Fundamental na Revolução Constitucionalista de 1932, palco de batalhas e hoje ponto turístico, o Túnel da Mantiqueira tem quase 1km de extensão.
Daniel Leite Andrade
Fundamental na Revolução Constitucionalista de 1932, palco de batalhas e hoje ponto turístico, o Túnel da Mantiqueira tem quase 1km de extensão.

Encravado no coração da Serra da Mantiqueira, a 1.100 metros de altitude, um colosso de 997 metros de extensão aguarda em silêncio o retorno de sua alma de ferro. Enquanto isso, turistas só podem passar a pé pelo local, e enfrentam uma escuridão que em muitos pontos só é vencida com lanternas, e mesmo assim não se vê muito longe. Em poucos casos a tentativa de encontrar uma ''luz no fim do túnel'' faz tanto sentido. 

O Túnel da Mantiqueira, que já foi palco de combates sangrentos na Revolução Constitucionalista de 1932 e símbolo da engenharia imperial, vive hoje um paradoxo: enquanto o novo Expresso Mantiqueira celebra o renascimento do turismo ferroviário em 2025, o túnel que une São Paulo a Minas Gerais permanece como um "elo perdido", mergulhado na escuridão e à espera de uma revitalização que teima em não chegar.

Abismo entre passado e futuro

Inaugurado em 1884 com a presença de Dom Pedro II, o túnel é uma obra-prima de investidores ingleses, com quase um quilômetro de extensão, ele não é apenas uma passagem geográfica, mas um marco estatístico: é um dos pontos mais altos da malha ferroviária brasileira. Além disso, foi o epicentro de confrontos decisivos entre tropas paulistas e federais, com cerca de 250 soldados mortos (identificados). 

No entanto, o brilho do aço deu lugar à ferrugem.

Desde que o tráfego regular cessou, a estrutura tornou-se um monumento ao abandono. Enquanto a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) trabalha arduamente na manutenção de trechos isolados, o túnel exige uma intervenção estrutural de grande porte que ultrapassa a capacidade de manutenção rotineira.



O "gargalo" do Expresso Mantiqueira

Em julho de 2025, a região celebrou a inauguração do Expresso Mantiqueira. O projeto é ambicioso: reconstruir parte da antiga ferrovia Minas-Rio para movimentar a economia local e o turismo de experiência.

O plano era que o Expresso conectasse Cruzeiro (SP) a Passa Quatro (MG), mas o túnel foi o ponto crítico. Segundo dados do projeto, a recuperação do trecho que atravessa a garganta da serra demanda investimentos em contenção de encostas e drenagem interna, já que décadas de infiltração comprometeram a segurança do leito ferroviário.

Como chegar

O trem que leva até bem perto do túnel funciona nos fins de semana. Veja aqui  os detalhes. Durante o passeio, os monitores do trem levam as pessoas até a passagem, onde podem entrar por até 10 m para tirar fotos.

Já quem vai por conta própria, e não no trem, pode fazer a travessia toda, se desejar. Para chegar até o local, o caminho mais utilizado é parar na divisa entre Minas e São Paulo, entre as cidades de Passa Quatro (MG) e Cruzeiro (SP), e descer caminhando até o túnel.

Quem estiver em terras mineiras chega até o ponto de parada pela MG-158. Do lado paulista, tem que seguir pela SP-052. 

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