Vitor Vianna

Influenciadores deportados na Copa do Mundo dos EUA? Entenda

Especialista em imigração alerta para riscos de produzir conteúdo monetizado com visto de turista

Influenciadores deportados na Copa do Mundo dos EUA? Entenda
Foto: Reproducao / Vitor Vianna
Influenciadores deportados na Copa do Mundo dos EUA? Entenda

As autoridades de imigração dos Estados Unidos alertaram sobre as restrições para criadores de conteúdo estrangeiros que pretendem acompanhar a Copa do Mundo de 2026 no país. A medida, divulgada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), reforça que visitantes portadores de visto de turista não poderão realizar atividades de produção de conteúdo destinadas à monetização durante sua permanência em território norte-americano.

Segundo as autoridades, a geração de receita a partir de conteúdo produzido nos Estados Unidos pode ser caracterizada como atividade profissional, o que é incompatível com o visto B-2, destinado exclusivamente a turismo, lazer, tratamento médico ou visitas familiares. O descumprimento das regras pode resultar no cancelamento imediato do visto, remoção do país e dificuldades para futuras entradas nos Estados Unidos.

Para o advogado especialista em imigração para os Estados Unidos e CEO da YOUSA Law Firm, Otávio Haverroth, a orientação das autoridades americanas representa um alerta importante para profissionais que costumam produzir conteúdo durante viagens internacionais.

"As autoridades americanas estão deixando claro que o visto de turista não pode ser utilizado para atividades que gerem renda ou tenham finalidade comercial. Muitos criadores de conteúdo acreditam que a simples publicação de vídeos ou outros tipos de postagem não configura trabalho, mas, quando existe monetização, patrocínio, publicidade ou qualquer tipo de retorno financeiro relacionado ao conteúdo produzido durante a estadia nos Estados Unidos, a situação pode ser interpretada como exercício de atividade profissional. Em um momento de fiscalização reforçada por causa da Copa do Mundo, o risco de questionamentos na entrada do país e até de cancelamento do visto aumenta significativamente", afirma Haverroth.

O especialista ressalta que cada caso deve ser analisado individualmente e que influenciadores que pretendem realizar coberturas profissionais do evento devem buscar orientação jurídica prévia para verificar a categoria migratória mais adequada.

Em um contexto semelhante, a China também vem endurecendo as regras para quem produz conteúdo na internet. O país passou a exigir que criadores de conteúdo e influenciadores só abordem determinados temas profissionais, como saúde, direito, economia e educação, quando possuírem qualificação ou credenciais compatíveis com a área. A medida busca combater a disseminação de desinformação e aumentar a responsabilidade de quem exerce influência sobre milhões de pessoas nas redes sociais.

O debate levanta uma reflexão importante: até que ponto o alcance de um influenciador deve ser suficiente para que ele opine como especialista? Em um cenário em que conteúdos digitais podem impactar diretamente decisões financeiras, jurídicas e até de saúde, cresce a discussão sobre a necessidade de limites e responsabilidades para quem transforma informação em profissão.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG