Faça um mochilão em grupo

Por Rafael Bergamaschi , de Praga

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Desbravar territórios desconhecidos com baixo orçamento, segurança e ainda na companhia de novos amigos é mais simples do que se imagina

São três horas da manhã de uma madrugada atipicamente chuvosa no verão de Praga, capital da República Tcheca. Um grupo de aproximadamente 30 jovens se abraça fortemente ao lado do bar iluminado com luz neon de uma discoteca, trocando palavras como “fico muito feliz que você tenha vindo nessa viagem”, ou “sério, cara, nós temos que nos encontrar novamente de qualquer jeito!”. Pelos cantos, novos casais trocam carícias e palavras de apreço. Cinco dias antes, nenhuma daquelas pessoas se conhecia. Era o fim de uma espécie de “mochilão em grupo” pela Europa Central, organizado pela companhia de viagens para jovens Contiki, no Brasil representada pela STB.

O “grupo” em questão é multicultural: Canadá, Austrália, Inglaterra, Singapura e Nova Zelândia são algumas das nacionalidades que se misturam. A média de idade gira em torno de 25 anos, mas a maioria se comporta como se tivesse 17. Há algo na experiência de viajar de ônibus por alguns dias com pessoas da mesma faixa etária e com gostos parecidos que transporta imediatamente à adolescência. E a Contiki sabe disso.

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Roteiro e estrutura da viagem são pensados visando faixa etária de 18 a 35 anos

Como parte da estratégia de volta ao tempo, cada grupo de viajantes “ganha” uma música-tema que os acompanhará todos os dias. Ao entrar no ônibus, de manhã, para os passeios pela cidade, e também à noite, antes de ir ao bar ou à balada. “A ideia é que, no futuro, sempre que vocês ouvirem esta música ela desperte boas memórias, dos momentos passados nesta viagem”, explica o guia australiano Hugh McMillian, de 28 anos.

O roteiro e a estrutura da viagem também são pensados visando à faixa etária de 18 a 35 anos, com a qual a empresa opera. Em Viena, capital da Áustria, por exemplo, o itinerário conta com uma visita ao Alt Wiener Schnapsmuseum, destilaria e museu onde é possível conhecer um pouco sobre a fabricação de licores artesanais, uma tradição do país, e, claro, provar diversos “shots” de bebida. À noite, depois que o álcool já assentou, o grupo é levado ao Prater, parque de diversões local que possui, entre outras atrações, o mais alto “Chapéu Mexicano” do mundo, com 117 metros de altura.

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Rafael Bergamaschi
Viajar de ônibus com grupo de amigos remete à adolescência

O roteiro, no entanto, não é fixo, e pode se moldar de acordo com o perfil de cada grupo. “Já tivemos de loucos por compras e gente bastante interessada em história a pessoas que querem curtir a vida noturna ao máximo”, conta McMillian. Algumas das cidades contam com guias locais, que procuram dar uma perspectiva aprofundada de como é a vida naquele lugar. Uma parte interessante é que, sempre que possível, todos recebem boa dose de tempo livre para curtir a cidade da maneira que desejarem.

Experiência própria virou negócio

A companhia começou em 1961, quando o neozelandês John Anderson, de férias em Londres, buscava reduzir os custos de suas viagens de qualquer maneira. A ideia campeã foi comprar fiado um miniônibus e buscar pessoas entre 19 e 29 anos que topassem dividir os custos da empreitada. Deu certo. De lá para cá, a Contiki cresceu e se tornou um império do turismo voltado para jovens, chegando a levar mais de 150 mil viajantes por ano.

A viagem funciona basicamente da seguinte forma. Depois de escolher um dos diversos roteiros disponíveis (as opções incluem trajetos em todos os continentes), a pessoa se encaminha por conta própria à cidade onde terá início o tour. Lá, ela é apresentada aos outros viajantes e à equipe que a acompanhará até o fim do pacote. Cada dia há uma programação específica, com passeios aos pontos turísticos, atividades culturais e também visita à cena noturna. Os trajetos, inclusive as viagens entre cidades, são feitos em ônibus leito climatizado, o que ajuda a diminuir significativamente os preços.

Rafael Bergamaschi
Destilaria e museu do licor Alt Wiener Schnapsmuseum é atração de Viena, na Áustria

São três tipos de acomodação: em barracas, hostels ou hotéis econômicos. N a última opção é possível ficar em um quarto individual, mais caro, ou dividir com alguém. Mesmo quem viaja sozinho pode escolher ficar com uma pessoa do mesmo sexo que tenha escolhido a mesma opção.

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Viajar com a Contiki diminui drasticamente os preços se a ideia é conhecer diversos países, fazer city tours guiados, provar a gastronomia local e não ficar em hostels, compartilhando quartos com pessoas aleatórias. A economia pode chegar a cerca de R$ 250 por dia em algumas cidades. Mas se a intenção é economizar ao máximo, hospedar-se por conta própria em hostels equipados com cozinha e fazer as refeições no local sai mais em conta, ainda que isso represente uma experiência menos rica culturalmente.

Antes de comprar um pacote, no entanto, é necessário ter em mente qual o seu perfil. Optar pela empresa é ideal para quem não gosta de viajar sozinho e está disposto a conhecer novas pessoas, com bagagens culturais diferentes. Também é boa ideia para quem nunca deixou o país e tem receio de desbravar novas terras por conta própria. Mas ainda é um pacote turístico. Isso significa horário para acordar, para jantar, para partir à outra cidade... Mesmo que seja tudo maleável, a sensação de liberdade pode ficar um pouco restrita para viajantes mais experientes.

Falar inglês fluentemente ou ao menos avançado é também uma exigência. Tudo é feito no idioma. “Esse é um aspecto primordial. Às vezes acontece de dois amigos quererem viajar juntos, mas um deles não dominar o idioma. É bem difícil que aquele que fala inglês vá servir de intérprete para o outro a viagem inteira”, explica Bernardo Ramos De Lucia, gerente de Travel & Holidays da STB.

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