
Entre cachoeiras de águas cristalinas, paredões, cânions, campos de Cerrado e comunidades tradicionais, a Chapada dos Veadeiros oferece experiências diferentes dependendo da época do ano, da cidade escolhida como base e até do perfil de quem viaja.
Para quem visita a região pela primeira vez, planejar o roteiro também significa considerar distâncias, condições das estradas, intensidade das trilhas e os cuidados necessários diante das mudanças provocadas pelas chuvas.
A Chapada abriga mais de 300 cachoeiras, além de cânions, montanhas, vales, trilhas e mirantes, segundo a Goiás Turismo. Um dos principais núcleos de conservação da região é o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, criado em 1961 e atualmente com 240,5 mil hectares de Cerrado protegido.
Para quem conhece esse território desde a infância, porém, a viagem não se resume a escolher as cachoeiras mais famosas. Alvaní Torres, nascido e criado na comunidade Kalunga Vão de Almas, em Cavalcante, cresceu em contato com o Cerrado e hoje trabalha exclusivamente como guia de ecoturismo, com atuação em Cavalcante e Alto Paraíso .
O contato profissional com visitantes começou em 2015, quando passou a conduzir grupos para dentro do Quilombo Kalunga em atividades ligadas ao turismo histórico e cultural. Em 2020, fez formação como condutor local voltado ao turismo de aventura.
“Desde criança e na infância tive contato com o Cerrado e sempre gostei de fazer trilhas, até mesmo porque nós do Quilombo Kalunga, querendo ou não, temos esse contato devido ao modo de vida nas comunidades.”
Melhores épocas
Para Alvaní, o maior movimento turístico ocorre entre maio e setembro, durante a estiagem. A percepção coincide, em linhas gerais, com a sazonalidade apontada pelos órgãos ambientais. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), por exemplo, considera o período entre maio e outubro seco e quente no Parque Estadual Águas do Paraíso, onde ficam as Cataratas dos Couros, e o classifica como o melhor momento para aproveitar os atrativos para banho.

Mas isso não significa que a Chapada tenha apenas uma temporada possível. Alvaní destaca que as transformações provocadas pelas chuvas também modificam completamente a experiência.
“Todas as épocas são incríveis, até porque algumas atrações e cachoeiras têm água na estação de chuva, mas há cachoeiras que você só consegue visitar nessa estação.”
A avaliação é semelhante à de Fabíola Morais, que frequentou durante anos a Chapada antes de se mudar definitivamente para Cavalcante, em 2022. Para ela, maio já marca um período particularmente interessante para percorrer as trilhas.
“Quando chega maio já começa a ficar bem interessante. Maio é o mês das flores lá. Então, são passeios belíssimos com muitas flores no Cerrado, nas trilhas.”
O que conhecer na primeira viagem
Para quem visita a Chapada pela primeira vez, Alvaní recomenda reservar pelo menos cinco dias. Entre os principais destinos citados pelo guia estão a Cachoeira Santa Bárbara, Vale da Lua, Cachoeira do Segredo, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Cataratas dos Couros, Almécegas I e II, Cachoeira Cordovil, Complexo Águas Lindas e Canjica e Complexo do Prata.
“Para quem vem a primeira vez, sugiro média de cinco dias pelo menos. [...] São inúmeras opções.”
A escolha de onde se hospedar também modifica a experiência. Para Fabíola, Alto Paraíso e São Jorge atendem melhor quem quer combinar natureza com maior oferta de restaurantes, hospedagem e movimento urbano. Já Cavalcante proporciona uma viagem mais ligada ao Cerrado e à cultura Kalunga. “Para um turismo mais natural e cultural, Cavalcante. Para um turismo mais natural e urbano, Alto Paraíso e São Jorge”, resume.
Entre os atrativos de Cavalcante está a Cachoeira Santa Bárbara, no território Kalunga, onde o acompanhamento de guia da comunidade é obrigatório. Já as Cataratas dos Couros integram o Parque Estadual Águas do Paraíso, em Alto Paraíso, que também possui regras próprias de visitação. Como os atrativos da Chapada estão distribuídos entre unidades de conservação, propriedades particulares e territórios comunitários, horários, valores e exigências podem variar.
Para Alvaní, a presença do guia vai além de indicar o caminho. O conhecimento de nascentes, rios, relevo e condições climáticas pode ajudar a reduzir riscos e adaptar o roteiro. Fabíola acrescenta que os condutores também apresentam informações sobre fauna, flora e usos tradicionais das plantas do Cerrado. “Eles dão muitas informações legais, informações sobre flora, sobre fauna”, afirma.
Assim, embora maio a setembro concentre algumas das condições mais favoráveis para quem pretende percorrer trilhas e cachoeiras, a Chapada dos Veadeiros oferece experiências diferentes em cada estação. Mais do que tentar visitar o maior número possível de atrações, moradores da região recomendam planejamento, respeito às condições naturais e tempo suficiente para conhecer as diferentes faces de Alto Paraíso, São Jorge e Cavalcante.