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Por dentro do Cânion Itaimbezinho

26/06 - 11:28

Houve uma época em que o gado das fazendas entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul pastava nos campos verdes rodeados de araucárias da Mata Atlântica sem nenhum cercado de segurança. Eis que bois, “enganados” pela cortina de neblina comum na região, começaram a despencar montanha abaixo sobre as águas calmas do rio que passava sob enormes desfiladeiros.

Eduardo Vessoni


Isso foi o suficiente para dar nome a uma das mais recentes atrações do ecoturismo da região: a trilha do Rio do Boi, que corta o interior do Cânion Itaimbezinho - localizado nos Campos de Cima da Serra.

Hoje, seus precipícios já não são mais armadilhas para os animais, mas os seus paredões verticais de até 720 metros continuam imponentes e fascinam os 112 felizardos turistas autorizados diariamente pelo Ibama a caminhar em seu interior.

Localizado no Parque Nacional de Aparados da Serra, o Itaimbezinho impressiona pelos números. Esse “senhor” de 130 milhões de anos, tem 5,8 quilômetros de extensão e sua largura chega a atingir os 2000 metros. Embora tenha sido criado em 1956, o parque esteve fechado até 1998 por falta de verbas do Governo Federal para manter a estrutura mínima para os visitantes, mas hoje guias especializados garantem a aventura pelas dezenas de opções de trilhas localizadas na região.

São milhões de anos de informação guardada entre aquelas rochas que parecem ter sido rasgadas pela mão do homem e que começaram a ser exploradas, recentemente, pelos turistas. A região abriga 63 cânions, mas apenas 10% dessa rara formação geológica são explorados turisticamente. Ali, encontram-se os oito maiores desfiladeiros em profundidade e extensão da América Latina e oferece atrações para ecoturista nenhum botar defeito.

Para quem tem disposição

A trilha do Rio do Boi, aberta ao turismo há apenas 10 anos, é uma das mais radicais e exige disposição do turista que quiser caminhar pelos 12 quilômetros de um longo e cansativo trajeto, entre ida e volta, realizado em oito horas, de acordo com o ritmo e a preparação física do grupo.

A trilha começa em uma mata fechada situada a 12 quilômetros de Praia Grande, cidade no extremo sul de Santa Catarina, na portaria de controle do Ibama. Após um alongamento rápido comandado pelo guia, o grupo entra falante no início do caminho. Talvez, nesse momento, o visitante não tenha noção do que virá pela frente: diversas travessias pelo Rio do Boi, com água na altura do joelho, e pequenas escaladas entre pedras são alguns dos obstáculos encontrados ao longo de todo o trajeto. Mas, horas mais tarde, o silêncio é inevitável diante de tamanha grandiosidade dos paredões do Itaimbezinho.

Não é de hoje que a região encanta quem decide desbravar as suas serras. Desde o período jesuítico, homens montados em cavalos desciam a Serra do Faxinal que ligava os campos e o litoral sulista para fazer comércio. A pecuária era a economia mais forte da região e atraía tropeiros de todas as partes do país. Lá do alto da serra, diante da paisagem montanhosa que viria a ser, posteriormente, a divisão dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, aqueles homens avistavam um espraiado de seixos rolados (espécie de pedras britadas encontradas na natureza) e chegavam acreditar que estavam, finalmente, no litoral. Decretou-se então, na década de 40 do século passado, o Distrito de Praia Grande, que de praia não tem nada, mas que continua no sopé da Serra Geral abrigando os turistas que chegam diariamente para encarar, entre tantas opções de aventura, a trilha de acesso ao interior do cânion Itaimbezinho.

O esforço é grande, mas a satisfação de estar emparedado no fundo do “abismo” faz qualquer turista sedentário esquecer as dores no corpo que virão mais tarde. A opção é relaxar e dividir a atenção entre escolher a pedra exata para fixar os pés e admirar a natureza única que se encontra escondida no lado sul do nosso país.

Continuação:

- Surpresas no caminho
- Os parques rumo ao Itaimbezinho
- Onde ficar durante a viagem

Leia mais sobre: cânion - escalada - serra.

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