Vale a pena viajar para a Europa em julho?
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Vale a pena viajar para a Europa em julho?

Julho é, sem dúvida, um dos meses mais procurados pelos brasileiros para viajar à Europa. Afinal, coincide com as férias escolares no Brasil e permite que muitas famílias realizem o sonho de conhecer cidades como Roma, Paris, Londres, Florença e tantas outras. Mas existe um detalhe importante que precisa ser levado em consideração: esse também é o período em que o continente começa a receber um volume gigantesco de turistas, justamente quando as temperaturas atingem seus níveis mais elevados.

Escrevo este texto diretamente da Itália, onde estou trabalhando e percorrendo o país de norte a sul. Justamente por conhecer bem essa realidade, tomei a decisão de encerrar minha viagem por volta do dia 15 de julho. O motivo é simples: é a partir da segunda quinzena do mês que começam as férias escolares em diversos países da Europa e também em boa parte do hemisfério norte. A partir daí, o número de visitantes cresce de forma significativa e a experiência de viajar muda completamente.

Na minha opinião, se você puder escolher outra época do ano para conhecer as grandes cidades europeias, provavelmente terá uma viagem muito mais agradável. Se julho for a única opção, minha intenção aqui não é dizer que você não deve viajar, mas sim mostrar exatamente o cenário que encontrará para que possa se planejar melhor.

Os principais pontos que merecem atenção são:

• Superlotação: cidades como Roma, Paris, Florença, Veneza e outras passam a receber milhões de visitantes. As filas para atrações como o Coliseu, Museu do Louvre, Vaticano e diversos museus podem durar horas, consumindo boa parte do dia.

• Calor extremo: os verões europeus estão cada vez mais quentes. Caminhar durante horas sob temperaturas elevadas, muitas vezes sem sombra, torna os deslocamentos muito mais cansativos e desgastantes.

• Preços mais altos: julho e agosto fazem parte da alta temporada. Hotéis, passagens aéreas e diversos serviços turísticos costumam ficar mais caros justamente por causa da alta procura.

• Infraestrutura nem sempre preparada: muitos hotéis localizados nos centros históricos funcionam em prédios antigos. Ainda hoje é comum encontrar acomodações sem ar-condicionado ou com equipamentos pouco eficientes para enfrentar o calor intenso do verão.

• Desgaste físico: depois de horas caminhando, enfrentando filas e altas temperaturas, chega um momento em que o próprio corpo começa a sentir os efeitos do calor. A hidratação constante deixa de ser apenas uma recomendação e passa a ser uma necessidade, especialmente para crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde.

Existe uma exceção importante. Se a sua viagem for focada em destinos de praia, como a Costa Amalfitana, parte das ilhas gregas ou outras regiões litorâneas, o verão faz muito mais sentido. Nesses casos, o calor faz parte da experiência e acaba sendo um aliado da viagem.

Já para quem pretende fazer um roteiro cultural, visitando cidades históricas, caminhando o dia inteiro e conhecendo museus e monumentos, continuo considerando abril, maio, o fim de setembro e outubro como períodos muito mais agradáveis. As temperaturas costumam ser mais amenas, as cidades ficam menos cheias, as filas diminuem e o aproveitamento da viagem costuma ser muito melhor.

Se as férias de julho forem a única possibilidade, viaje sem medo, mas viaje bem informado. Saber exatamente o que esperar ajuda a organizar melhor o roteiro, controlar as expectativas e aproveitar muito mais a experiência. Afinal, informação também faz parte de uma boa viagem.

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