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Cartão de crédito, moeda em espécie ou cartão pré-pago internacional? Especialista explica quais as vantagens e as desvantagens de cada opção

Fazer uma viagem internacional requer planejamento e organização por parte do viajante. Além de ter atenção a alguns itens essenciais - como  passagens áreas e toda a documentação restante - saber qual a melhor forma de levar dinheiro para o exterior também é fundamental para evitar imprevistos e ter tranquilidade durante os trajetos.

levar dinheiro para o exterior
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Especialista explica quais são as vantagens e desvantagens de cada opção disponível para levar dinheiro para o exterior

De acordo com Rogério Rocha, diretor de Produtos e Marketing do Grupo Travelex Confidence, ao levar dinheiro para o exterior  é sempre importante ter mais de um meio de pagamento em mãos. As três opções disponíveis atualmente no mercado são: cartão de crédito, cartão pré-pago internacional e moeda em espécie.

Quais as vantagens e as desvantagens de cada uma?

1. Cartão de crédito

Rocha aponta que o ideal é não ficar dependendo do cartão de crédito – e lista três motivos.  “O primeiro é que o cartão fecha a cotação do câmbio no dia da compra. O viajante estará fazendo outras coisas mais interessantes do que acompanhar em detalhes a alta ou queda do dólar e pode cair na armadilha de usá-lo bem no dia em que a cotação não está favorável”, explica.

O segundo motivo, de acordo com o especialista, é o IOF de 6,38%, que é mais alto que o  da moeda em espécie .

Por último, ele pode fazer com o cliente fique endividado. “O cartão de crédito dá uma sensação de ‘depois eu resolvo como pagar’ e as pessoas acabam perdendo o controle de quanto estão gastando”, ressalta.

Apesar disso, pode ser interessante levar o cartão na viagem porque ele pode ser útil para emergências.

2. Moeda em espécie

guardar dinheiro em viagem
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Guardar o dinheiro em uma doleira de cintura é muito útil para manter a quantia protegida e sempre por perto do viajante

Essa é a opção mais popular entre os turistas, devido ao IOF mais barato, que é de 1,1%. No entanto, ela pode ser um desafio na hora de fazer o planejamento. Isso porque, geralmente, é necessário ter o dinheiro guardado, em reais, para comprá-la. Por outro lado, é útil para ser usado em locais que não aceitam outra forma de pagamento.

“O ideal é não carregar toda a quantia no mesmo lugar (dividir entre carteira, mala, mochila) e nem sair do hotel ou da hospedagem em que estiver carregando todo o dinheiro da viagem. Leve apenas o necessário para gastar naquele dia ou naquele período em que estará fora e cuidado com bolsas e mochilas ao guardar em armários ou ao experimentar roupas”, aconselha Rocha. 

Para isso, uma das sugestões para aumentar a segurança é usar uma doleira de cintura. "Uso para carregar não só a moeda em espécie, mas também o passaporte. É discreta, fica por baixo da roupa, é de fácil acesso e dá mais segurança. É prática e barata", diz o especialista.

"Outra dica é manter parte do dinheiro e passaporte guardados no cofre do hotel e sair com a cópia”, completa.

3. Cartão pré-pago

O cartão pré-pago internacional tem benefícios que acabam compensando a taxa mais alta de IOF, que é de 6,38%, assim como o imposto do cartão de crédito. A primeira grande vantagem é a segurança, já que o cartão pré-pago internacional dispensa o volume físico da moeda em espécie, é muito mais discreto e evita alguns transtornos.

Segundo Rocha, o turista pode carregar com US$ 50,00 ou US$ 5.000, por exemplo, e o valor estará seguro e protegido. “Outros benefícios são a facilidade e flexibilidade de consultar o saldo e recarregar o cartão via aplicativo ou site”, destaca. Além disso, você não precisa ter uma conta bancária para utilizá-lo e pode fazer saques em caixas eletrônicos.

Geralmente, os cartões comportam mais de uma moeda ao mesmo tempo, sendo possível acompanhar os saldos separadamente. “Para quem tem filhos ou parentes fazendo intercâmbio, por exemplo, é possível recarregar o valor desejado aqui no Brasil. Assim, os pais acabam tendo maior controle sobre os gastos do intercambista”, alerta Rocha.

Afinal, qual a melhor opção de levar dinheiro para o exterior?

Com as três opções, o ideal é mesclar, estar prevenido para as mais diversas situações e não depender de apenas um meio de pagamento. “Uma viagem internacional é a realização de um sonho. Não tem o porquê arriscar a experiência por causa de imprevistos. A sugestão básica é levar moeda em espécie e cartão pré-pago internacional carregado”, sugere o diretor.

Ao pensar em segurança, a melhor opção é o cartão pré-pago. “O turista pode carregá-lo com o valor que quiser e, em caso de perda ou roubo, pode ser substituído sem que seu saldo seja perdido. No final das contas, o IOF mais alto acaba compensando. Não existe preço para a nossa tranquilidade, principalmente quando estamos em um outro país”, expõe Rocha.

Qual a quantidade ideal para ser levada?

mulher segurando uma carteira com dinheiro
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Fazer um planejamento financeiro é ideal para saber quanto será preciso levar e evitar gastos que não estavam previstos

Fazer o cálculo de quanto será necessário levar vai depender de diversos fatores: o tipo de viagem que o turista quer fazer, o objetivo central, o tempo que ele planeja ficar, o destino escolhido e o quanto se pretende gastar. O planejamento financeiro deve começar com essas questões, sendo que as respostas devem ser sinceras e precisas.

“Vale pesquisar tanto em sites ou blogs como com quem já fez uma viagem semelhante o custo de vida de cada país para prever gastos como transporte e alimentação. Essas duas coisas são básicas em qualquer viagem e são dois itens dos quais ninguém pode abrir mão”, aconselha o profissional.

Após considerar essas despesas básicas, o viajante deve pensar nos passeios que pretende fazer. Aqui, é importante analisar se o objetivo é ter uma experiência mais econômica ou se poderá ter alguns luxos. “Importante multiplicar esse valor pela quantidade de pessoas, se você for viajar em família, por exemplo”, avisa Rocha.

“O grupo vai levar seu próprio dinheiro ou você está custeando a viagem de alguém? Outro ponto: você pretende fazer compras? Vai trazer presentes para os amigos ou para os parentes? Tem algum item específico e de maior valor, como smartphone, notebook ou bolsa de grife, que você pretende adquirir? Tudo isso precisa ser pensado”, ressalta o diretor.

Quem se empolga e acaba se perdendo nos gastos, a dica é separar o dinheiro que será usado nos gastos essenciais, a quantia que será utilizada nos presentes, o valor para aproveitar as atrações turísticas e uma reserva, caso seja necessário arcar com algum imprevisto. Em seguida, multiplique pelos dias da viagem e terá uma estimativa de quanto vai precisar.

Caso o resultado fique muito acima do previsto, a recomendação é  rever o planejamento e fazer cortes nos itens que não vão prejudicar a experiência. “Se você está viajando para Orlando, não vale cortar do orçamento o valor dos parques, por exemplo. Mas você pode reduzir o valor das compras em outlets”, exemplifica Rocha.

O mais importante é, além de saber as diferentes formas de levar dinheiro para o exterior , viajar com a certeza de que o  planejamento financeiro contemplou tudo o que se desejava para tornar aquele momento único e especial. “Viajar com tranquilidade e viver momentos inesquecíveis são experiências que dinheiro nenhum paga”, finaliza.