
O Palacete do Conde de Itamaraty, localizado no bairro Alto da Boa Vista, entre a zona Norte e Oeste do Rio de Janeiro dará lugar a um centro cultural ambiental voltado a educação e a conservação do patrimônio histórico do imóvel, do bairro e de regiões no entorno. Segundo o proprietário da casa, o local será reinaugurado como Instituto Itamaraty e deve apresentar as descobertas que ajudam a compreender a formação do território e um pouco do Brasil.
A área cultural e ambiental da casa já foi revitalizada e agora tem trilhas coloniais no interior da floresta com cerca de 1,2 km de extensão. Pelo caminho, os visitantes passarão por clareiras, com um anfiteatro. O passeio está sendo programado para receber apenas estudantes de escolas públicas e privadas a princípio.
Os estudantes poderão desfrutar do passeio com a ajuda de um aplicativo de realidade aumentada que vai guiá-los pela trilha e contando a história do território. Segundo o projeto inicial, na primeira clareira, os visitantes verão o amanhecer em uma mata. Na segunda clareira, um incêndio seguido de uma tempestade e na terceira, conhecerão o major Acher, sua equipe e a história do Parque Nacional da Tijuca.

A expedição interativa vai contar com a ajuda do Major Acher, e uma equipe de animais historiadores que contará as origens do Parque Nacional. Dois deles já têm nome: Tio Juca e Tia Juquinha. Durante o caminho, os visitantes serão apresentados aos diversos ciclos que o maciço da Tijuca passou. Os pontos visitados serão: um forno de produção de carvão, um canavial e um pequeno cafezal.

Trilha dentro do terreno do Palacete do Conde de Itamaraty
Ao fim da expedição pela trilha, os visitantes poderão escolher uma semente de uma espécie nativa da Mata Atlântica para plantar e poderão acompanhar o crescimento através do aplicativo do Instituto até o momento em que a muda será plantada em uma área degradada do terreno do palacete. Segundo o proprietário da casa, o percurso ainda está sendo ajustado às descobertas feitas com a ajuda de um arqueólogo que também trabalha na reforma da casa.
Segundo o proprietário do palacete, por meio de um registro de Rui Barreto, um empresário do café, foi possível constatar que o terreno deu origem a primeira fazenda organizada de café. Os donos do local também afirmam que do terreno, saíram as primeiras sacas de café comercializadas para exportação. A primeira escola de agronomia e de comércio exterior do Brasil também funcionaram na propriedade. Por estes motivos, o interior do espaço será um Memorial do Café após a conclusão da reforma.
Conheça a história do local
O Palacete do Conde de Itamaraty está localizado em uma região que já foi conhecida como Andaraí Pequeno. O espaço onde pertenceu a Sesmaria de Salvador Correia de Sá, em 1568, e a casa que está de pé até hoje foi projetada por Francisco José da Rocha Leão, conhecido como Conde de Itamaraty. Atualmente, o terreno da casa fica dentro do Parque Nacional da Tijuca, que se espalha pela Serra dos Três Rios, Serra da Carioca e o Maciço da Gávea.
O palacete foi construído para ser a casa de veraneio do conde que o batizou de "segundo Itamaraty" e foi erguido alguns anos depois da construção do Palácio do Itamaraty, localizado na Avenida Marechal Floriano, no centro, entre os anos de 1851 e 1854. O palácio do centro do Rio de Janeiro foi sede do governo da república até 1897 e sede do Ministério das Relações Exteriores posteriormente. Mas, com o tempo, a família do Conde escolheu viver no palacete do Alto da Boa Vista e deixou a residência maior para eventos oficiais.
Segundo registros da Organização Casa Senhorial Portugal, Brasil, Goa, o palacete do rio a teria sido a primeira casa privada a ter uma piscina particular com acesso direto a um rio e a uma gruta da região. No entanto, o proprietário do imóvel contesta essa afirmação e diz que havia uma banheira de hidromassagem próxima a gruta, ambas construídas na área externa da casa.

A gruta que há no terreno não foi formada naturalmente. O local foi construído pelo paisagista Auguste Glaziou que também projetou uma sala de banho com um vestiário e uma sauna, além da hidromassagem, todos no jardim. De acordo com o proprietário, os cômodos eram bem modernos para os padrões de 1856. Os donos do local afirmam que os ambientes foram construídos para o Conde do Itamaraty aproximar empresários e fazer negócios. Quando o Conde tinha interesse, financiava as operações. A arquitetura original do palacete era composta por três blocos separados: um deles era uma capela que tinha ao seu redor um jardim, horta, gruta, lagos e caramanchões com plantas.
O outro prédio era composto por dois blocos que formavam um H. A parte voltada para a fachada tinha apenas o térreo enquanto a parte de trás tinha três pavimentos, mas o acesso era feito pelo segundo pavimento. Olhando a fachada do palacete não era possível perceber a diferença de altura entre os prédios porque o terreno era desnivelado. Em 1887 a família imperial chegou a ficar hospedada no local por um curto período de tempo.

Em estilo neoclássico o palacete foi se transformando com o tempo e, atualmente, há apenas a porção voltada para a fachada principal, sem os três pavimentos na parte de trás. Além disso, várias reformas foram feitas ao longo dos anos. Em 1903 a casa foi comprada por Martim Bennasar e se tornou o Grande Hotel White e foi renomeado, anos depois, como Palace Hotel Itamaraty.
Entre as décadas de 1930 e 40, o palacete foi alugado para a Escola Alfredo Pinto, assumindo outra função. A capela do local foi reformulada em meados de 1950. De 1947 a 1972, o palacete foi usado pela Obra de Assistência ao Filho do Tuberculoso. Em 1977, o local foi vendido novamente para um grupo hoteleiro mas ficou parado por muitos anos até um dos integrantes do grupo comprar o espaço integralmente e começar uma nova reforma.

Igreja do Palacete do Conde de Itamaraty após reforma
Em 1978 os três blocos do terreno foram tombados pelo Patrimônio Histórico do Rio de Janeiro e ficaram parados. Em 2022, frente da casa ainda estava aberta. Não havia grades protegendo a entrada e a fachada estava deteriorada. O casarão precisou de reformas por muitos anos. Em 2019, o local começou a ser restaurado novamente.
A obra ainda não tem prazo para ser finalizada, mas a reforma do interior do palacete está em andamento. A capela que fica na mesma propriedade já foi reformada e, no domingo (2), recebeu uma celebração. Segundo o proprietário, o local receberá missas todos os domingos para amigos e vizinhos do bairro. Além desse espaço, o anexo dará lugar a um jardim.