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Colunista de Turismo, Igor Galli conta os perigos que encarou durante visita a este ponto turístico na Nicarágua. Veja os detalhes desta vigem

Em 2013, após ir ao Panamá e à Costa Rica, cheguei ao meu terceiro país da América Central, a Nicarágua e, lá, visitei um de seus principais pontos turísticos: A Ilha de Ometepe. Eu e o grupo em que estava resolvemos nos aventurar na ilha e escalamos o Vulcão Maderas, de 1.395 metros de altitude. A trilha é de seis horas e requer um nível de preparo físico intermediário. Grande parte da caminhada é realizada em mata fechada, e a subida é muito íngreme.

Vista do Vulcão Concepción, na Ilha de Ometepe
Igor Galli
Vista do Vulcão Concepción, na Ilha de Ometepe

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A escalada não foi fácil e, quando voltamos ao hostel, estávamos bem cansados. Por outro lado, queríamos muito comemorar a aventura. Não sabíamos, porém, que a escalada não seria o pico de adrenalina do dia. Eu e as cinco garotas (duas holandesas, duas suecas e uma dinamarquesa) que estavam viajando comigo fomos jantar em um ótimo restaurante da ilha , a 1 km de distância do hostel, e, na volta, fomos surpreendidos – mas não de forma positiva.

A aventura não acabou na trilha

Sabíamos que a experiência era arriscada; estávamos em um lugar bem isolado da ilha, onde as ruas eram de terra e muito mal iluminadas. Sabíamos também sobre o alto índice de roubo a turistas, mas, mesmo assim, insistimos em ir. Às 21h, após jantarmos, estávamos caminhando de volta para o hostel e percebemos que tínhamos companhia: um grupo de quatro rapazes nos seguia.

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Nesse momento, as garotas começaram a ficar apreensivas, me perguntando: “Igor, o que fazemos?”. Pedi que elas relaxassem e não demonstrassem medo . Enquanto passávamos por um lugar mais escuro, porém, eles nos abordaram. “O que vocês têm para a gente?”, perguntaram. Apesar de não ter certeza se estavam armados, olhei bem nos olhos deles, analisei a situação e percebi que eram apenas adolescentes franzinos e acostumados a amedrontar por isso. Disse então que não tínhamos nada, e pedi que parassem de nos seguir.

O grupo pareceu surpreso com minha resposta e percebi que não era a reação que estavam esperando. Após trocarem olhares, ameaçaram nos cercar, e foi então que notei o desespero das minhas companheiras; as meninas estavam grudadas umas às outras, com cara de choro. Apesar de ter pedido que relaxassem, percebi que era uma situação inédita para elas.

Foi então que decidi ser mais ousados: quando o grupo começou a se aproximar, fui na direção deles em posição de luta. Como eles pareciam ter qualquer tipo de arma, estava confiante nas minhas habilidades. Percebendo que eu estava disposto a encará-los, deram meia volta enquanto me xingavam em espanhol.

Este é o grupo que viajou comigo pela Nicarágua
Igor Galli
Este é o grupo que viajou comigo pela Nicarágua

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Apesar de desagradável, ter encarado os garotos daquela forma foi, de certa forma, gratificante. Após o ocorrido na ilha, minhas companheiras de viagem passaram o restante da noite e os próximos dias me agradecendo e me considerando um herói. Só percebi mesmo quanto medo elas estavam sentindo quando a mãe de uma delas me enviou uma mensagem agradecendo por tê-la salvo.