Voo mais longo do mundo: Qantas anuncia rota de até 22 horas sem escalas
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Voo mais longo do mundo: Qantas anuncia rota de até 22 horas sem escalas

Imagine embarcar em Sydney, atravessar o Polo Norte enquanto dorme e desembarcar em Londres sem ter pisado em nenhum outro aeroporto no caminho. Nada de escala em Dubai, Doha ou Singapura, nada de correr atrás de conexão com 40 minutos no relógio. A Qantas confirmou em 18 de junho deste ano a rota Sydney para Londres sem escalas, com estreia em outubro de 2027 e passagens à venda a partir de fevereiro do mesmo ano.

O que é o Projeto Sunrise
Em 2017, a Qantas desafiou publicamente Airbus e Boeing a construir um avião capaz de ligar a costa leste da Austrália a qualquer lugar do mundo sem parar. A Airbus levou o contrato com o A350-1000ULR (a sigla vem de Ultra Long Range) e recebeu, em maio de 2022, encomenda de 12 aeronaves. O objetivo declarado pela CEO Vanessa Hudson é vencer aquilo que os australianos chamam de "tirania da distância". Hoje, quem sai de Sydney rumo a Londres encara pelo menos uma parada obrigatória, somando entre 23 e 26 horas de porta a porta. O voo direto promete cortar até quatro horas dessa jornada.

O avião que precisou ser reinventado
O A350-1000ULR não é um A350 comum com carimbo novo. A Airbus integrou à estrutura um tanque central traseiro extra, com cerca de 20 mil litros adicionais de combustível, o que soma aproximadamente mil milhas náuticas de alcance. Na prática, o avião cruza mais de 16 mil quilômetros e permanece no ar por até 22 horas consecutivas, algo inédito em operação comercial regular. O primeiro exemplar decolou de Toulouse em 2 de junho de 2026 para o voo inaugural de testes. A primeira aeronave entregue à companhia, batizada de Vega, chega em abril de 2027.

A rota polar que ninguém esperava
O caminho pode não ser o esperado. Em vez da rota clássica cruzando a Ásia, os passageiros podem seguir direto para o norte sobre o Pacífico, passar pelo Japão e Alasca, cruzar o Polo Norte e descer contornando a Groenlândia e a Escócia até Heathrow. A escolha depende da época do ano e dos ventos, mas ganhou força diante das restrições ao espaço aéreo em corredores tradicionais do Oriente Médio.

A cabine mais espaçosa já colocada em um A350
São apenas 238 assentos, a menor densidade de qualquer A350 do mundo (versões convencionais levam mais de 300 passageiros). Mais de 70% dos assentos têm espaçamento de 33 polegadas ou mais, o mais generoso da frota Qantas. A configuração:

- 6 suítes de Primeira Classe fechadas, com cama plana de 2 metros, poltrona reclinável separada e iluminação programável conforme o ritmo circadiano
- 52 suítes de Executiva, as primeiras da companhia com porta deslizante
- 40 assentos de Premium Economy
- 140 assentos de Econômica, sendo 42 na nova categoria Economy Plus

Como o corpo aguenta 22 horas no ar
A resposta não veio do marketing, veio da ciência. A Qantas será a primeira companhia do mundo com uma Wellbeing Zone construída de fábrica, área dedicada ao movimento entre as cabines Premium Economy e Econômica, com alças de alongamento integradas às paredes, exercícios guiados em tela e estação de hidratação. E é acessível a todos os passageiros, não só aos das cabines premium. Completam a estratégia contra o jet lag a iluminação sincronizada com o relógio biológico, um planejador digital que mapeia as janelas ideais de sono e cardápio programado conforme os fusos atravessados. O projeto envolveu uma década de pesquisa com o Charles Perkins Centre, da Universidade de Sydney.

Quem perde o recorde?
O recorde atual pertence à Singapore Airlines, na rota Singapura para Nova York (JFK), com 15.332 quilômetros e cerca de 18 horas e 40 minutos. Sydney para Londres assume o primeiro lugar com folga: aproximadamente 17 mil quilômetros e até 22 horas de voo. A próxima rota do projeto já está confirmada, e é Sydney para Nova York. Vale registrar que a operação chegou a ser prometida para 2025 e escorregou por atrasos na entrega das aeronaves.

A história por trás do nome
Projeto Sunrise é uma homenagem. Entre 1943 e 1945, com a queda de Singapura tendo cortado a ligação aérea entre Austrália e Inglaterra, a Qantas operou em segredo o serviço Double Sunrise, cruzando o Oceano Índico entre Perth e o Ceilão (hoje Sri Lanka). Eram hidroaviões Catalina voando de 27 a 33 horas ininterruptas, em silêncio de rádio para não serem detectados pelos japoneses. A travessia durava tanto que tripulação e passageiros viam o sol nascer duas vezes. E o detalhe que fecha o círculo: aqueles Catalinas eram batizados com nomes de estrelas, porque a navegação era feita observando o céu. Os novos A350 receberão exatamente os mesmos nomes. O primeiro se chama Vega.

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