
As autoridades de imigração dos Estados Unidos alertaram sobre as restrições para criadores de conteúdo estrangeiros que pretendem acompanhar a Copa do Mundo de 2026 no país. A medida, divulgada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), reforça que visitantes portadores de visto de turista não poderão realizar atividades de produção de conteúdo destinadas à monetização durante sua permanência em território norte-americano.
Segundo as autoridades, a geração de receita a partir de conteúdo produzido nos Estados Unidos pode ser caracterizada como atividade profissional, o que é incompatível com o visto B-2, destinado exclusivamente a turismo, lazer, tratamento médico ou visitas familiares. O descumprimento das regras pode resultar no cancelamento imediato do visto, remoção do país e dificuldades para futuras entradas nos Estados Unidos.
Para o advogado especialista em imigração para os Estados Unidos e CEO da YOUSA Law Firm, Otávio Haverroth, a orientação das autoridades americanas representa um alerta importante para profissionais que costumam produzir conteúdo durante viagens internacionais.
"As autoridades americanas estão deixando claro que o visto de turista não pode ser utilizado para atividades que gerem renda ou tenham finalidade comercial. Muitos criadores de conteúdo acreditam que a simples publicação de vídeos ou outros tipos de postagem não configura trabalho, mas, quando existe monetização, patrocínio, publicidade ou qualquer tipo de retorno financeiro relacionado ao conteúdo produzido durante a estadia nos Estados Unidos, a situação pode ser interpretada como exercício de atividade profissional. Em um momento de fiscalização reforçada por causa da Copa do Mundo, o risco de questionamentos na entrada do país e até de cancelamento do visto aumenta significativamente", afirma Haverroth.
O especialista ressalta que cada caso deve ser analisado individualmente e que influenciadores que pretendem realizar coberturas profissionais do evento devem buscar orientação jurídica prévia para verificar a categoria migratória mais adequada.
Em um contexto semelhante, a China também vem endurecendo as regras para quem produz conteúdo na internet. O país passou a exigir que criadores de conteúdo e influenciadores só abordem determinados temas profissionais, como saúde, direito, economia e educação, quando possuírem qualificação ou credenciais compatíveis com a área. A medida busca combater a disseminação de desinformação e aumentar a responsabilidade de quem exerce influência sobre milhões de pessoas nas redes sociais.
O debate levanta uma reflexão importante: até que ponto o alcance de um influenciador deve ser suficiente para que ele opine como especialista? Em um cenário em que conteúdos digitais podem impactar diretamente decisões financeiras, jurídicas e até de saúde, cresce a discussão sobre a necessidade de limites e responsabilidades para quem transforma informação em profissão.