Cair na estrada levando os pequenos pode ser menos complicado do que se imagina

Mochilar com as crianças exige planejamento
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Mochilar com as crianças exige planejamento
A bibliotecária Maria Emília, 45, de Mato Grosso, é mochileira há 30 anos. Sem saber ao certo o que faria, convidou a neta Maria Clara, de 2 anos, para ir com ela à Bolívia. As duas foram para a rodoviária de Cuiabá encarar uma viagem de 17 horas de ônibus, da capital mato-grossense até La Paz. Loucura? Maria Emília preferiu classificar a empreitada como uma grande aventura.

Diferentemente das demais viagens que a bibliotecária já havia feito com a mochila nas costas, essa exigiu um planejamento especial. O primeiro passo foi consultar um pediatra sobre a questão da altitude, já que a Bolívia está a mais de 3 mil metros do nível do mar. “As crianças se adaptam muito bem. Melhor do que os adultos”, explicou o especialista. Com o aval do médico, ela começou a montar o roteiro.

Depois de pesquisar sobre albergues na região, optou por ficar na casa de conhecidos e em hoteizinhos em conta. “Não encontrei um hostel bacana para me hospedar.”

O passo seguinte foi pontuar o que havia de bom para fazer nas cidades de La Paz, Sucre e Santa Cruz de la Sierra, por onde passariam.

No final das contas, a jornada das duas Marias foi um sucesso, em parte, graças ao planejamento da avó, em outra, porque o “time” de Maria Clara foi respeitado. “Os adultos têm de entender que o ritmo de uma viagem assim é totalmente diferente. A garotada leva mais tempo para sair da cama, se alimentar, andar e até para ver e entender as coisas novas pelo caminho”, explica Patrícia Papp, autora do livro “Crianças a Bordo: Como Viajar com os Filhos sem Enlouquecer”.

Patrícia virou profunda conhecedora do assunto depois de levar seus dois rebentos, Pedro, de 6 anos, e Luiza, de 1, para Dubai e Tailândia. Mochileira na juventude, ela mudou o estilo depois que virou mãe, mesmo assim não perdeu a alma aventureira. “Chegar a uma cidade sem lugar definido para ficar, com os filhos cansados e com fome, não dá. Deixe o espírito ‘easy rider’ para quando estiver sozinha. Esquematize tudo, sempre”, aconselha.


Quem vai mochilar com crianças deve prever maior número de pausas e lanches na mochila
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Quem vai mochilar com crianças deve prever maior número de pausas e lanches na mochila
Se alguns detalhes não são levados em consideração em uma mochilada convencional, quando levar um acompanhante que depende de você, a história é outra. Por exemplo, no albergue que vai ficar tem uma cozinha com pelo menos fogão ou micro-ondas para aquecer a papinha, fazer uma sopa ou preparar algo no meio da madrugada? Certifique-se que há infraestrutura mínima.

O ideal é procurar locais que são adaptados para receber a criançada. Assim, você não vai correr o risco de ficar sem dormir com as festas promovidas pelos outros alberguistas, conseguirá um quarto adequado com banheiro privativo e quem sabe até uma área de lazer.

Mochileira de carteirinha, Ana Cláudia Amaral continuou na estrada mesmo depois do nascimento de Enzo. Na primeira turnê com o filho, ela e o marido montaram um roteiro de 15 dias passando pelo Chile e Argentina. Mesmo com as críticas da família, o casal não se intimidou. Eles pesquisaram na internet roteiros e lugares para se hospedar. “Foi a experiência mais maravilhosa que passamos juntos. Enzo só tinha 3 anos e até hoje fala sobre isso”, revela a mãe coruja, que passou a contar todas suas peripécias pelo mundo com o filho no blog criancasnabagagem.blogspot.com.

Os pais deixaram de lado passeios pelas vinícolas no Chile e os shows de tango em Buenos Aires por considerarem inadequados. “Isso fica para uma viagem a dois.”

Quanto aos albergues, tiveram uma experiência incrível em Santiago – um hostel com ótimas instalações e área verde para o Enzo brincar – e vivenciaram uma grande roubada na capital argentina. O quarto era cheio de poeira, o chuveiro pinga-pinga e ainda por cima sem água quente. “Aqui é feio, mamãe”, reparou o minimochileiro. Nem isso abalou o bom humor dos viajantes, que sabem que imprevistos sempre acontecem.

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