Mochileiro das Maravilhas no Vitenã
29/09 - 18:02
Mais um visto na mão e deixei Seam Reap, capital do Camboja, para atravessar a fronteira e chegar ao Vietnã.
* Daniel Thompson
Sempre tive curiosidade de conhecer o Vietnã. Apesar de saber que ele teria muitas belezas e surpresas a oferecer, a imagem que sempre vinha à minha cabeça era a da guerra, com aquela foto da pequena vietnamita correndo nua, e dos ciclistas que usam aquele chapéu diferente em forma de cone. Sim, eles têm isso tudo, mas tem muito mais!
Tirei aquela madeira do chão e olhei o buraco. Pensei: “não vou conseguir entrar aqui de jeito nenhum”. Mas entrei. E enquanto engatinhava na total escuridão tocando as paredes de barro, buscando o caminho correto, pensava na fantástica vitória do Vietnã contra os Estados Unidos, em busca da independência do país. Eu estava em Cu Chin, distrito ao sul de Ho Chi Min (antiga Saigon), onde as tropas de norte-americanos e aliados, na década de 70, foram derrotadas pela inteligência do povo vietnamita.
Os túneis de Cu Chi escondem uma cidade debaixo da terra. Quilômetros de passagens que ligavam diversos cômodos e abrigavam 12 mil cidadãos e vietcongs da região. Além dessa grande obra de engenharia, diversos tipos de armadilhas, feitos com materiais simples, estavam espalhados por lá para capturar os soldados inimigos, que, mesmo armados até os dentes, viravam presa fácil em um ambiente tão inóspito.
Foram poucos minutos na escuridão daquele minúsculo túnel, mas a sensação de estar debaixo da terra escutando os passos e a fala de quem está acima do solo é indescritível. Apesar de alguns furos estrategicamente encobertos arejarem (um pouco) as passagens, eu só fiquei mais tranquilo e feliz quando voltei ao meu ambiente, acima da terra.
Fiquei mais feliz ainda ao conhecer o Delta Mekong, porção de natureza também no sul do Vietnã, que mostra a paz e um pouco da beleza do país. Lá, uma população ribeirinha vive e se sustenta por meio da pesca, agricultura, artesanato e turismo.
Aquele velho senhor de olhos puxados, pele enrugada e poucos dentes na boca, remava tranquilamente conduzindo a canoa pelos igarapés que se espalham por Mekong. Ele usava uma surrada camisa azul e aquele chapéu típico vietnamita. Vez ou outra ele se virava e dava um sorriso, provavelmente porque eu também não parava de sorrir e não conseguia fazer o meu chapéu parar na cabeça. Que vontade de saber falar a língua dele e saber um pouco da vida daquele homem, que, além de carregar marcas e cicatrizes evidentes, devia carregar muita história!
Saltei da canoa e acenei para ele. Mais um sorriso e lá fui eu, saber como o doce da folha do coco era feito, ouvir um pouco de música local e receber uma mansa cobra no pescoço (coisa que não acontecia desde a Tailândia). Tudo parte da cultura local.
Nessa primeira impressão, vi que o povo vietnamita é trabalhador e carrega muita dor pela guerra, em que mais de três milhões de pessoas - sendo dois milhões de civis – morreram, e outras 600 mil ficaram feridas ou simplesmente não foram encontradas. Mas apesar de tudo isso, um povo que se orgulha de ter vencido e conquistado sua liberdade. Isso é visto nos olhos de cada um!
Parto, agora, para o norte do Vietnã. É hora de conhecer mais sobre esse lindo país. Até semana que vem aqui no iG. E não deixe de acompanhar minha aventura pelo mundo, diariamente, pelo Mochileiro das Maravilhas .
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