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Roubada na Viagem - Esqueceu a senha do banco em pleno carnaval

23/01 - 18:30

Teve aquelas férias frustradas e não soube o que fazer? A sua desgraça pode ajudar outros marinheiros de primeira viagem ou, ao menos, fazer muita gente rir! Mande o relato de sua roubada na viagem para canalturismo@ig.com.br.

Redação iG Turismo

"Amigos. O sonho havia acabado: saí da Argentina. Quem aproveitou, aproveitou; quem não aproveitou, deixou pra trás. Cheguei num Rio de Janeiro num calor daqueles. Quando fui ao caixa eletrônico do aeroporto, a memória não deu ordem pra sacar. Fiz duas tentativas e o resultado bárbaro da máquina se resumiu à palavra "inválida". O que vocês queriam? Depois de um mês fora do Brasil, esqueci das três letras que precisava colocar depois da senha. Gostaram da insensatez?

Contava apenas com o dinheiro do hotel e do microônibus para o centro da cidade maravilhosa, exatamente isso! Como a credibilidade dos bancos para os seus clientes só vai até a segunda tentativa, parei. Já pensaram nas consequências de estar numa cidade grande e desconhecida, sem dinheiro? Só tinha uma saída: procurar um médico pra receitar um estimulante cerebral.

O bicho vai pegar

Mesmo nessa situação devastadora, tomei o micro e fui ao hotel. No caminho, passando pela Avenida Presidente Vargas, não encontrei o médico, e sim, medicamentos sambísticos. Era ensaio de duas escolas no sambódromo. Fui com a bagagem ao hotel na Praça Tiradentes e armou-se conflito com o funcionário pra que ele recebesse somente no outro dia. Calma, calma, mantenha a calma, ele não vai aceitar. Pegou o dinheiro com o maior prazer. Só me restavam dois reais. Falei com o motorista de um ônibus ali na praça e consegui carona até o sambódromo (domingo à noite, 28 de janeiro de 2007). Naquele ensaio tinha a fome como samba-enredo e drama pessoal. Não que seja pró- samba, mas queria experimentar um pouco do que a Globo mostra como extraordinário.

Calor, calor

Sobre a cerimônia de ensaio das escolas posso dizer que também tem música de ambulância e de bombeiro pra socorrer as vítimas que não aguentam o calor. Numa determinada hora, os seguranças abrem os portões e parte do público que está na rua tem autonomia pra se sentir dono da festa. A multidão eufórica flutuando na arquibancada e as pessoas do meu lado conversando sobre escolas rivais. Se a festa é feita na maioria pelo povo pobre, como diz a TV, porque naquele momento, todos tinham dinheiro pra voltar pra casa, pra comer um cachorro quente, e eu não? Só dois reais pra sonhar. Arrastei do bolso o valor e comprei um refrigerante, minha porção de veneno pra enganar a fome e matar a sede.

No hotel, finalmente

Na solidão do quarto estava proibido de pensar em comida pra não destruir os últimos hemisférios do cérebro. Também não podia ficar maluco tentando lembrar letra de conta de banco. De manhã ao acordar, abriu-se uma trilha e consegui visulizar, nesta ligação, cada uma das três letras esperadas. Corri para a agência do banco na praça. Os dedos digitaram sem precisar de luta. Foi a proporção exata que estava faltando
".
(Edmilson Vieira)

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