney), Ben acordou. Com a cabine ainda escura, ele relatou que assistiu o filme "Rocketman", sobre a vida do cantor e compositor Elton John, para passar o tempo.

Segundo o editor do  Point Guy , dormir ajudou a aguentar a viagem da Qantas Airways, embora não tenha feito com que ele se sinta totalmente descansado. "Eu me senti acordado. Não me senti terrível, mas também não me senti 'renovado'", escreveu.

Quando o capitão da aeronave anunciou que eles estavam prestes a começar a última etapa do pouso, todos os passageiros que estavam com Ben na classe executiva foram para os assentos vazios da classe econômicam cada um sentando em uma janela para tirar fotos da vista durante o pouso. Em seu Twitter, ele compartilhou um vídeo do avião se preparando para aterrissar:

Finalmente, após 19h16 min de voo, os passageiros se encontram em terra firme. Durante o dia, Ben relatou que lutou para se manter acordado, adotando tanto técnicas indicadas pelos especialistas que o acompanharam no voo como algumas estratégias próprias.

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Após concluir o voo mais longo do mundo , ele admitiu que as técnicas adotadas pela Qantas funcionaram para combater o  jet-lag , mesmo que apenas no dia do pouso. No fim das contas, parece que as esperanças de Alan Joyce podem se concretizar no futuro.