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Todos querem voar

Mais de 1,5 milhão de brasileiros irão viajar de avião pela primeira vez em janeiro e fevereiro, sendo a maior parte dos novos viajantes das classes emergentes

Camila Sayuri, especial para o iG

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Apesar de animada, a empregada doméstica Corália Marques da Silva não esconde o nervosismo. “Eu tenho muito medo de viajar de avião. A gente vê tanta coisa ruim acontecer pela tevê, né?”, diz a alagoana de 48 anos. A viagem, marcada para o próximo dia 5 de janeiro, tem como destino sua cidade natal, União dos Palmares, localizada a 73 quilômetros de Maceió.

Serão menos de quatro horas de voo de São Paulo à capital do Alagoas, mais duas horas de condução até o município que já abrigou o Quilombo dos Palmares. Um tempo curtíssimo se comparado aos três dias de viagem que levou fazendo o mesmo trajeto de ônibus, dez anos atrás.

“É muito cansativo viajar de ônibus, além de ser mais caro. Aproveitei que a passagem aérea estava na promoção e resolvi ir”, explica Corália. A alagoana economizou parte do seu salário mensal ao longo dos meses e comprou à vista o bilhete da TAM. “Paguei R$ 600 ida e volta. Se fosse pela rodoviária, era R$ 400 só para ir. Fora o que a gente gasta no caminho”, conta.

 

Novos viajantes

Assim como Corália, nestas férias de verão muitos brasileiros irão deixar as estradas e estrear nos ares. “Estimamos que 1,5 a 2 milhões de pessoas farão sua primeira viagem aérea em janeiro e fevereiro”, diz o consultor Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Data Popular, centro de pesquisa especializado no consumo das classes C, D e E.

De acordo com a projeção realizada pelo instituto, de julho deste ano a julho de 2011, 10,7 milhões de brasileiros viajarão de avião pela primeira vez. Deste total, 82% são de brasileiros das classes C e D (pessoas com renda entre R$ 770 e R$ 4.800). Estes emergentes representam, segundo a pesquisa, 67% dos 26,4 milhões de pessoas que pretendem realizar, pelo menos, uma viagem de avião até 2011.

Segundo Meirelles, para atender esta demanda crescente de novos viajantes, o setor turístico terá que se adaptar e criar uma infraestrutura para este novo consumidor. “Como é a primeira vez que eles viajam, demoram mais tempo para fazer o check-in, para pegar a bagagem. É preciso ter uma comunicação mais didática voltada para este público, já que há muitos termos estrangeiros, como check-in. É preciso explicar, por exemplo, a diferença entre escala e conexão”, diz o consultor.

 

Esse tal de check-in

Comissária de bordo há 20 anos, Célia Ribeiro sabe que é preciso mudar seu vocabulário para dar explicações aos novos viajantes. “As pessoas que trabalham com aviação vivem num mundo à parte, pois conhecem tudo dos aeroportos. Às vezes, você fala que é preciso ir ao portão de embarque ou fazer o check-in. Mas o que é check-in? O que é portão de embarque? É preciso traduzir este vocabulário aeroportuário”, explica.

No avião, surge o mesmo problema. "Às vezes, o piloto fala que terá de voar em órbita enquanto aguarda para pouso ou que está esperando o sequenciamento de decolagem. Os passageiros ficam sem entender o porquê da demora", diz Célia. 

Para os novos viajantes, a aeromoça dá uma dica. "Leia todas as placas do aeroporto e o seu cartão de embarque com atenção. Está tudo escrito ali. Fique também atento ao avisos que estão sendo anunciados nos autofalantes", diz.    

Até o dia da sua viagem, Corália pretende tirar todas as suas dúvidas de viagem com a irmã, que irá acompanhá-la na viagem. “Ela já viajou de avião. Disse que não dá medo, que foi ótimo. Eu só vou porque ela vai comigo”, diz.

Se você viajará de avião pela primeira vez, sem a companhia de alguém mais experiente, tire suas dúvidas em nosso guia e boa viagem.

 

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