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26/06 - 11:26
O leito do Rio do Boi, que corre em direção ao Rio Mampituba antes de chegar ao Oceano Atlântico, brinda o ecoturista com dezenas de piscinas naturais ao longo de toda a trilha sob rochas que se formaram a partir de um processo erosivo sobre derrame basáltico.
Eduardo Vessoni
O processo de formação levou milhões de anos, mas um mergulho nas águas frias de uma dessas piscinas leva alguns minutos e é suficiente para o turista renovar as energias perdidas nas primeiras horas de caminhada. Principalmente quando bem atrás se encontra a primeira cachoeira do caminho, a refrescante “Leite de Moça”, que parece cair do alto esculpindo as pedras do paredão.
Aliás, toda aquela região parece ter sido desenhada por um escultor experiente. Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil, as imensas fendas encontradas no sul do país são resultados da movimentação continental que dividiu a América do Sul e a África em dois blocos independentes de terra, através da abertura do Oceano Atlântico, dando lugar a um ambiente desértico sucedido pelo maior derrame vulcânico continental do planeta. Cortado ao meio pelo sucessivo derrame basáltico proveniente de uma explosão subterrânea no Período Jurássico, o Itaimbezinho parece mesmo ter sido “cortado” por um imenso objeto afiado, formando assim uma verdadeira escultura geológica. Os índios locais bem que tinham razão ao alcunhar sua formação de “pedra afiada” (ita=pedra / aimbé=afiada).
O leitor que tenha chegado até aqui e já esteja sentindo os efeitos colaterais de uma trilha tão intensa não precisa se frustrar. Uma alternativa mais tranqüila, mas não menos impressionante, para o turista com menor preparo físico e sem muito tempo para desbravar a região, é a Trilha do Cotovelo, um caminho fácil por cima que acompanha a boca do cânion. São 6 quilômetros planos (entre ida e volta) em um caminho de terra que leva o visitante, entre araucárias e pinheiros típicos da região, até o mirante de onde se tem uma visão de 70% da grandiosidade do Itaimbezinho. O acesso a essa trilha se dá pela entrada do parque no lado gaúcho de Cambará do Sul.
Ali do alto, é possível observar também a beleza da cachoeira Véu da Noiva, uma queda d´água de 720 metros que jorra o seu “véu” sobre o vale do rio que corta os paredões do Parque Nacional Aparados da Serra. Mas para o aventureiro movido à adrenalina, a opção mesmo é seguir o texto na trilha do Rio do Boi. Ainda falta muito pela frente, e o grupo não tem tempo para perder-se em desvios.
Por isso, o turista segue a travessia do leito pedregoso do Rio do Boi, que parece ficar cada vez mais difícil e profundo, além das pedras e mais pedras espalhadas irregularmente por todo o percurso que ainda deverão ser transpostas antes do grande final.
O micro clima da região é muito instável e pode causar chuvas com ventos fortes, subida repentina do nível dos rios e, mais recentemente, ciclones. Prova disso são a formação desse fenômeno que deu as caras por lá em setembro do ano passado e no último mês de maio: casas foram destruídas com enchentes de até um metro de altura, deslizamento de terras e o desvio do percurso do Rio do Boi. Em alguns pontos da trilha, enormes pedras que rolaram montanha abaixo, galhos e árvores quebradas são provas do estrago que os ciclones fizeram na região.
Mas isso não deve ser motivo de preocupação, pois as saídas são controladas de acordo com a previsão do tempo e, por segurança, alguns passeios chegam a ser cancelados minutos antes do seu início.
E a caminhada de acesso ao cânion continua e o cansaço vai se misturando com a expectativa de alcançar o lado mais alto dos seus paredões. Em matéria de formação de cânions, a criação do mundo foi generosa com o estado norte-americano do Texas, onde se encontram desfiladeiros de até 1600 metros de altura e 29 quilômetros de largura, o famoso Gran Canyon. Mas os nossos imensos precipícios dão um show quando se leva em conta a rica biodiversidade da região.
Continuação:
- Os parques rumo ao Itaimbezinho
- Onde ficar durante a viagem
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