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Truque aplicado por viajantes é condenado pelas companhias áreas e pode trazer prejuízos ao consumidor; entenda como funciona e saiba os riscos

Na hora de comprar passagens aéreas, o viajante sempre procura formas de economizar e desembolsar o menor valor possível. Além de algumas dicas que podem ajudar a gastar menos , existe um truque popular ao redor do mundo, mas que é condenado pelas companhias aéreas. O nome? Skiplagging

mulher no aeroporto
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Método, conhecido como Skiplagging., é comum ao redor do mundo, mas traz prejuízo às companhias; afinal, vale a pena?

Eduardo Fleury, Líder de Operações do KAYAK no Brasil, explica como o skiplagging funciona. “Ele consiste em trocar um voo direto para um destino por um voo mais barato que tenha escala neste mesmo local. Com isso, o viajante abre mão do trecho final do voo com escala e paga menos”, diz.

Para exemplificar, vamos supor que o passageiro queira sair de São Paulo e viajar para a cidade do México e descobre, durante a pesquisa, que um voo que vai para Dallas, nos Estados Unidos, e tem conexão no México sai mais barato que a viagem direta. Dessa forma, ele compra a passagem mais em conta e “sai de fininho” ao trocar de aeronave.

comparação de preços
Arte iG
comparação de preços

O iG Turismo fez uma pesquisa em um site que compara preços. O voo direto de São Paulo para o México sai por mais de R$ 2,6 mil. Já uma rota que vai para o Dallas e tem conexão no México custa menos de R$ 1,6 mil. No final, o consumidor consegue economizar mais de mil reais na passagem aérea , mas precisa lidar com algumas consequências.

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O método é ilegal?

Apesar de não ser ilegal, a prática não é recomendável, já que envolve uma série de riscos. “São vários, como a perda da escala em si. Pode acontecer, por questões climáticas ou operacionais, da empresa alterar o voo para outro sem conexão ou com conexão em outro aeroporto, o que frustraria os planos do skiplagger ”, alerta Eduardo Martins, diretor nacional do Viajala.

Além disso, embora não haja uma legislação a respeito e a questão não seja regulamentada, as companhias aéreas são livres para aplicar sanções aos viajantes que praticam o skiplagging , como cancelamento de voos ou conexões, multas e até mesmo processo.

“Uma passagem comprada é um contrato. O viajante concorda com os termos da empresa ao efetuar a compra, ou seja, ela pode punir esse tipo de prática cancelando outros trechos do viajante, cobrando taxas extras, desde que esteja acordado nas regras antes da compra”, salienta Martins.

A alemã Lufthansa, por exemplo, decidiu processar um passageiro, no início deste ano, que perdeu propositalmente uma conexão. A empresa, que exige US$ 2,4 mil em indenização, alega que o homem violou termos e condições ao perder a segunda parte da viagem.

Ele comprou uma passagem de Seattle, nos Estados Unidos, para Oslo, na Noruega, com uma parada em Frankfurt, na Alemanha. Ao invés de seguir a viagem, ele desceu em Frankfurt e pegou outro voo para Berlim, local que era seu destino final no país.

Em 2014, a United  Airlines e a Orbitz processaram um site chamado Skiplagged , que ajuda o viajante a encontrar passagens baratas por meio de uma estratégia chamada de “cidade oculta”. As empresas alegaram que isso era “concorrência desleal” e promovia viagens “estritamente proibidas”. Ainda pediram US$ 75 mil de indenização.

Já em fevereiro de 2015, a Orbitz desistiu do processo, mas United continuou. Em maio, um juiz em Chicago alegou que o caso não estava em sua jurisdição e o rejeitou. A companhia aérea não recorreu mais. No site em questão, o autor, Aktarer Zaman, traz na home: “Nossos voos são tão baratos, que a United nos processou… mas vencemos.”

Quais os outros riscos do  skiplagging ?

homem no aeroporto
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Quem pratica o skiplagging corre diversos riscos; uma empresa já até chegou a processar um viajante que aderiu ao método

Em todos os casos, pode acontecer da empresa cobrar a taxa de no-show do viajante que não utiliza o último trecho, que pode estar prevista nas regras de compra da passagem. “Também é importante lembrar que esse truque não serviria para passagens de ida e volta, já que as empresas costumam cancelar a volta de quem não embarcou na ida”, acrescenta Martins.

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Quem pratica essa técnica também não pode despachar bagagem, uma vez que ela vai direto para o destino final e não há como pegá-la durante a conexão. Outro ponto importante é que, se a intenção é ir para um lugar mais excêntrico, é necessário ter cuidado.

“Isso pode fazer com que o viajante seja monitorado pela companhia, que pode notificá-lo de alguma forma ou até mesmo enviar um funcionário para acompanhá-lo no processo de embarque”, diz Fleury.

Para a companhia aérea, a prática representa um prejuízo financeiro, já que o viajante paga mais barato para chegar a um destino do que aquele voo supostamente custaria. “O preço dos voos é determinado por uma série de fatores e é pensado para que a operação da companhia seja sustentável”, alerta o especialista do KAYAK.

Quem pratica?

Essa é uma prática mais comum entre viajantes experientes, que já conhecem as rotas das companhias e têm maior prática em comparar preços. É preciso paciência até achar a oportunidade ideal de  skiplagging , e ainda pensar em uma viagem sem malas despachadas ou passagem de volta inclusa no pacote.