Vitor Vianna

Tivoli, um dos parques de diversões mais antigos do mundo

Pouca gente no Brasil sabe, mas a Dinamarca guarda, desde 1843, o segundo parque mais antigo do mundo

Conheça o Tivoli, um dos parques de diversões mais antigos do mundo
Foto: Reprodução / IA
Conheça o Tivoli, um dos parques de diversões mais antigos do mundo


Quem desembarca na estação central de Copenhague e atravessa a rua dá de cara com um portão iluminado que parece saído de um conto de fadas. É o Tivoli, inaugurado em 1843 e considerado o segundo parque de diversões mais antigo do mundo ainda em funcionamento . Muita gente no Brasil nunca ouviu falar dele, mas para os dinamarqueses ele é quase um patrimônio afetivo, daqueles lugares que atravessam gerações de famílias. E não é exagero dizer que, sem o Tivoli, talvez a Disneylândia não existisse do jeito que conhecemos.

Uma história que começa com um rei e um sonhador
O Tivoli nasceu da cabeça de Georg Carstensen, um oficial do exército dinamarquês que tinha viajado o mundo e voltado encantado com os jardins de lazer de Paris e Londres. Ele convenceu o rei Christian VIII a ceder um terreno próximo às antigas muralhas da cidade com um argumento que ficou famoso: quando o povo se diverte, não pensa em política. Deu certo. Já no primeiro ano, o parque recebeu milhares de visitantes e virou o ponto de encontro de Copenhague.

Hans Christian Andersen, o autor de “A Pequena Sereia” e “O Patinho Feio”, frequentava os jardins e teria tirado dali inspiração para algumas de suas histórias. Mais de um século depois, nos anos 1950, foi a vez de Walt Disney passear por lá. Ele ficou impressionado com a limpeza, a atmosfera acolhedora e a mistura de jardins, música e brinquedos, e levou essas ideias para o projeto que viraria a Disneylândia, na Califórnia.

Como é o Tivoli hoje
O que mais surpreende quem visita é que o Tivoli não tem cara de parque temático gigante. Ele é compacto, cheio de jardins floridos, lagos, pavilhões com arquitetura de inspiração oriental e caminhos iluminados por milhares de lâmpadas. São cerca de 30 atrações, que vão do carrossel clássico até brinquedos de muita adrenalina, como o Star Flyer, a atração mais alta do parque, e o Dæmonen, a montanha-russa com loopings. Mas a estrela é a Rutschebanen, uma montanha-russa de madeira de 1914 que ainda funciona com um operador de freio viajando dentro do carrinho, algo raríssimo no mundo.

Além dos brinquedos, o Tivoli tem uma programação cultural intensa, com concertos na sala de concertos do parque, o tradicional Teatro de Pantomima ao ar livre e a Guarda Juvenil do Tivoli, uma banda formada por crianças que desfila pelos jardins desde o século 19. A gastronomia é outro ponto forte, com dezenas de restaurantes que vão de barraquinhas de cachorro-quente dinamarquês a endereços estrelados. Em 2026, o parque inaugurou o Hikari, a maior área temática da sua história, inspirada nas ruas coloridas do Japão, com comida de rua, arte e iluminação especial.

Halloween com 20 mil abóboras
Pouca gente sabe, mas o Tivoli não abre o ano inteiro. Ele funciona por temporadas, e cada uma transforma completamente a decoração. Neste momento, o parque vive o seu Halloween, que vai de 2 de outubro a 1º de novembro de 2026. São mais de 20 mil abóboras espalhadas pelos jardins, bruxas circulando entre os visitantes, oficinas para esculpir abóbora, duas casas mal-assombradas para quem gosta de susto de verdade e até um campeonato dinamarquês de abóboras gigantes, que depois viram monstros e esculturas enormes. À noite, o lago ganha um espetáculo de luzes temático.

O curioso é que o clima não é de terror pesado. Os dinamarqueses têm uma palavra para isso, hygge, que resume aquela sensação de aconchego, e o Halloween do Tivoli é exatamente assim: assustador na medida certa e perfeito para famílias. A primeira edição aconteceu em 2006, durou apenas dez dias, e hoje recebe cerca de meio milhão de visitantes por temporada.

Quando funciona e quanto custa
O calendário do Tivoli se divide em três grandes temporadas. A de verão vai de abril a setembro, a de Halloween ocupa outubro, e a de Natal, a mais famosa de todas, vai de 13 de novembro de 2026 a 3 de janeiro de 2027, com mercado natalino, pista de patinação e milhares de enfeites. Vale atenção: entre 2 e 12 de novembro o parque fica fechado para a troca de decoração, e ele também não abre na véspera nem no dia de Natal. Nas temporadas de outono e inverno, o horário costuma ser das 11h às 22h, estendendo até mais tarde nas sextas e sábados.

O ingresso de entrada custa a partir de cerca de 170 a 210 coroas dinamarquesas, algo entre R$ 145 e R$ 180, com preço variando conforme a data e sendo mais caro nos fins de semana. Crianças de 3 a 7 anos pagam meia, e menores de 3 anos entram de graça. Um detalhe importante: a entrada dá acesso aos jardins, mas não aos brinquedos. Para isso, é preciso comprar à parte o passe ilimitado, que fica em torno de 200 a 230 coroas, ou bilhetes avulsos por atração. Quem pretende visitar outros pontos da cidade pode considerar o Copenhagen Card, que inclui a entrada no parque.

Dica do Vitor
Se eu pudesse dar um único conselho, seria: aproveite o Tivoli no fim da tarde. Ver o parque ainda com luz natural e, aos poucos, acompanhar as lâmpadas se acendendo é uma das experiências mais bonitas que já vivi em parques pelo mundo. Compre o ingresso pela internet para fugir da fila, confira no site oficial o horário exato do dia da sua visita e, se não for fã de brinquedos radicais, nem precisa do passe ilimitado: só caminhar pelos jardins, jantar por lá e assistir a um espetáculo já vale a viagem. E se puder escolher, volte no Natal. Ele vira outro lugar.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG