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20/08 - 13:11
Viajar de moto vale não apenas pelo lugar a ser visitado, mas também pela sensação de liberdade que a viagem em si proporciona.
Fernanda Castello Branco
Estrada diante dos olhos, vento na cara e muitas belas paisagens pertinho de você. Uma viagem de moto é uma experiência inesquecível com diversão garantida. Pelo menos é o que garantem as pessoas que já puderam viver essa aventura maravilhosa.
Mas atenção: infelizmente, as viagens de moto não são para qualquer pessoa. “O ponto de partida é ter espírito de liberdade, conhecimento de pilotagem de motocicleta em um nível avançado, uma moto revisada e um bom plano de viagem”, explica Barazal, presidente do Motors Vivos Brasil, clube com sede em São Vicente, São Paulo. “Viajar de moto é uma aventura. Mas também pode ser uma cilada, se não houver planejamento. O primeiro passo é procurar saber o máximo do percurso e da motocicleta para poder preparar a viagem. Se a aventura for em grupo, é preciso que todos tenham o mesmo ritmo”, completa Cassio Narciso, jornalista da revista MotoMax e motociclista de plantão.
Por falar em grupo, há quem defenda a ideia de que as viagens em moto devem ser feitas sempre na companhia de pelo menos mais uma pessoa. “É sempre recomendável que o viajante vá com pelo menos um parceiro de estrada, pois nunca podemos prever as adversidades da vida. Uma companhia é sempre agradável nos pontos de parada na estrada”, conta Barazal.
Mas há quem veja vantagens nas aventuras solitárias estrada afora. “Não existe regra. Quando se viaja sozinho, você faz suas próprias paradas para descanso, dependendo somente do seu limite. Fotografa o que quer e quando quer”, analisa Cassio Narciso, que também reconhece a comodidade de ter um parceiro. “Por outro lado, quando um pneu fura ou se você precisa de um apoio mecânico (ou físico) qualquer, você não pode contar com ninguém se está sozinho”, completa.
Equipamento
Sozinho ou acompanhado, o fato é que algumas coisas são imprescindíveis em uma viagem assim. Segundo Barazal, que tem anos de experiência, os principais itens são: uma motocicleta revisada e confiável, roupa de segurança (jaqueta de couro, calça, botas de cano alto, luvas) e um bom capacete. “Além disso, é bom que a pessoa esteja se sentindo bem consigo mesmo”, diz.
Para realizar longas viagens, recomenda-se ainda que a moto seja de grande porte, com um banco confortável para o piloto e a garupa (para que não haja danos para a coluna, por exemplo), bagageiros laterais e traseiro para acomodação de vestimentas, ferramentas e capas de chuva. Barazal vai além e já pensa com carinho em uma provável companhia feminina. “É sempre bom ter um lugarzinho separado para a garupa colocar suas maquiagens e compras”, conta, aos risos.
Se a pessoa pretende atravessar terrenos mal pavimentados, o correto é utilizar uma moto Trail, pois ela supera facilmente esse tipo de trecho. “A quantidade de bagagem e como ela será transportada também pode ser um estorvo durante a viagem se não houver compartimentos corretos”, alerta Narciso.
Nas viagens mais criteriosas quando o assunto é segurança, os envolvidos fazem reuniões para esclarecer dúvidas antes da saída e se organizam na estrada para não atrapalhar o tráfego. “Existem alguns grupos que contratam carro de apoio mecânico e ambulância para acompanhar o grupo na estrada”, conta Cassio Narciso.
Motoclubes
Além das viagens, é comum que amantes de motocicletas se reúnam em motoclubes para dividir a paixão por esse meio de transporte. No Brasil, há muitos eventos mensais e programação de passeios. “Organizamos uma agenda de programação com data e horário de saída. Os integrantes são informados via e-mail e no mural de nossa sede” explica Barazal, do Motors Vivos Brasil.
Há grupos que são fechados para uma marca, como o HOG (Harley-Davidson Owner Group). Os demais são abertos, mas limitam a adesão à potência da moto, como esportiva, custom, trail, entre outras.
Para ser sócio do Motors Vivos Brasil, por exemplo, a pessoa tem que ter habilitação de moto, ser maior de 21 anos e possuir uma motocicleta de no mínimo 250 cilindradas e gostar de participar de atividades em grupo e viajar.
O grupo realiza, no mínimo, duas viagens mensais. Saindo de São Paulo, os destinos mais comuns percorridos pelo Motors Vivos Brasil são a Baixada Santista, Serra Negra, Holambra, Poços de Calda (MG) e São Lourenço (MG).
Mas o que não falta é gente com ideias de viagens inusitadas de motos. “Recentemente conheci um casal que saiu do Rio Grande do Sul e foi até o Alasca, nos Estados Unidos. Também em um desses encontros havia um palestrante que percorreu os cinco continentes. Viagens de moto não têm limites”, define o jornalista Cassio Narciso.
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