Vitor Vianna

É proibido tirar foto com os cavalos da Guarda Real em Londres?

Vídeos de guardas dando broncas em turistas viralizam constantemente nas redes sociais

É proibido tirar foto com os cavalos da Guarda Real em Londres?
Foto: Reprodução / IA
É proibido tirar foto com os cavalos da Guarda Real em Londres?

Quem visita Londres provavelmente já viu a cena: um cavalo imponente, um militar da Guarda Real montado e dezenas de turistas se aproximando para conseguir a famosa fotografia. Nas redes sociais, porém, viralizam constantemente vídeos em que os guardas gritam, dão broncas e mandam visitantes se afastarem. Em algumas imagens, os próprios cavalos chegam a morder turistas que se aproximam demais. Diante dessas cenas, surge uma dúvida bastante comum: afinal, é proibido tirar foto ao lado dos cavalos e dos guardas reais?

A resposta é não. Não existe uma proibição geral que impeça o turista de fazer uma fotografia próximo aos cavalos da King’s Life Guard, em Horse Guards, na região de Whitehall. O que existe são regras de segurança e limites que precisam ser respeitados, e é justamente aí que muitos visitantes acabam se complicando.

Os militares que aparecem nessas imagens pertencem à Household Cavalry e não estão posicionados ali simplesmente como parte de uma atração criada para turistas. A King’s Life Guard é uma função militar real. Os cavaleiros da Household Cavalry fazem a guarda montada de Horse Guards, em Whitehall, uma das imagens mais tradicionais da capital britânica.

Existe até uma marcação no chão
Um detalhe que muitas pessoas não percebem nos vídeos é que existe uma marcação no próprio chão delimitando o espaço que precisa permanecer livre ao redor do cavalo e do sentinela. Se você observar com atenção algumas das imagens que circulam nas redes sociais, verá essa delimitação próxima ao local onde o cavalo fica posicionado. Ela não está ali por acaso. Serve justamente para organizar a aproximação do público e preservar uma área de segurança para o militar e para o animal.

Por isso, não basta pensar apenas: “eu não encostei no cavalo”. O turista também precisa prestar atenção a essa delimitação e evitar ultrapassar o espaço reservado. Em vários vídeos que viralizam, é possível perceber que a bronca acontece justamente quando alguém chega perto demais, entra na área do cavalo ou ignora os limites estabelecidos no local.

O cavalo não é parte de um cenário para fotos
Um dos erros mais comuns é tratar o cavalo como se ele estivesse ali especificamente para interagir com os visitantes. Apesar de serem animais altamente treinados e acostumados ao movimento intenso de Londres, continuam sendo cavalos de grande porte e podem reagir diante de determinados estímulos.

As próprias placas colocadas próximas aos postos de guarda deixam o alerta bastante claro: os cavalos podem morder ou dar coices e não devem ser tocados.

Esse é outro detalhe que chama atenção nos vídeos. Muitas vezes existe uma enorme placa de advertência praticamente ao lado do turista e, mesmo assim, algumas pessoas tentam passar a mão no cavalo, encostar nele ou chegar muito perto para conseguir uma fotografia melhor.

O Exército britânico já precisou se manifestar depois que imagens de confrontos entre guardas e visitantes ganharam repercussão. Horse Guards é uma área extremamente movimentada e, em determinadas situações, os soldados precisam elevar a voz para alertar pessoas que chegam perto demais dos cavalos.

Ou seja: aquele grito que, em um vídeo de poucos segundos, pode parecer uma reação exagerada do guarda tem uma razão prática. O militar está cumprindo seu serviço e, ao mesmo tempo, precisa controlar um animal de grande porte cercado diariamente por uma multidão de turistas.

E os cavalos realmente mordem
Os avisos não estão ali apenas por precaução. Existem diversos registros de visitantes sendo mordidos depois de se aproximarem demais. Um dos episódios que ganhou grande repercussão ocorreu em julho de 2024. Uma turista tentava posar para uma fotografia em Whitehall quando o cavalo virou a cabeça e mordeu seu braço. Depois do incidente, ela chegou a passar mal nas proximidades do Household Cavalry Museum.

O detalhe é que, nas próprias imagens do episódio, era possível ver próximo ao local a advertência informando que os cavalos poderiam morder ou dar coices.

Outros casos semelhantes continuaram aparecendo nas redes sociais, reforçando que não se trata apenas de uma ameaça teórica. Um cavalo pode reagir rapidamente quando se sente incomodado, ameaçado ou simplesmente quando uma pessoa invade demais seu espaço.

Então posso chegar perto para fazer minha foto?
Pode, desde que exista bom senso e respeito às regras. A fotografia em si não é o problema. O visitante precisa prestar atenção à marcação no chão, respeitar o espaço reservado ao cavalo e ao militar, não tocar no animal, não mexer ou segurar as rédeas e não interferir de nenhuma maneira no trabalho do sentinela.

E existe uma regra bastante simples: se o guarda mandar você se afastar, afaste-se. Não tente discutir, insistir na fotografia ou permanecer no mesmo lugar apenas porque outras pessoas conseguiram chegar mais perto antes. O comportamento do cavalo pode mudar de um momento para outro e é o militar que está controlando aquele animal.

Segurar ou tocar as rédeas é especialmente problemático porque elas fazem parte do controle que o cavaleiro exerce sobre o cavalo. Já houve episódios em que turistas foram repreendidos aos gritos justamente depois de tentarem mexer nelas durante uma fotografia.

Também é importante observar o comportamento do próprio animal. Movimentos bruscos da cabeça, orelhas para trás ou sinais claros de desconforto já são motivos suficientes para aumentar a distância. Nenhuma fotografia vale o risco de uma mordida ou de um coice.

Eles não são personagens de uma atração turística
Talvez esse seja o ponto mais importante para quem pretende conhecer Horse Guards . É perfeitamente compreensível que um visitante queira levar para casa uma fotografia de uma das imagens mais tradicionais de Londres. Os uniformes cerimoniais, os militares montados e os enormes cavalos fazem parte do imaginário turístico da cidade e atraem pessoas do mundo inteiro.

Mas existe uma diferença entre fotografar e transformar aquele militar e seu cavalo em acessórios para uma selfie. Os soldados estão em serviço. Os animais também estão em atividade e precisam de espaço para que o trabalho seja realizado com segurança. Por isso, quando você assistir a um daqueles vídeos que sempre viralizam mostrando um guarda gritando com um turista, vale observar a cena inteira antes de concluir que o militar simplesmente perdeu a paciência.

Não é proibido fazer a fotografia. O problema começa quando, em busca da foto perfeita, o visitante ultrapassa a marcação no chão, invade o espaço do cavalo, toca no animal, mexe nas rédeas ou ignora uma ordem do guarda.


* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG