Três continentes, duas Maravilhas e uma surra

22/07 - 06:00

Istambul sempre me interessou. Ouvi muito sobre essa cidade. Além da fama pelo comércio e pelas suas belezas, carrega uma geografia única. E como adoro geografia, lá fui eu, em um vôo tranqüilo e divertidíssimo (ao lado de um casal argentino), pousar na única cidade do mundo que está em dois continentes.

Daniel Thompson


Apesar de não ser a capital da Turquia (a capital é Ancara), é em Istambul que tudo acontece. A antiga Constantinopla é dividida em três partes. Duas estão no lado europeu e são separadas pelo Chifre de Ouro, braço de água que tem esse nome pelo formato e pelo brilho ao pôr-do-sol. Ao sul está a parte velha - e turística; ao norte, a nova Istambul. Para se chegar ao lado asiático, duas opções: barcos, via Estreito de Bósforo, ou pela gigantesca ponte que une os continentes.

O Estreito liga os mares Negro e Mármara, e é acesso marítimo entre Ásia, Europa e África. Dois milhões de pessoas passam diariamente pelo local. Anualmente, são mais de 55 mil embarcações navegando por lá.

Como sempre faço ao desembarcar, fui procurar o ponto de informação turística para pegar meu mapa e saber como chegar ao albergue e aos principais pontos da cidade. Não demorou muito para perceber como o comércio está no sangue desse povo. Simpatia e poder de persuasão são as armas deles. Para o turista que gosta de pechinchar, esse é o lugar. Deixar de fazer uma contraproposta no comércio turco pode até ser encarado com uma ofensa!

Mais uma Maravilha

Istambul tem mais de 2500 mesquitas. A mais conhecida é a Mesquita Azul. Depois de tirar os sapatos e entrar, percebe-se o porquê do nome e o tamanho da crença desse povo. A Mesquita Azul é realmente linda e, para alegria dos visitantes, disponibiliza muitas informações e folhetos sobre o islamismo e suas rezas. Achei bem interessante.

Logo em frente à Mesquita Azul, está o principal motivo da minha vinda a Istambul: a Basílica de Santa Sofia, que hoje é um museu. Ela foi construída no século V pelo Império Bizantino para ser a Catedral de Constantinopla. No século XV, foi convertida em Mesquita, após a tomada de Constantinopla pelos turcos Otomanos. Em 1935, tornou-se um museu e hoje passa por uma grande restauração.

Surra

Antes de me despedir da cidade, tive de experimentar o mundialmente conhecido banho turco. Só não sabia que ganharia uma surra de brinde! Com toalhinha xadrez amarrada na cintura, fui levado a uma sauna de mármore. Lá, um barrigudo e bigodudo me abordou, num perfeito turquinglês: “after fifteen minutes, massage!!!” (Em 15 minutos, sua massagem).

Fiquei esperando feito uma lagartixa no mármore. Quinze minutos depois, o caricato turco entrou e me mandou sentar ao lado de uma pia. Alternou água quente e fria e me escovou. Já de volta ao mármore, recebi uma massagem com espuma. Depois de 50 dias de viagem, as costas e os pés desse mochileiro estavam, mesmo, precisando de um tratamento.

Novo banho de água, sauna, até que o “bigode” falou para eu deitar no chão. Fui pisoteado, levei chaves de braço, murros relaxantes e torcidas nas pernas. No meio disso tudo, tive um ataque de risos e acho que ele pensou que a pancadaria estivesse divertida. Só sei que, no final, estava novo em folha!

Maravilhas que riem para o tempo

De Istambul para o Cairo foram duas horas de vôo. A capital do Egito não está entre as 10 cidades mais bonitas que já visitei. Mas, de qualquer forma, o distrito vizinho de Giza faz qualquer esforço valer a pena. Afinal, do outro lado do Rio Nilo ficam as únicas remanescentes das Maravilhas do Mundo Antigo: Quéops, Quéfren e Miquerinos.

Turista ao extremo, contratei dois guias para visitar as pirâmides: Maradona, o camelo, e Mahamed, garoto de uns 20 anos, que me contou tudo sobre a região.

As três pirâmides foram construídas como tumbas reais para os reis Kofu e têm mais de 4 mil anos. Um provérbio árabe diz: “o tempo ri para todas as coisas, mas a pirâmides riem para o tempo!”. Mais verdade, impossível.

São fantásticas! Com 50 Libras Egípcias - aproximadamente R$ 15 - entra-se no Complexo, que, além das pirâmides, tem a Esfinge, um cemitério e outras atrações.

Daqui parto para a Jordânia, único país do Oriente Médio que será visitado nessa viagem e que, com certeza, guarda grandes surpresas para mim! Petra, a cidade de pedra, é uma delas.

Continue acompanhando minha aventura aqui no iG e também pelo site www.mochileirodasmaravilhas.com.br. Até terça-feira que vem!

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