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Vencedores de um concurso de Dia das Bruxas serão as primeiras pessoas a acordar "no maior túmulo do mundo"

Rede de túneis abriga restos mortais de 6 milhões de pessoas
BBC
Rede de túneis abriga restos mortais de 6 milhões de pessoas

Você se hospedaria no "maior túmulo do mundo"? E se ele ficasse no subsolo de Paris?

O site de hospedagem Airbnb  gerou controvérsia justamente ao oferecer esta possibilidade aos seus usuários.

Segundo a empresa, os vencedores de um concurso de Dia das Bruxas serão as primeiras pessoas a acordar nas catacumbas que ficam sob a capital da França, onde estão guardados os restos mortais de 6 milhões de pessoas.

Líderes da oposição do conselho da cidade recorreram à prefeita Anne Hidalgo pedindo que ela não esqueça de uma lei francesa que estabelece "devido respeito ao corpo humano mesmo após a morte".

'Retrato da morte'

Mas o que exatamente os hóspedes encontrarão nas catacumbas de Paris?

Bem, em primeiro lugar, milhões de ossos organizados como se fossem um "retrato da morte", segundo algumas descrições do local.

Apenas uma parte do labirinto de túneis é aberta ao público, e visitantes precisam descer 20m sob o solo para fazer um tour pela seção de 2km das catacumbas onde os ossos estão guardados.

Eles são recebidos no local pela frase: "Pare, este é o reino da morte". Esta é a primeira de uma série de mensagens gravadas nas paredes das catacumbas para fazer os visitantes "refletirem".

Airbnb teria pago 350 mil euros (R$1,68 milhão) para alugar o local
BBC
Airbnb teria pago 350 mil euros (R$1,68 milhão) para alugar o local

Saúde pública

Os restos mortais que se encontram depositados nas catacumbas foram sendo levados pouco a pouco para o subsolo entre o final do século 18 e meados do século 19, quando os cemitérios superlotados de Paris foram fechados por questões de saúde pública.

Na época, acreditava-se que o vinho e o leite estragavam rapidamente por conta da decomposição dos corpos na cidade. O primeiro a ser fechado foi o Cemitério dos Inocentes, em 1786.

As catacumbas são parte de uma enorme rede de túneis existente nas entranhas de Paris formada pela extração de calcário e gesso a partir da época romana para serem usados na construção da cidade.

Em 1774, o colapso de uma de suas câmaras fez com que o rei Luís 16 mandasse reforçar e mapear esta rede. A grande maioria dos túneis está fechada para visitação pública desde 1955.

Entradas ocultas

No entanto, os mais de 250km de passagens subterrâneas podem ser acessados por meio de diversas entradas secretas espalhadas pela cidade, em seus esgotos, porões e túneis de metrô.

Elas abrigam uma série de segredos. Em 2004, a polícia encontrou um cinema completo, com telão, bar e assentos escavados na rocha. Também já foi palco de shows de arte clandestinos, performances teatrais e rituais e festas organizados por fãs das catacumbas, que são conhecidos por explorar os túneis por diversão.

Segundo a agência de notícias AFP, o Airbnb pagou até 350 mil euros (R$1,68 milhão) para alugar uma parte das catacumbas que pode ser visitada pelo público à noite.

A empresa diz que dois hóspedes ainda terão direito a um concerto subterrâneo e contação de histórias antes de dormir.

Segundo as regras da hospedagem, é "proibido perseguir fantasmas pelas galerias" das catacumbas.