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Estrategista financeiro fala tudo o que você precisa saber antes das compras; entenda sobre cotações, impostos, formas de pagamento e muito mais

Boa parte dos turistas tiram férias para relaxar e conhecer novos lugares, mas muitos viajantes querem aproveitar o passeio para fazer compras no exterior. O problema é que isso nem sempre é tão vantajoso quanto parece e, antes de comprar, é preciso analisar o valor, a cotação da moeda, o preço no Brasil, os impostos cobrados e a forma de pagamento. Por isso, antes de sair comprando pelo mundo é preciso entender como gastar em uma viagem.

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Fazer compras no exterior é o desejo de muitos turistas, principalmente os brasileiros, isso é o que indica pesquisa
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Fazer compras no exterior é o desejo de muitos turistas, principalmente os brasileiros, isso é o que indica pesquisa


Para Victor Savioli, estrategista financeiro da Oxygen Training & Consulting, fazer compras no exterior é vantajoso na maioria dos casos, entretanto isso está cada vez mais complicado devido às constantes movimentações da cotação do dólar . “Tem dia que o dólar de turismo está cotado em aproximadamente em R$ 3,90, mas em outros chega a R$ 4,30.”

Também é preciso ter claro, ao fazer compras no exterior, que alguns produtos são mais vantajosos que outros. “Sempre vale pesquisar antes de qualquer coisa. Em geral, vitaminas/suplementos, eletrônicos, enxovais e roupas ainda valem a pena ser comprados no exterior. O que motiva isso são os altos impostos cobrados no Brasil”, afirma Victor.

Mas calma, o estrategista alerta que isso não quer dizer que você pode sair comprando tudo o que encontrar pela frente, pois nem sempre fará um bom negócio. “É preciso pesquisar. Perfumaria e cosméticos em geral ainda valem a pena, mas determinados perfumes ou já estão mais baratos no Brasil ou empatam com o preço dos Estados Unidos, por exemplo.”

Fora isso, Victor diz que é preciso considerar os potenciais impostos que deverão ser pagos no Brasil por essas compras. Os principais impostos são IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e Imposto de Importação.

Taxas e impostos podem deixar as compras no exterior caras e, assim, fazer com que elas deixem de ser vantajosas
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Taxas e impostos podem deixar as compras no exterior caras e, assim, fazer com que elas deixem de ser vantajosas


“O Imposto de Importação é de 50% e incide sobre o que a Receita Federal Brasileira não considerar como ‘bagagem’ que são basicamente: livros, roupas e artigos de vestuário, calçados e instrumentos para sua profissão. Mas atenção, é preciso respeitar o que a Receita considera como limites de isenção e limites de quantidade”, fala o especialista, que explica o que são esses limites:

  • Limites de isenção: é de US$ 500,00 (não considera a outra cota de US$ 500,00 para o Free Shop de DESEMBARQUE no Brasil);
  • Limites de quantidade: é subjetivo, mas precisa ter bom senso. Não vá trazer 10 blusas de frio se você foi viajar três dias para o Caribe para pegar sol.

O IOF vai depender da forma como você irá pagar suas compras no exterior. “Se for com papel ou moeda, a alíquota incidente é de 1,1% sobre a quantidade trocada considerando o dólar turismo. Nas demais opções, você irá pagar um IOF de 6,38%. Exemplo: se você trocar US$ 1.000,00 pela cotação de R$ 4,00, você é irá pagar de IOF R$ 4.000,00 x 1,1% = R$ 44,00”, exemplifica o especialista.  

Também é importante ter claro que nem todo destino conta com boas condições para compras. Segundo Victor, o melhor destino para fazer compras no exterior ainda é os Estados Unidos. Miami, Orlando e Nova York são as cidades mais visitadas, mas outras regiões, como Boston e Las Vegas, também são boas pedidas para quem quer gastar.

“Se o motivo da viagem for realmente fazer compras no exterior, vale a pena pesquisar lugares ‘off the beaten track’, que são espaços que os turistas geralmente não frequentam como shoppings mais afastados e lojas de departamento”, indica o estrategista financeiro.

Cuidados para não cair em ciladas

É preciso tomar cuidado para não cair em ciladas ao fazer compras no exterior e ficar com dívidas depois da viagem
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É preciso tomar cuidado para não cair em ciladas ao fazer compras no exterior e ficar com dívidas depois da viagem


Os produtos no exterior podem parecer mais atrativos, por isso, é preciso cuidado para não perder o controle ou se iludir com os preços durante a viagem. Para isso, a dica do profissional é fazer uma tabela com quatro colunas:

  • a primeira com o item que quer comprar,
  • a segunda com o motivo pelo qual quer comprar o item,
  • a terceira com a forma como pretende usar aquilo e
  • a quarta respondendo se não possui algo parecido ou igual em bom estado.

Depois de pronta, organize essa tabela por ordem de prioridade de itens de compra e faça mais questionamentos, por exemplo, se vir um celular que chame sua atenção pense se realmente precisa comprá-lo ou se pode usar esse valor para comprar cinco camisetas e três tênis que esteja necessitando mais.

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“Essa tabela deve ser levada para a viagem e estar com o viajante em todo momento que ele for às compra. É comum as pessoas serem levadas pelo calor do momento e acabarem comprando coisas inúteis ou que não precisam ‘só porque estavam baratas’ e, com isso, estouram o orçamento da viagem.”

Outra dica é ter calma e não gastar tudo no primeiro ou segundo dia de viagem, pois Victor lembra que nunca se sabe o tamanho do desconto que irá encontrar. Ter cautela e manter sempre uma quantia extra é importante para não perder oportunidades. “Vale a pena também pesquisar bem as promoções lá fora e verificar se não vale a pena comprar produtos de segunda mão em bom estado, que são muito mais baratos, em sites como Amazon, Ebay e Craigslist.”

Antes de comprar, seja algo novo ou de segunda mão, é indicado comprar com o preço que o item vale no Brasil e, se a diferença for pouca (até 10% ou 15% mais caro aqui), o estrategista financeiro diz que pode ser que seja mais vantajoso comprar no Brasil mesmo pelos seguintes fatores: entrega mais rápida, garantia do produto, opções de parcelamento e possibilidade de troca.

Quem converte não se diverte?

Pode ser chatinho ficar convertendo a moeda quando vai fazer compras no exterior, mas isso é extremamente necessário
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Pode ser chatinho ficar convertendo a moeda quando vai fazer compras no exterior, mas isso é extremamente necessário


A conversão é necessária em uma viagem para o exterior e não dá para ignorar isso. “A frase ‘quem converte não se diverte’ é engraçada, mas se você não se planejar, seu sonho de viagem pode se tornar um verdadeiro pesadelo na hora que a conta do cartão chegar. Portanto é importante não só fazer a conversão como também fazer uma conversão conservadora, ou seja, com uma ‘gordurinha’ a mais para incorporar imprevistos durante a viagem”, alerta o especialista.

Como exemplo, Victor cita que se você está considerando que seus gastos de viagem sairão a um dólar de R$ 4,20, considere fazer as contas desses gastos a um dólar de R$ 4,25. “Se o número te assustar, você já terá uma prévia de como se sentirá se você estourar seus gastos durante a viagem e também você vai se preparar para eventualmente gastar um pouco mais.”

As compras no exterior feitas no cartão de crédito podem ser traiçoeiras porque o dólar é determinado no dia em que fecha a fatura do cartão e não no dia da compra, mas o que poucos sabem é que isso pode ser alterado, sendo essa uma das exigências do Banco Central do Brasil.

“O consumidor tem direito de escolher a data de câmbio da compra ou a data de fechamento do cartão de crédito. Converse com seu banco. Caso digam que isso não é possível, responda que você abrirá uma reclamação no Banco Central – isso deve te ajudar na negociação”, aconselha Victor.

Qual a melhor forma de pagamento para compras no exterior?

Existem diversas formas de fazer o pagamento das compras no exterior e é preciso analisá-las para escolher bem
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Existem diversas formas de fazer o pagamento das compras no exterior e é preciso analisá-las para escolher bem


O profissional diz que existem várias opções para fazer os pagamentos, mas antes de tudo é preciso analisar os riscos e dividir onde guarda o dinheiro durante a viagem. “Nunca ande com todo seu dinheiro, todos os cartões ou com tudo isso na mesma carteira que leva para todos os lugares. Diversifique! Deixe dinheiro no cofre, escondido na sua mala trancada e assim por diante. A mesma coisa com seus cartões de débito, crédito ou cartões pré-pagos de viagem.”

Por mais seguro que o destino seja, você pode ser roubado em qualquer lugar do mundo ou pode simplesmente perder todo seu dinheiro e transformar a viagem em uma catástrofe.

Depois de prezar pela segurança é hora de analisar as formas de pagamento disponíveis e analisar que é a melhor para você. Victor dá as opções:

» Opção 1:
Transferwise – Trata-se de uma empresa fundada em 2011 em Londres. A organização nasceu como uma instituição para pagamentos internacionais que não utilizam bancos. Basicamente, quando você precisa transferir dinheiro para o exterior, seja para você mesmo, seja para outra pessoa/empresa, você transfere seu dinheiro para Transferwise no Brasil e a Transferwise do país de destino transfere para o seu destinatário.

Recentemente eles passaram a contar com o cartão de débito Transferwise da bandeira Mastercard, o que facilita suas compras no exterior.  

Principais vantagens: os custos com câmbio podem ficar até oito vezes mais baratos, pois a Transferwise utiliza a média de câmbio da cotação comercial das moedas, e não a cotação de turismo (que é geralmente mais cara). Além disso, o IOF cobrado para as pessoas enviarem dinheiro para elas mesmas é de 1,1%. Se você enviar para outra pessoa, o IOF é menor (0,38%).

Para as compras no exterior, você pode usar cartões ou dinheiro, mas é importante guardar em locais separados
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Para as compras no exterior, você pode usar cartões ou dinheiro, mas é importante guardar em locais separados


» Opção 2:
Dinheiro em espécie – Também é possível comprar dólares em papel ou moeda no banco ou em casas de câmbio.  A cotação do câmbio cobrada sempre é a de turismo, mais as potenciais taxas a serem cobradas pelas instituições. Além disso, o IOF cobrado nesse caso é de 1,1%. O ponto negativo é você precisa andar com muito dinheiro, embora seja sempre indicado andar com um pouco de dinheiro em espécie.

Atenção: os países de destino impõem limites para entrada com dinheiro em espécie. Verifique isso antes de viajar. Lembre-se também que, se você entrar ou sair do Brasil com uma quantia em espécie equivalente a R$ 10.000,00 (em qualquer moeda), é necessário fazer registro de “Entrada” ou “Saída de Valores” junto à Receita Federal.

» Opção 3:
Cartões de crédito, débito ou pré-pagos – Essas opções são importantes para situações de emergência durante sua viagem, principalmente os cartões de crédito e débito. Não se esqueça de habilitar sua utilização no exterior junto ao seu banco. O custo de IOF por cada transação ou saque de dinheiro é de 6,38%.

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Também é importante ressaltar que os bancos cobram por saques de dinheiro em espécie no exterior – verifique o valor da taxa antes de viajar. Já o cartão pré-pago acabou perdendo sua atratividade para as compras no exterior considerando o cartão de débito Transferwise e também o IOF que foi elevado para 6,38%.