Viajar com pet exige cuidados diferentes em avião, carro e ônibus

Segundo pesquisa feita com 2 mil brasileiros, cerca de 18% dos entrevistados pretendem viajar com o seu animal de estimação; especialista dá dicas

Cachorrinho viajando
Foto: Divulgação
Cachorrinho viajando

Viajar com os animais de estimação não é mais uma novidade e passou a ser comum entre muitos tutores que não vivem sem seus pets. Muitos não gostam de colocar os animais em creches ou não têm uma pessoa para cuidar ou  preferem levar os animais companheiros de vida para uma aventura. Mas, quais são as regras para viajar com pets? Como saber que o animal ficará confortável em um ambiente desconhecido?

Há uma tendência no setor turístico que acompanha o crescimento de viagens nacionais e internacionais, destinos, hotéis, pousadas, bares e restaurantes com infraestrutura adequada que possa entrar no roteiro do turismo pet-friendly nacional.

O crescimento da demanda já foi percebido pelo Ministério do Turismo que apontou um crescimento de 238% nas buscas por hotéis petfriendly, por exemplo. Para acompanhar o comportamento do consumidor, o Ministério realizou uma pesquisa técnica para mapear estabelecimentos que aceitam animais e entender os desafios e necessidades do setor.

A pesquisa foi encerrada no dia 10 de julho e coletou dados de viajantes tutores e empresários do setor de turismo. Após a análise das informações, o Ministério vai elaborar um manual de boas práticas do Turismo Pet-Friendly. De acordo com o Ministério do Turismo, os dados ainda estão sendo compilados e a previsão é de que sejam divulgados até o final do ano.

Enquanto o guia não sai especialistas de diferentes áreas do seguimento de animais de estimação dão dicas sobre como levar os companheiros de forma segura e preservando o bem-estar animal. Segundo especialistas, a chave está no planejamento que deverá ser feito com antecedência para evitar os contratempos.

Uma pesquisa feita pela plataforma Kayak com 2 mil brasileiros apontou que 24% do entrevistados já viajaram de avião com seus pets nos últimos dois anos e 18% dos brasileiros pretendem viajar com seus animais nos próximos 12 meses. Dessa forma, antes de viajar, é necessário conhecer as regras específicas da companhia aérea, especialmente em voos e conexões operados por empresas diferentes. Também é muito importante que os passageiros estejam atentos as normas sanitárias do destino.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil é o terceiro país do mundo em número de animais de estimação, são cerca de 168 milhões de pets . No entanto, as regras, restrições e burocracias das companhias aéreas são a principal dificuldade para 35% dos brasileiros.

Outro fator é que 34% consideram o estresse que a viagem pode causar ao animal seja outra dificuldade. Por fim, 32% levam em consideração os custos envolvidos como taxas das companhias aéreas, certificados veterinários, seguros e caixas de transporte outra barreira na hora de levar os pets.

Outro ponto importante é garantir que o cão o gato esteja em boas condições de saúde para viajar. Quando a viagem é internacional, por exemplo, pode ser necessário realizar e xames sorológicos para raiva, dar vacinas adicionais e a microchipagem com a emissão de certificado veterinário internacional.

Segundo a especialista em viagens, Carolina Montenegro, o planejamento evita que o viajante seja pego de surpresa por imprevistos e garante uma viagem mais trenquila:

O segredo é planejar com antecedência. Ao conhecer as exigências das companhias aéreas e as normas do destino antes de fazer a reserva, os viajantes podem evitar contratempos e desfrutar de uma viagem mais tranquila com seus animais de estimação
especialista em viagens e vice-presidente sênior da Kayak, Carolina Montenegro


O que exigem as companhias aéreas para embarcar com pets?

Como a Agência Nacional de Aviação Civil - Anac ainda está estabelecendo as diretrizes gerais para o transporte de animais, cabe as companhias aéreas estabelecer as próprias regras de acomodação, documentação, valores e condições para o embarque. Dessa forma, o recomendado é consultar as companhas, principalmente se houver conexões ou voos operados por empresas diferentes.

De acordo com a Azul e com a LATAM animais de estimação podem ir na cabine com peso de até 10 quilos incluindo a caixa de transporte podem viajar na cabine com o passageiro. Em voos operados pela Azul Conecta, o serviço não está disponível. A Gol há exigências de documentos, atestados de vacinação e peso de acordo com o destino nacional e internacional. As companhias disponibilizam as instruções nos sites oficiais.

O serviço de transporte de animais é pago?

Sim. Os valores e condições mudam conforme a companhia aérea, a rota e o tipo de transporte. Dessa forma, o mais indicado é consultar a empresa aérea sobre as taxas aplicadas ao serviço.

Dicas gerais para transporte de animais em aviões

Se for fazer conexões com mais de uma companhia, consulte as regras de todas elas antes de embarcar com seu pet. Além disso, é importante verificar as regras aplicadas as autoridades sanitárias de cada país.

Transporte de animais de estimação no avião
Foto: Divulgação
Transporte de animais de estimação no avião

Seu animal de estimação deve estar em boas condições de saúde, e a companhia aérea pode exigir documentação sanitária específica, que varia conforme a rota e o destino. A sedação não é recomendada e, em algumas companhias aéreas, é proibida.

É recomendado alimentar e higienizar seu animal antes de embarcá-lo. A alimentação deve ser feita em até duas horas antes do voo para evitar desconfortos. Outra dica é que a alimentação seja reduzida.

Viagem de carro com o pet

Tomar cuidado é mais do que indicado. Então, especialistas indicam nunca transportar o pet solto. Em caso de colisão a 50 km/h, um animal que pesa 25 kg, por exemplo, pode atingir uma força de até uma tonelada. Estudos da AAA Foundation for Traffic Safety também mostram que a interação com pets durante a condução aumenta significativamente o risco de distração ao volante e pode ser um dos fatores de acidentes de trânsito.

O transporte correto não é apenas uma questão de conforto, É uma medida de segurança e de medicina preventiva. Recebemos casos de hemorragias internas, traumas torácicos e fraturas complexas que poderiam ser evitados com o uso de equipamentos simples, como cinto de segurança específico ou caixa de transporte
Carollina Marques, médica veterinária na WeVets


Se o tutor for usar o cinto de segurança e peitorais em cães de grande porte, por exemplo, os animais devem ser transportados com peitorais apropriados, acoplados ao cinto de segurança do veículo. Coleiras no pescoço nunca devem ser utilizadas, pois podem causar lesões graves em caso de impacto.

Foto: Divulgação
Cachorrinho no porta malas



O transporte em caixas indicadas para gatos e cães de pequeno porte, devem ser fixadas com o cinto de segurança ou posicionadas no assoalho do carro. No caso dos felinos, a sugestão da profissional é que a caixinha ainda seja coberta por um pano com feromônio ou odor conhecido do pet, gerando mais conforto e menos estímulos que possam gerar estresse.

Viagens com pets em ônibus

Para circular com cães e gatos em rodoviárias interestaduais é importante reunir a carteira de vacinação atualizada com a vacina antirrábica e a múltipla v8 ou v10 . O atestado sanitário ou de saúde também é exigido na hora do embarque.

Para transportar o animal cada viação tem suas regras, pois não há uma regra nacional estabelecida sobre isso. Então, são permitidos apenas cães e gatos de pequeno porte com 10 kg no máximo.

A caixa de transporte deverá ser rígida, limpa, segura, a prova de vazamentos e com boa ventilação. Além disso, o animal, dentro da caixa, precisa ficar em pé e dar a volta em si mesmo. Geralmente, o ônibus só embarca 2 animais por viagem, sendo 1 por passageiro.

Foto: Daniel Leite Andrade/iG
Cachorro em área de embarque da rodoviária do Rio de Janeiro

Caso o passageiro queria acomodar a caixa de transporte do animal na poltrona ao lado, as empresas cobram duas passagens. Do contrário, a caixa deverá ir no chão. Além disso, como a cota de viagem é restrita, o recomendado é reservar o bilhete com antecedência.

O bem-estar do animal deverá ser priorizado, então, o tutor poderá levar um medicamento calmante ou sedativo, sob supervisão veterinária. Um kit viagem com tapetes higiênicos, sacolinhas para objetos, lenços umedecidos e uma manta também são aconselháveis.