
Nos últimos dias circularam duas versões de uma mesma história, e isso deixou muita gente em alerta sobre o visto americano: A primeira notícia, que viralizou, dizia que Donald Trump estaria “congelando” ou suspendendo entrevistas de visto para brasileiros e cidadãos de outros países. Mas pouco depois, a informação foi ajustada: o foco real das medidas discutidas envolve vistos ligados à imigração, e não necessariamente o visto de turismo. E existe um motivo muito simples para isso.
Na lógica do Trump, imigrante é custo. Turista é lucro. O discurso do governo Trump é claro: restringir ao máximo tudo o que esteja ligado à imigração, porque, na visão deles, imigração representa custo para o país, especialmente no início do processo, com gastos públicos, estrutura, serviços e o debate recorrente sobre acesso a benefícios e sistemas locais.
Já o turista é o oposto disso. O turista não pede nada, não pesa no sistema, ele entra, consome, gasta e volta para casa, ou seja, turismo é receita imediata, e receita em grande escala. Os EUA precisam do turismo como motor econômico
Para ter dimensão do tamanho dessa engrenagem: o WTTC projetou que o gasto de visitantes internacionais nos EUA em 2025 ficaria em torno de US$ 169 bilhões, mesmo com queda em relação a 2024 (que teria sido cerca de US$ 181 bilhões). E os números mensais também mostram o volume de dinheiro: de acordo com dados do ITA (trade.gov), os visitantes internacionais gastaram aproximadamente: US$ 11,7 bilhões em agosto de 2025, US$ 11,1 bilhões em setembro de 2025. É exatamente por isso que o turismo dificilmente vira alvo de bloqueio pesado: é um setor que alimenta hotelaria, aviação, outlets, parques, restaurantes e serviços em geral.
E tem mais: segundo a U.S. Travel Association, cada 1% de queda no gasto de turistas internacionais representa US$ 1,8 bilhão a menos em receita anual de exportação turística, ou seja, mexer nisso custa caro para os próprios EUA.
E por que brasileiro importa tanto nesse contexto?
Porque brasileiro é conhecido por ser turista que gasta muito. Um relatório da U.S. Travel Association sobre o Brasil aponta que o gasto médio por visitante brasileiro nos EUA chegou a US$ 5.200 (dado de referência anterior à pandemia, usado para perfil de mercado).
Então, dentro dessa matemática política e econômica, faz pouco sentido travar o visto de turismo para brasileiros: é um público que vai para deixar dinheiro.
Conclusão: o recado é sobre imigração, não sobre viagem
A leitura mais realista de tudo isso é: o governo Trump tenta reforçar o controle sobre imigração e residência, mas mantém o turismo funcionando porque turismo: gera dinheiro, emprega milhões, e sustenta economias locais.
Em resumo:
Medidas mais duras podem atingir processos de imigração, mas o visto de turista segue sendo parte do interesse econômico americano, e travar isso seria ir contra o próprio mercado.