Festival Universo Paralello na praia de Pratigi, em Ituberá (BA)
Reprodução das Redes Sociais
Festival Universo Paralello na praia de Pratigi, em Ituberá (BA)

A prefeitura de Ituberá, cidade da Região litoral Sul da Bahia criou uma taxa turística exclusiva para participantes de grandes festivais. A partir deste ano, participantes do Festival Universo Paralello terão que pagar a Tarifa por Uso do Patrimônio de Ituberá (TUPI) no valor de R$ 200,00. Segundo a prefeitura,  o dinheiro arrecadado será investido na própria praia, na Barra de Serinhaém e no Rio do Campo e deverá contribuir para mais infraestrutura, conforto, organização e bem-estar para a população do município.

Haverá isenção na cobrança. Moradores de Ituberá e de cidades do baixo sul da Bahia não vão pagar a tarifa para entrar na praia do Pratigí. No entanto, a tarifa será cobrada apenas para turistas que vão para o festival de música. Para ir a praia normalmente, não será necessário pagar.

Valores e pagamentos

A Tarifa por Uso do Patrimônio de Ituberá (TUPI) custará R$ 200,00 e será cobrada em um voucher único, válido para os 9 dias de festival. Então, segundo a prefeitura, esse valor fracionado por dia, custará cerca de R$ 22,00 por dia com o objetivo de contribuir para o  desenvolvimento do município.

De acordo com a prefeitura, o pagamento será realizado pelo participante do festival em um site oficial que será divulgado em breve. Junto ao site, terá uma central de atendimento durante o evento. Também haverá uma local para pagamento no evento. O objetivo é fazer com que os participantes do evento façam o pagamento antes de receberem a pulseira. Será possível pagar por pix ou cartão.

A prefeitura alega que com o orçamento que o município já tem não é possível fazer investimentos e melhorias na infraestrutura da cidade após o período festivo. Dessa forma, a arrecadação gerada pela tarifa serviria para investimentos em uma infraestrutura melhor e desenvolvimento para a comunidade.

O evento

O festival de música eletrônica, Universo Paralello acontece a cada dois anos e, em 2026, será entre os dias 27 de dezembro e 4 de janeiro. Esta será a 19ª edição do evento, mas, segundo a organização, há uma enorme preocupação dos participantes a aprovação desta tarifa.

Ao jornal, O Correio, o prefeito de Ituberá, Reges Aragão disse que a cidade tem 24 mil habitantes e, no período do festival recebe a mesma quantidade de pessoas e que a praia onde acontece o festival é uma Área de Proteção Ambiental (APA). Ele disse ainda que um evento desse tipo, a cada dois anos, gera um impacto ambiental e social no Pratigi e em todas as comunidades ribeirinhas no entorno.

O prefeito disse ainda que o festival acontece por 9 dias com música eletrônica 24 horas por dia e existem dificuldades de transporte e logística durante todo o período do festival. Então, as pessoas querem o espaço bem cuidado. De acordo com o prefeito, desde o momento da aprovação da lei, no final do ano passado a administração tem dialogado com a organização do Universo Paralello.


O que disse a organização do evento

Em uma nota divulgada nas redes sociais, a organização do Universo Paralello disse que, ao longo desses anos o festival de música tornou-se um agente de transformação social gerando empregos e movimentando a economia regional, fortalecendo o turismo e projetando Pratigí e Ituberá para o Brasil. Disse ainda que ambas fazem parte da identidade do festival e que nutre um carinho profundo pela região, pelas pessoas e por tudo o que foi construído em todos esses anos.

O festival disse ter recebido com preocupação a aprovação da TUPI e que, apesar de ter sido apresentada como cobrança geral, os efeitos atingem diretamente milhares de visitantes, trabalhadores, empreendedores e negócios ligados ao evento, gerando impactos significativos para toda a cadeia econômica movimentada pelo festival.

A organização disse ainda que, caso a lei permaneça nos moldes atuais, sem revisão e sem a construção de uma solução equilibrada, infelizmente, eles terão que reavaliar a permanência do Universo Paralello em Pratigi nas próximas edições. Disse ainda que essa não é uma solução desejada, mas que a continuidade do festival depende de condições jurídicas e econômicas que garantam a viabilidade e segurança do evento.

Disse ainda que diante das dúvidas que surgiram a respeito da legalidade e constitucionalidade da norma aprovada o festival vai avaliar todas as normas cabíveis para assegurar os direitos do frequentadores, trabalhadores, empreendedores locais e todos que podem ser impactados pela medida.

A organização deo evento disse que segue confiante no diálogo e na construção conjunta de soluções capazes de preservar uma história que há tantos anos gera benefícios para Pratigi, Ituberá e para milhares de pessoas que fazem parte do festival.

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