
Balneário Camboriú vive uma nova etapa de transformação urbana e turística. Conhecida pelos arranha-céus, pela vida noturna e por uma das orlas mais movimentadas do Brasil, a cidade catarinense já recebeu mais de R$ 2 bilhões em investimentos destinados a atrações, parques temáticos e melhorias urbanas nos últimos anos.
O valor foi informado pelo secretário municipal de Turismo, Evandro Neiva, e ajuda a explicar a rápida mudança no perfil do destino. Balneário Camboriú deixou de depender apenas do movimento das praias durante o verão e passou a oferecer experiências capazes de atrair visitantes em diferentes épocas do ano.
Hoje, a cidade reúne roda-gigante panorâmica, aquário, parques temáticos, atrações familiares, espaços de entretenimento e restaurantes interativos. Segundo a Secretaria de Turismo, Balneário Camboriú recebe entre 2 milhões e 2,5 milhões de turistas por temporada.
Além dos investimentos em atrativos, a cidade também avança na reurbanização da Praia Central, que ganhou uma faixa de areia mais larga após a obra de alargamento realizada nos últimos anos. Agora, o foco está na reorganização e na modernização dos espaços públicos localizados junto à praia.
Uma nova etapa das obras começou na região da Barra Sul, em um trecho entre o empreendimento Fischer Dreams e a Rua 4400. Toda a etapa sul da reurbanização contempla aproximadamente 1,5 quilômetro, desde a Rua 3920 até o molhe da Barra Sul.
O investimento previsto nessa fase é de aproximadamente R$ 34,7 milhões. Desse total, cerca de R$ 31 milhões serão destinados à execução das obras, enquanto outros R$ 3,7 milhões correspondem às instalações elétricas.
A proposta é entregar uma orla mais organizada, acessível e integrada à nova faixa de areia, com melhorias nos espaços de circulação e convivência. A reurbanização é considerada uma das principais intervenções urbanas recentes do município e deverá modificar novamente a imagem da Praia Central.
O movimento acontece em uma cidade que também apresenta uma das maiores valorizações imobiliárias do país. Em junho de 2026, o preço médio dos imóveis residenciais anunciados em Balneário Camboriú chegou a R$ 15.228 por metro quadrado, segundo o Índice FipeZap.
O resultado colocou o município como o segundo metro quadrado residencial mais caro entre as 56 cidades monitoradas pelo levantamento. A valorização está relacionada à forte procura por imóveis, à verticalização, à localização litorânea e à ampliação dos serviços e atrações disponíveis.
Essa transformação também impulsiona projetos privados que tentam acompanhar o novo perfil urbano da cidade. Um dos exemplos é o Auris Residenze, apresentado como o primeiro “edifício-árvore” do Brasil.
Projetado pelo escritório italiano Archea Associati, com assinatura do arquiteto Marco Casamonti, o empreendimento terá mais de 130 metros de altura e apenas 26 apartamentos, sendo uma unidade por andar.
O projeto prevê uma estrutura externa que funcionará como uma espécie de exoesqueleto. Os elementos distribuídos pela fachada foram inspirados nos galhos de uma árvore e deverão ajudar a proteger os ambientes da incidência direta do sol.
Jardineiras suspensas também formarão uma camada verde entre os apartamentos e a paisagem urbana. De acordo com os responsáveis pelo empreendimento, o projeto inclui sistemas de filtragem de água, renovação do ar, sensores de monóxido e dióxido de carbono e reaproveitamento de águas pluviais e águas cinzas.
Os estudos técnicos apresentados pelo empreendimento estimam uma possível redução de até 42% no consumo de ar-condicionado, 26% no uso de energia e 52% no consumo de água. A construção segue parâmetros relacionados às certificações internacionais LEED e WELL, voltadas à sustentabilidade e ao bem-estar dos ocupantes.
Mais do que uma cidade de praia e edifícios altos, Balneário Camboriú tenta se consolidar como um destino turístico completo. Os investimentos públicos e privados demonstram uma aposta na modernização da cidade, na criação de novas experiências e na ampliação do movimento turístico para além da alta temporada.
O grande desafio será fazer com que esse crescimento também resulte em espaços públicos mais acessíveis, mobilidade eficiente, preservação ambiental e qualidade de vida para moradores e visitantes.