Manual do viajante

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Devo fazer um seguro viagem?

Saiba porque e como fazer uma apólice antes de viajar

Tatiana Gerasimenko, especial para o iG

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Previna-se de dores de cabeça no exterior

A ideia era partir de Londres rumo a Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, para assistir a um espetáculo do Rei Lear. “No trem, arranhei a córnea ao coçar o olho”, conta o gerente de produtos Carlos Campos de Souza. Mas ele precisava aproveitar ao máximo o passeio porque na manhã do dia seguinte deixaria a cidade.

“Fiz de conta que nada aconteceu e fui ver a casa onde Shakespeare nasceu, sua tumba, a casa da filha... E o meu olho foi fechando e doendo cada vez mais, até chegar ao ponto em que eu não podia ficar com ele nem aberto nem fechado”. Na hora da peça, só lágrimas – não por conta da encenação, mas em função do machucado.

Em casa, a maioria das pessoas saberia o que fazer diante de uma situação parecida. Mas em terras distantes, cuidados indispensáveis de última hora podem depender de preparativos organizados antes, como o seguro viagem. “Ao sair da peça, telefonei para o seguro e eles me indicaram um hospital”, explica Souza. “Chegando lá, não precisei do seguro: a recepcionista me explicou que, estando na Inglaterra, eu receberia atendimento de qualquer maneira. Mas e se eu estivesse na Hungria?”, brinca ele, que, ao menos, foi reembolsado pelas ligações feitas até resolver o problema.
 

Contratando um seguro viagem

Há vários tipos de seguro viagem. Geralmente, quando o pacote está pronto, a empresa já inclui o melhor tipo de seguro. Mas quem vai contratar o seguro por conta, precisa ver qual o mais adequado a sua viagem. “Há seguros específicos para viagens marítimas, para quem vai praticar esqui, para a Europa, seguro estudante, entre outros”, explica Kadu Silva, sócio-proprietário da agência de viagens Maia Tour.

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Em geral, o seguro viagem cobre despesas de atendimento médico, no Brasil e no exterior, e opções como adiantamento para assistência jurídica, ressarcimento por perda de bagagem ou documentos e cancelamento de viagem. “Os serviços podem incluir auxílio para casos como falecimento ou a necessidade de enviar outra pessoa, como um parente, até o local do assegurado”, ressalta Silva. Ele mesmo já teve casos em que a pessoa comprou o pacote e teve que cancelar porque ficou doente, e o seguro cobriu parcialmente a viagem ao reembolsar as multas cobradas pela operadora.

Antes de buscar um seguro viagem, no entanto, é importante verificar se o próprio cartão de crédito utilizado para comprar as passagens aéreas não oferece o serviço. Muitos planos cobrem gastos com acidentes, isentando o cliente da necessidade de uma contratação extra. Em alguns casos, informações como a idade do cliente e a data da viagem são requeridas. Portanto, a melhor coisa a se fazer é entrar em contato com a central de atendimento do cartão para se informar antes de viajar.

Foto: Getty Images

Antes de contratar um seguro viagem, veja se seu cartão de crédito já não inclui o serviço

Caso este não seja o caso, o viajante deve saber que a escolha de uma seguradora é pessoal. A contratação do seguro viagem, se feita independentemente de uma agência de turismo, pode ser realizada via internet com rapidez e eficiência. Boa parte das empresas aceita o pagamento efetuado com cartão de crédito ou boleto bancário. Vouchers são emitidos como garantia e enviados por e-mail ou pelo correio.

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Antes de efetivar o contrato, a dica é ler com atenção suas cláusulas. O contratante deve estar ciente das responsabilidades de ambas as partes, evitando constrangimentos futuros. “O mais importante é verificar a cobertura que o seguro oferece e como entrar em contato, caso precise”, explica Silva. “Quando a viagem é para a Europa, por exemplo, informamos o cliente de que geralmente a Polícia Federal pede o seguro viagem, e ele é obrigatório para entrar lá”.
 

Utilizando o seguro viagem

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Certifique-se de que seu seguro viagem cobre os países pelos quais você passará

Certificar-se de que a comunicação entre os operadores da seguradora e o viajante seja realizada na língua de origem do contratante pode facilitar o encaminhamento de medidas destinadas a solucionar um problema ocorrido em um momento de maior sensibilidade ao estresse. “Dependendo do serviço, a pessoa pode até ligar para as centrais do seguro no Brasil, a cobrar”, diz Silva. Por isso, a maioria das seguradoras fornece uma lista de telefones para situações de emergência.

Outro item importante a ser verificado trata da localização da cobertura do seguro. Muitas regiões ou países podem não estar dentro da área de contato direto com a seguradora. Neste caso, ela deve fornecer ao viajante telefones de seus representantes para contato, antes do embarque.

O seguro viagem deve cobrir as despesas asseguradas e realizadas durante todo o período da viagem – não importando a localização da ocorrência. No entanto, o viajante deixa de usufruí-lo no momento em que pisar no solo de origem.

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A estudante de jornalismo Fernanda Burzaca ficou doente durante sua viagem de intercâmbio a Vancouver, no Canadá. Apesar de ter recebido do seguro as indicações de hospitais e clínicas onde poderia ser examinada, preferiu a comodidade de ser atendida por um médico próximo da casa onde estava hospedada. “A consulta custou US$ 110 e o remédio US$ 40”, conta. “Recebi o reembolso no Brasil, sem problemas.” Tudo deu certo porque ela se lembrou de guardar os comprovantes de gastos efetuados lá fora. Dependendo do plano, Fernanda poderia ainda receber a visita de um médico.
 

Exigência do seguro viagem

Os países europeus inclusos no Tratado de Schengen – Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Suécia e Suíça – estabelecem a obrigatoriedade de seguro viagem para visitantes provenientes de todas as partes do mundo.

Kadu Silva diz que 90% dos clientes não fazem o seguro viagem para viagens no Brasil, porque acreditam estar seguros com o próprio convênio médico. Mas 70% das pessoas que viajam para fora pedem o serviço. “Oferecemos para todas as pessoas que vão ao exterior, porque sempre pode acontecer algo – de um resfriado a internações – e a assistência médica em outros países é muito cara”. Segundo ele, cerca de 5% dos viajantes acaba recorrendo a um ou outro serviço.

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Os valores assegurados são destinados para cobertura de atendimentos médicos e repatriação. O teto mínimo para o seguro varia conforme o país. Espanha, Itália e Portugal exigem apenas um montante em dinheiro, ou travelers cheques, e uma declaração de beneficiário do ISS para brasileiros. A declaração pode ser obtida em escritórios deste órgão público antes de viajar. Países como a França e Alemanha, no entanto, exigem do viajante uma cobertura mínima do seguro de saúde de 30 mil euros – comprovada por meio de comprovantes na imigração.

 

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