Vitor Vianna

7 diferenças culturais na China que você percebe assim que chega

Tecnologia, hábitos e costumes mostram como o cotidiano chinês pode ser muito diferente do brasileiro

7 diferenças culturais entre Brasil e China que você percebe assim que chega
Foto: Reproducao / Vitor Vianna
7 diferenças culturais entre Brasil e China que você percebe assim que chega

Viajar para a China vai muito além de conhecer a Muralha, a Cidade Proibida ou os arranha-céus de Xangai. É também entrar em contato com hábitos, comportamentos e uma maneira de organizar a vida cotidiana bastante diferente daquela a que estamos acostumados no Brasil.

Estou neste momento na China pela segunda vez e, depois de circular por diferentes cidades e observar de perto o dia a dia dos chineses, algumas diferenças culturais ficam muito evidentes. Não se trata de dizer que uma forma é melhor ou pior que a outra. São simplesmente códigos sociais diferentes, e entendê-los ajuda muito quem pretende visitar o país.

1. O celular está no centro de praticamente tudo
Talvez essa seja a primeira grande diferença percebida por quem chega à China. O celular não serve apenas para comunicação ou redes sociais: ele funciona como carteira, cartão, aplicativo de transporte, cardápio, ingresso, ferramenta de tradução e até identificação em alguns serviços.

Alipay e WeChat fazem parte da rotina de milhões de chineses. É comum entrar em um restaurante, escanear um QR Code na mesa, escolher o que deseja, fazer o pedido e pagar sem sequer precisar chamar um atendente. O mesmo acontece para chamar um carro, comprar ingressos ou utilizar diferentes serviços.

Para o brasileiro, que já está bastante acostumado ao Pix e aos pagamentos digitais, a adaptação não é tão difícil. A diferença é perceber o quanto esse ecossistema está integrado ao cotidiano chinês.

2. A maneira de comer é diferente, inclusive no café da manhã
No Brasil, estamos acostumados a cada pessoa pedir seu próprio prato em muitos restaurantes. Na China, especialmente quando se está em grupo, é muito comum pedir vários pratos que ficam no centro da mesa para serem compartilhados. A própria mesa redonda com uma plataforma giratória, encontrada em muitos restaurantes, facilita justamente essa dinâmica.

O café da manhã também pode surpreender. Arroz, noodles, legumes, ovos, sopas, dumplings e baozi fazem parte de refeições matinais tradicionais. Para quem chega esperando encontrar apenas pão, queijo, frutas e café, os primeiros dias podem causar um certo estranhamento. É uma mudança simples, mas que revela muito sobre a relação do chinês com a comida.

3. Água quente ou morna é algo completamente normal
Outra cena curiosa para muitos brasileiros acontece nos restaurantes. Enquanto no Brasil normalmente esperamos receber água gelada, na China é muito comum encontrar água quente ou morna.

Em hotéis, estações e outros espaços também é frequente haver pontos para abastecer garrafas com água quente. Isso faz parte de hábitos bastante incorporados à cultura chinesa e à relação tradicional do país com alimentação e bem-estar. Para quem não está acostumado, certamente chama atenção nos primeiros dias.

4. O espaço público tem outro ritmo
As grandes cidades chinesas impressionam pelo número de pessoas e pela intensidade da movimentação. Pequim tem mais de 20 milhões de habitantes, Xangai ultrapassa os 24 milhões, e isso naturalmente muda a maneira como as pessoas circulam e utilizam os espaços públicos.

O volume das conversas pode parecer mais alto, os lugares turísticos podem ficar extremamente movimentados e a proximidade física entre as pessoas costuma ser maior do que aquela que muitos brasileiros esperam.

Alguns comportamentos podem parecer diferentes dos nossos códigos de convivência, mas é importante evitar interpretar imediatamente essas diferenças como falta de educação. Muitas vezes estamos apenas diante de costumes sociais diferentes. Viajar também é aprender a perceber essas diferenças sem tentar enquadrar tudo dentro do padrão do nosso próprio país.

5. Estrangeiros ainda podem despertar curiosidade
Em cidades extremamente internacionais como Xangai, encontrar estrangeiros é algo absolutamente normal. Mas em determinadas regiões da China, principalmente fora dos grandes centros turísticos, um estrangeiro ainda pode chamar bastante atenção.

Há relatos frequentes de turistas que são observados com curiosidade ou convidados para tirar fotos com chineses. Dependendo da aparência da pessoa e da região visitada, isso pode acontecer várias vezes durante uma mesma viagem. Na maioria das situações, trata-se simplesmente de curiosidade.

É uma experiência curiosa para quem vem de um país tão diverso como o Brasil, onde encontrar pessoas com características físicas muito diferentes faz parte do cotidiano.

6. O passaporte vira praticamente sua identidade durante a viagem
Essa é uma diferença cultural, mas também extremamente prática. Na China, muitos serviços estão vinculados diretamente à identidade da pessoa. Para o estrangeiro, isso significa que o passaporte assume um papel muito maior do que em várias outras viagens internacionais.

Bilhetes de trem, ingressos para determinadas atrações, museus e outras reservas podem ser associados ao número do passaporte. Em algumas estações ferroviárias, por exemplo, o passageiro estrangeiro não precisa apresentar um bilhete físico: o próprio passaporte está vinculado à passagem. Por isso, andar com o documento durante a viagem se torna algo muito mais comum do que em vários países da Europa ou das Américas.

7. O inglês não está presente em todos os lugares
Talvez algumas pessoas imaginem que, por se tratar de um país extremamente moderno e tecnológico, será fácil encontrar pessoas falando inglês em qualquer lugar. Não é exatamente assim.

Em hotéis internacionais e nas principais atrações turísticas normalmente existe algum suporte em inglês, mas em restaurantes locais, táxis, pequenos estabelecimentos ou fora das grandes regiões turísticas, a comunicação pode ficar mais complicada. A boa notícia é que a própria tecnologia resolve boa parte desse problema. Aplicativos de tradução, reconhecimento de texto por câmera e mapas facilitam muito a viagem. Em várias situações, basta escrever no celular, mostrar a tradução para a outra pessoa e continuar a conversa.

Viajar para a China é também aprender uma nova lógica
Depois de visitar o país pela segunda vez, uma das coisas que mais me chama atenção é justamente perceber que viajar pela China exige uma pequena mudança de mentalidade.

É um país extremamente moderno em alguns aspectos e profundamente ligado às suas tradições em outros. Tecnologia de ponta convive com costumes milenares; megacidades futuristas coexistem com templos, mercados e hábitos que atravessaram gerações. E acho que seja justamente essa mistura que torne a experiência tão interessante.

Quem chega disposto não apenas a conhecer pontos turísticos, mas também a observar como as pessoas vivem, comem, se comunicam e se deslocam, acaba descobrindo uma China muito mais interessante do que aquela que aparece apenas nos cartões-postais.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG