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Frio extremo pode ser perigoso para saúde cardíaca dos turistas

21/12 - 16:55

Regiões da Europa e dos Estados Unidos têm enfrentado temperaturas negativas nos últimos dias. Saiba como se proteger

Fernanda Aranda, iG São Paulo

A temporada de frio intenso que desde o último final de semana afeta países da Europa e dos Estados Unidos pode afetar o sistema cardiovascular. Segundo uma pesquisa da Sociedade Paulista de Cardiologia (Socesp), quando os termômetros registram temperaturas muito baixas ­– na Alemanha, por exemplo, a mínima foi de 33ºC negativos ­­– os casos de infarto aumentam em até 30%.

Frio faz mais de 80 mortos e mantém trens e voos paralisados na Europa

“Foi uma conclusão com as vítimas fatais de infarto em São Paulo, mas a influência do frio nos casos é mundial”, afirma o cardiologista Luiz Antônio Machado César, autor do estudo.

As conclusões sobre o impacto do frio no funcionamento do coração saíram do cruzamento de três dados: os prontuários de 12.007 casos de vítimas de ataques cardíacos na capital paulista, as estatísticas de medição de poluentes feitas pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) e as temperaturas registradas nos dias das mortes, pelo Instituto de Geofísica da Universidade de São Paulo (USP). Quando a média diária ficava entre 15ºC e 10ºC gerava um acréscimo de 30% das mortes por ataques cardíacos. A mesma alteração se deu em condições de calor extremo ­– entre 23,8 e 28 graus – que promoviam crescimento de 11% nos infartos.

O frio, porém, é mais perigoso por três motivos, pontua Machado César. “O primeiro é que o clima mais gelado favorece infecções respiratórias, facilitando o rompimento das veias do coração. O segundo é que a temperatura mais fria favorece espasmos do músculo cardíaco. E o terceiro é que no inverno há mais circulação de proteínas que coagulam o sangue, um passo importante para o infarto”. As explicações também ajudam a reforçar a importância de preparo e orientação para quem escala montanhas nessa época, lembra o especialista.

A prevenção para as pessoas que viajarão para os países castigados por nevascas e ondas de frio extremo é atenção com a bagagem: roupas adequadas às baixas temperaturas são obrigatórias. Além disso, líquidos quentes – como chás, cafés e chocolates – devem fazer parte do cardápio com freqüência. Outra questão é evitar ao máximo a exposição prolongada aos climas de nevasca.

Pulmões em alerta

Apesar de ser a seqüela mais extrema, as panes cardíacas não são as únicas conseqüências da exposição ao frio extremo. Além do coração, as doenças respiratórias tendem a ser mais freqüentes em temperaturas mais baixas, pois a proliferação de vírus e bactérias é facilitada em climas mais frios e também em ambientes aglomerados e sem ventilação. E o pior: o resfriamento das vias respiratórias facilita a entrada e saída dos agentes causadores de doenças e inflamações.

O diretor da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tsiologia, Eduardo Henrique Genofre, lembra que no hemisfério norte já há circulação da nova onda do influenza A, conhecida por suína. Por isso, o hábito de lavar bens as mãos não deve ser descartado. Para quem viajar a esses locais é preciso ainda atenção redobrada aos sintomas típicos do H1N1 como febre alta e repentina, dificuldade para respirar, conjuntivite, calafrios e coriza.

Outras doenças também fazem parte da lista da medicina do viajante. Segundo artigo da médica responsável pelo Ambulatório do Viajante do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Tânia Souza Chaves – publicado na Revista Ser Médico do Conselho Regional de Medicina de São Paulo ­–, “entre 20% e 70% dos viajantes relatam algum problema de saúde no decorrer da viagem” e durante deslocamentos internacionais, “1% a 5% das pessoas procuram assistência médica”.

Dicas para quem viaja para o frio:

- Leve agasalhos adequados para as temperaturas que irá enfrentar e mantenha o corpo sempre aquecido

- Consuma bebidas quentes regularmente ao longo dos passeios

- Não enfrente a neve sem vestimentas adequadas (impermeáveis e isolantes térmicas)

- Se a roupa molhar com chuva ou neve, troque o mais rápido possível

- Lave as mãos com freqüência usando água e sabão

- Vale levar um gel anti-séptico na bagagem

- Proteja o nariz e a boca com um lenço ao espirrar

- Ao assoar o nariz, use um lenço descartável e descarte-o imediatamente após o uso

- Não esqueça o protetor solar. O frio intenso resseca a pele e, mesmo no inverno, o sol forte pode provocar queimaduras

Medicação na bagagem

Se faz uso contínuo de quaisquer medicamentos, leve os remédios nas caixas originais, junto com as receitas assinadas por um médico, com os nomes genéricos traduzidos para o inglês, em caso de viagens internacionais. Se fizer uso de medicações injetáveis, levar uma justificativa em inglês assinada pelo médico

Vacinação

Algumas doenças podem ser evitadas com o uso de vacinas. Elas precisam ser administradas com antecedências que variam de quatro semanas a 10 dias. Procure se há vacinas indicadas para o local de destino e se elas são disponíveis no serviço de saúde mais próximo. A viagem pode ser uma boa oportunidade para atualizar a vacinação

Fontes: cardiologista Luiz Antônio Machado César, pneumologista Eduardo Henrique Genofre e Ambulatório do Viajante do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (http://www.emilioribas.sp.gov.br/viajante.php)

 

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