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26/06 - 11:26
As belezas naturais e a importância desse fenômeno geológico brasileiro levaram à criação de dois parques nacionais que pudessem preservar a história e a geografia dessa região, o Parque Nacional Aparados da Serra, em 1959, onde se encontra o Itaimbezinho; e o mais recente datado de 1992, Parque Nacional da Serra Geral, abrigo de outros cânions visitados na região: o Malacara e o belíssimo Fortaleza.
Eduardo Vessoni
As atrações de todo o percurso do rio do Boi são a vegetação baixa e os pinheiros nativos que abrigam mais de 300 espécies de aves, coloridas borboletas que parecem ter sido pintadas à mão, tatus, macacos prego e bugio, que às vezes surpreendem os visitantes com seus fortes assobios que são ouvidos por toda a mata. Os locais garantem também terem visto o leão-baio, conhecido como puma americano. Lenda de fazendeiro ou não, o melhor é não parar para ver. Como dizem os guias durante a trilha, se correr o bicho pega e se ficar o bicho come, o melhor então é apressar o passo e seguir em frente.
Os paredões começam a ganhar altura e a sensação de confinamento vai aumentando. Em um certo ponto da trilha, conhecido como “Emparedado”, olha-se para os dois lados e tem-se a impressão de que chegamos a um final sem saída. Pura ilusão de ótica. Alguns metros ainda devem ser percorridos até o fim da trilha, ou pelo menos até onde o Ibama autoriza a entrada de visitantes. Curioso, o ser humano não se contenta e sempre encontra uma jeitinho para ir além, desde que acompanhado do grupo e com muito respeito ao ecossistema que se encontra ali.
Infelizmente, nem sempre foi assim. Até hoje, a região sofre com queimadas e desmatamento de araucárias encontradas nos campos do sul. O descontrole chegou a tal ponto em que houve épocas em que aquela região contou com apenas duas araucárias que foram poupadas do corte pela posição estratégica próxima aos abismos. Sorte delas e nossa: imponentes até hoje localizadas à beira do abismo, essas duas espécies já cumpriram 800 anos de vida e foram responsáveis pelo reflorestamento de toda a área com a ajuda dos ventos e dos pássaros locais.
Depois de tanta informação de peso e profundidade, literalmente, o turista chega ao fim e é “engolido” pelos imensos paredões rochosos do Itaimbezinho. Cansado e atônito, o grupo é incapaz de esboçar qualquer comentário. O silêncio é a melhor explicação para o que se vê sobre as nossas cabeças.
Miniaturas humanas começam a se dispersar pela fenda. Uns disparam seus flashes em busca do melhor ângulo e luminosidade, outros se deitam sobre o chão para melhor visualizar a altura daqueles enormes paredões que parecem disputar espaço com os céus, enquanto alguns se sentam sobre uma pedra e procura controlar a respiração ofegante para não atrapalhar a curso da vida que se desenvolve ali durante milhões de anos.
Diante de tanta grandiosidade e da força da natureza que não se cansa de impôr o seu curso a revelia da destruição do homem, descobrimos que não somos nada, ou melhor, somos tudo a partir de agora, pois conseguimos vencer as barreiras e cumprir a trilha de acesso ao fundo do abismo.
Continuação:
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