Ceuta
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Com pouco mais de 18 km² e cerca de 85 mil habitantes, Ceuta é uma pequena cidade localizada no norte da África. Apesar da localização, o território pertence à Espanha e integra a União Europeia. Ao lado de Melilla, é uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam chegar à Europa em busca de uma vida melhor.

Na última quinta-feira (30), Ceuta voltou ao centro das atenções ao enfrentar uma das maiores crises migratórias de sua história. Mais de 60 mil marroquinos, em sua maioria jovens, tentaram entrar na cidade em apenas 24 horas.

Parte dos migrantes atravessou a fronteira escalando a cerca de arame farpado que separa os dois territórios. Outros tentaram a travessia pelo mar, nadando até a costa espanhola. O episódio resultou na morte de ao menos 57 pessoas.

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Diante da situação, o governo da Espanha reforçou a presença de militares e ampliou a segurança na região. A crise também alterou a rotina dos moradores. Muitos comerciantes decidiram manter seus estabelecimentos fechados por receio de confrontos e novos tumultos.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, classificou a entrada em massa como uma violação da integridade territorial da Espanha e atribuiu parte da responsabilidade às máfias que, segundo ele, "enganam os jovens" com falsas promessas de uma vida melhor na Europa. O governo também anunciou a instalação de boias marítimas para criar uma barreira de contenção e informou que utilizará todos os recursos disponíveis para reforçar a segurança da cidade.

Além disso, o Ministério espanhol e o governo do Marrocos firmou um acordo para acelerar o retorno dos migrantes que entraram irregularmente no território.

Outras crises migratórias

Esta não é a primeira vez que Ceuta enfrenta uma entrada em massa de migrantes. Em maio de 2021, mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira entre o Marrocos e o território espanhol em dois dias, após autoridades marroquinas afrouxarem o controle da fronteira. 

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Na ocasião, a invasão foi registrada após a Espanha receber Brahim Ghali para tratamento médico, líder da Frente Polisário, movimento que luta pela independência do Saara Ocidental, região reivindicada pelo Marrocos.

Uma cidade marcada pela história

Localizada às margens do Estreito de Gibraltar, a cidade estratégica foi disputada por diferentes povos ao longo da história por controlar uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.

Os portugueses conquistaram Ceuta em 1415, durante o período das Grandes Navegações. Com a União Ibérica, em 1580, o território passou para a Coroa espanhola. Quando Portugal recuperou sua independência, em 1640, a população local optou por permanecer sob domínio espanhol.

Mesmo após a independência do Marrocos, em 1956, Ceuta continuou sob administração espanhola. Desde então, eles reivindicam a soberania sobre o território e considera a cidade uma área ocupada. 

O status de cidade autônoma foi concedido em 1995, garantindo maior autonomia administrativa ao território. Desde 2005, tramita um projeto para ampliar essas competências e equiparar Ceuta às demais comunidades autônomas da Espanha.


Ceuta preserva monumentos que ajudam a contar sua história.

Catedral
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Catedral da Assunção – Construída sobre uma antiga mesquita, é dedicada à Assunção de Maria. Durante o cerco que durou cerca de 30 anos, entre os séculos XVII e XVIII, funcionou como hospital de campanha. 

Santuário e Igreja de Santa Maria de África – Erguido no século XV, é um dos principais templos religiosos da cidade.

Muralhas Reais – Um dos principais cartões-postais de Ceuta. As estruturas mais antigas remontam ao século X, enquanto outras foram construídas pelos portugueses e reforçadas pelos espanhóis entre os séculos XVII e XVIII. 

Muralhas Reais
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Muralhas Reais


Banhos Árabes – Localizados na Praça da Paz, preservam os vestígios de um antigo balneário do período islâmico.

Palácio da Assembleia – Inaugurado em 1926, é a sede do governo local e abriga o histórico Pendão Real.

Parque Marítimo do Mediterrâneo – Complexo de lazer com piscinas de água salgada, jardins e vista para o Mediterrâneo, bastante procurado durante o verão.

Monumento aos Caídos na Guerra da África – Localizado na Praça de África, homenageia os soldados mortos no conflito entre Espanha e Marrocos, travado entre 1859 e 1860.

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