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29/07 - 18:01

Pérolas da paranóia
Um guia ensina a proteger sua casa enquanto você viaja... com um certo exagero!

Da redação

Quando estamos de férias, é normal sentir alguma preocupação com a nossa casa, que ficou vazia, e portanto mais vulnerável a invasões e roubos. Mesmo assim, é possível que uma instituição de pesquisa sobre segurança tenha ido um pouco longe demais. A ISECOM publicou, em seu site, um manual de precauções para quem sai de férias. Até aí, nenhum problema. O estranho é que a lista de passos recomendados aos pobres viajantes tem setenta itens!

Algumas das medidas sugeridas vão do inútil - colocar placas avisando que se trata de propriedade privada e que a invasão é crime - ao pouco prático - começar a manter as janelas e cortinas fechadas vários dias antes de partir, para que um possível observador mal-intencionado não note facilmente a diferença quando a casa ficar vazia.

Outras pérolas da paranóia incluem: escrever ou gravar nome e RG em todos os objetos possíveis; destruir todos os papéis com informações financeiras e pessoais antes de viajar e apagar e-mails e recados na secretária eletrônica; e até colocar etiquetas nas portas fechadas, de modo que elas se rasguem caso alguém as abra!

Certas dicas do manual são realmente boas, como suspender entregas: uma pilha de jornais acumulados na porta é um verdadeiro aviso para qualquer criminoso de que a casa está vazia. Outras idéias sensatas incluem não deixar uma chave de emergência escondida perto da entrada, e sim entregá-la a alguém de confiança; trocar as baterias do sistema de alarme, se houver; não deixar carros na rua, se for possível; contar que vai viajar apenas a poucos vizinhos de confiança, e pedir que eles fiquem de olho na casa, caso algo de suspeito aconteça.

A publicação traz precauções para combater até os ladrões mais bem-equipados e persistentes, como não usar câmeras de segurança sem fio cuja transmissão pode ser interceptada por bandidos e comprar um cofre para guardar objetos de valor. Mas não basta comprar o cofre: o verdadeiro paranóico o compra em uma loja afastada de sua residência, paga em dinheiro e o transporta e instala sozinho, para que ninguém saiba seu endereço e que lá há um cofre. Uma sugestão extra é alugar uma van só para ir buscar o cofre, para que ninguém possa anotar a placa do carro e depois descobrir o endereço. Parece que o primeiro mandamento da segurança é nunca subestimar o inimigo!

E não é só com o crime que os estudiosos da segurança se preocupam: o guia também inclui dicas para evitar estragos causados por, entre outros perigos, animais selvagens (!), insetos, contaminação por vírus, bactérias, substâncias venenosas e materiais radioativos (!), incêndios, enchentes, falta d’água, falta de energia e instabilidade na rede elétrica. Para este último tipo de problema, uma orientação útil é desligar da tomada todos os aparelhos elétricos que puderem ficar desligados. Para evitar contaminação, é bom não deixar na geladeira ou na lata de lixo nada de perecível, não deixar louça suja na pia nem água parada, e dedetizar ou reforçar o repelente antes de partir. Mesmo que o risco de acontecer algo fatal seja pequeno, essas providências simples podem evitar surpresas no mínimo desagradáveis na hora de voltar para casa.

É injusto dizer que os autores do guia não percebem os excessos das recomendações. Prova em contrário é a recomendação número 53: “Deixe um livro de visitas ao lado da porta para que os ladrões o assinem, e deixem seus endereços e telefones para serem avisados quando você comprar novos objetos de valor – Brincadeira, mas seria legal se eles caíssem nessa, não é?”

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG

Getty Images

Paranóia? - é verdade que o seguro morreu de velho, mas o guia da ISECOM às vezes exagera

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